Cássio Ramos, nasceu em Veranópolis, no dia 6 de junho de 1987, se ele chorou quando nasceu, eu não sei, mas fez todo mundo chorar muito mais anos depois. Por isso, a coluna Parabéns ao Craque homenageia o maior goleiro (não só de tamanho, mas também de história) dos quase 110 anos de história do Corinthians.

A infância

Foi uma das várias crianças no Brasil criado apenas pela mãe, e em uma família simples, dividiu tudo com seus dois irmãos em uma pequena casa na cidade gaúcha. Aos seis anos já amava futebol e viu o time da cidade ser campeão estadual. No entanto, para chegar ao sonho nem tudo foi fácil. Trabalhou no lava rápido do tio aos 14 anos para ajudar na renda de casa.

Cássio em sua primeira comunhão em Veranópolis (Reprodução/Bruno Thadeu/UOL)

Desde sempre foi conhecido por ser o maior da turma e ainda por dormir com os pés para fora da cama devido a sua altura. Muito apegado a vó, frequentou a igreja desde pequeno. De Santa Rita de Cássia é devoto, tanto que virou tatuagem nas costas do goleiro. Além disso, ganhou o apelido de Padre na escola por causa de sua devoção e ao fazer um casamento de festa junina. Não virou Padre e nem é santo, mas acumulou milagres durante a carreira.

O Grêmio e o PSV

Com 13 anos chegou a base do Imortal e logo destacou, pouco tempo depois virou titular. Mesmo disputando vaga com Marcelo Grohe em alguns momentos. Assim como, em 2006 no profissional em que o paulista levou a melhor e foi campeão gaúcho sendo titular. Suas atuações o levaram as seleções de base, mas sobre isso a gente fala mais pra frente. Enquanto isso, ele foi titular apenas três vezes, levou apenas dois gols e ainda deu assistência para gol de Herrera em jogo contra o Fluminense, em 2007.

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Ao fim daquele ano foi vendido para o PSV, no entanto, não brilhou. Não chegou a emplacar cinco jogos oficiais no time e ainda acumulou falhas. Foi emprestado ao Sparta Roterdam em 2008/09, apesar de fazer 16 jogos como titular e ter conquistado a posição após lesão do goleiro titular, voltou ao PSV como reserva e assim ficou. No fim de 2011, decidiu por rescindir o contrato que estava perto do fim e vir para o Brasil.

A América alvinegra

Ao chegar o Corinthians, parecia mais um a brigar pela condição de segundo goleiro com Danilo Fernandes. Julio Cesar era um pouco contestado, mas ia bem até o dia 22 de abril de 2012. Suas falhas contra a Ponte Preta pelo Paulista fez o treinador de goleiros, Mauri Lima, entrar no vestiário e gritar: “Bota o Cássio“, para o treinador Tite. O pedido foi atendido. 10 dias depois contra o Emelec, ele estreava na atitude de Quito e demonstrou confiança. Na volta, foi pouco exigido, mas se saiu bem.

Contra o Vasco, em São Januário como se fosse uma piscina começou a demonstrar sua elasticidade. Se alguém ainda estava com pé atrás, o dia 23 de maio de 2012, no Pacaembu, tirou todas as dúvidas. Além de fazer duas enormes defesas na primeira etapa viu na segunda etapa fazer a maior defesa do maior goleiro da história alvinegra. Alessandro cruzou nas costas de Diego Souza, que saiu sozinho com 1,96 de altura. O camisa chutou rasteiro no canto, se ele esperava comemorar não sabia que o camisa 24 era tão inteligente quanto imaginava e deu um desvio na bola para escanteio. Um toque que pareceu simples para o arqueiro, que nem comemorou, tamanha a sua frieza em um lance crucial. Ainda fez milagre em cabeçada nos minutos seguintes e o gol e Paulinho levava a equipe a semifinal.

Neymar, Juan, Alan Kardec e Elano sonharam com o Gigante nas semifinais. Além de ter fechado o gol da Vila Belmiro, no Pacaembu foi um tento só concedido aos santistas. É até difícil de explicar alguns lances haja visto tamanha dificuldade e genialidade. Contra o Boca Juniors, foi a vez de Mouche (aquele) e Riquelme (esse mais vezes) se assustarem com as defesas do muro gaúcho. Prazer, argentinos, começava a história do maior goleiro da história. Não foi sua mão que levantou a taça da Libertadores, mas ele muito contribuiu para isso.

O melhor jogador do Mundial é um goleiro!

Após mais tranquilidade traga durante o Brasileirão, chegou o grande momento do ano. Na semifinal foi pouco exigido, mas assustou Fathi em momento importante da segunda etapa. No dia 16 de dezembro de 2012, foi a Yokohama fazer uma enorme atuação contra o Chelsea. Aos 15′ Cahill viu o corpo de 1,96 prender a bola ao chão e não deixar entrar. Minutos depois foi a vez de Moses cortar para a perna direita e tentar colocar no canto, mas nas pontas dos dedos do gaúcho a bola parou e não entrou. Ainda teve Mata, que não matou ninguém em chute de fora da área, pois o camisa 12 não deixou.

Aos 68′ Hazard também virou vitima, ainda teve Fernando Torres sonhando mais três vezes com o goleiro. Belo sonho, pois não é todo dia que se sonha com um jogador como esse. De todos os lugares no mundo os corinthianos agradeciam a seus deuses pela prece e o Padre foi um só: Cássio Ramos. Paolo Guerrero trouxe a felicidade, Cássio a tensão e o alívio. Sendo assim, ganhou o prêmio de melhor do torneio com muitos méritos.

Cássio salvou chute de Cahill em cima da linha (Reprodução/Reuters)

A consolidação como craque e ídolo nos anos seguintes

Em 2013, a defesa alvinegra foi uma das melhores do país e muito por causas das suas defesas. A discussão como maior goleiro da nação aumentou após parar ídolos dos rivais. Naquele ano foi a vez de Rogério Ceni, depois Dudu e o Santos sofreram em diversos clássicos. Desde disputas nos pontos corridos até disputas nos pênaltis sua estrela brilhou.

No entanto, foram só paulistas que passaram por isso. Haja visto que Luan parou nas mãos do Gigante duas vezes em 2017, quando Grêmio e Corinthians brigavam pelo título do Brasileiro, bom para o alvinegro paulista. Em 2015, o clube demonstrou um belo futebol ofensivo, e lá atrás Cássio não passou despercebido. Jogos como contra Palmeiras e Cruzeiro, em Itaquera, Fluminense, Avaí e Ponte Preta, fora de casa, estão nesse leque de grandes atuações do arqueiro com a camisa do Timão.

A má fase e a quase saída

Um grande homem também tem defeitos. O ser humano já havia falhado algumas vezes, a mais emblemática foi contra o Guarani-PAR em 2015. No entanto, em 2016, ele apareceu diversas vezes acima do peso e desfocado, assim, os frangos começaram a se tornar constantes em um time já fraco tecnicamente. Para piorar, Walter fechava o gol quando necessário e logo tomou a posição. O banco virou lugar normal para Cássio. Além disso, ele teve lesões na época que o deixaram um bom tempo fora.

Com nada dando certo e a baixa motivação, ele recebeu propostas do Grêmio e chegou a dizer a diretoria que queria sair. Entretanto, Andrés Sanches convenceu o jogador a ficar para conquistar mais títulos, mudar seu estilo de vida e virar ainda mais histórico. A boca do presidente foi santa e ele seguiu esses passos. Tanto que em 2019 quando Andrés voltou a presidência, o jogador foi um dos primeiros a parabenizá-los. O Gigante virou evangélico após esses episódios e é cada vez mais devoto da religião.

A seleção de base e profissional

O maior goleiro da história do Corinthians também teve seus brilhos com a camisa amarela. Em 2007, foi a Sul-Americano sub-20 graças ao corte de Marcelo Grohe. Até então, seria reserva, mas Muriel ficou de fora em uma partida devido a uma suspensão e nunca mais voltou. Cássio fechou o gol contra Argentina e Uruguai, de Cavani, ajudando a canarinha a conquista o título daquele ano. No Mundial daquele ano, o goleiro não manteve a regularidade, a seleção estava desconfigurada e o Brasil não passou das oitavas de final.

Em março daquele ano, Dunga o levou a profissional, mas não jogou. Em 2012 voltou com muitos méritos, continuou em 2013, e só voltou em 2015. Estava com Tite na sua primeira convocação, ao qual foi muito discutido e até hoje suas convocações acontecem, mesmo com muitos méritos, os rivais invejam de dizer que é pela admiração do treinador com o atleta e que há outros nomes melhores. Atuou em apenas uma partida como titular e não levou gol, contra o Japão, em 2017. É campeão da Copa América e tem Copa do Mundo nas costas. Além disso, sua melhor cena na competição foi derrubar Adenor e gerar diversos memes para a nação.

Foto Destaque: Reprodução/Gazeta Press.

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Guilherme Ribeiro
Sou Guilherme Ribeiro, 20, paulista da região do ABC. Ler e escrever é um hobby, para o esporte que é a minha paixão.

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