A princípio, quero parabenizar a volta por cima do Corinthians. O clube paulista era apontado como candidato ao rebaixamento e hoje almeja a Libertadores. Creio que dois personagens são decisivos no trajeto de reconstrução do Corinthians: o presidente Duílio Monteiro Alves e o técnico Sylvinho. Embora os reforços tenham ajudado a mudar o patamar do Timão, desde o início do Campeonato Brasileiro houve um ciclo positivo que se refletia nos resultados obtidos em campo.

Por outro lado, é verdade que um plantel sofisticado carrega consigo uma série de expectativas. Nesse sentido, há um esforço de Duílio para reposicionar o Corinthians entre as principais forças do futebol brasileiro. De onde vem o dinheiro para essas contratações estratosféricas ainda não sabemos. Apesar disso, a nossa investigação segue outros rumos. Em seguida, iremos comentar o trabalho de Sylvinho atentando para o que muda em termos de cobrança a partir de agora. Buscando uma vaga no G4, o Corinthians virou a quarta força do país?

O presidente Duílio Monteiro Alves

À primeira vista, o ambiente em torno da eleição de Duílio era conturbado. Afinal, o Timão estava afundado em dívidas e não inspirava um horizonte promissor. O legado da gestão Andrés Sanchez movimentou os bastidores do clube e Duílio assumiu com uma perspectiva de reconstrução. Uma ruptura branda, por assim dizer. Também não é pertinente discutir aqui o grau de influência do ex-presidente na diretoria do Corinthians. Por outro lado, vejo que a grande sacada de Duílio foi perceber a melhor forma de jogar a torcida a seu favor.

O torcedor do Corinthians não quer saber se a situação financeira do clube é grave. É lógico que deseja ter um time competitivo. Duílio conseguiu enxergar isso e mexeu os seus pauzinhos. Contratações de renome colocam o clube na vitrine e massageiam o ego da torcida. Pouco importa se o salário desses atletas vai ser custeado por empresários, pelo programa de sócio-torcedor ou pelo poder de compra da massa corintiana (este último principalmente no que se refere às camisas). Fato é que o Corinthians está entre os melhores no papel. Isso passa pela presidência.

O bom trabalho do técnico Sylvinho

Contratado após a demissão de Vagner Mancini, ele tinha uma missão dura: extrair o melhor de um elenco curto e sem autoconfiança. Até começou mal, colecionando insucessos diante do Atlético Goianiense. Por outro lado, logo em seguida foi fazendo o feijão com arroz no Campeonato Brasileiro. Vencia os times mais fracos, empatava seus clássicos – além das partidas com os times da faixa intermediária – e tentava fazer jogo duro contra as pedreiras. Definitivamente, o confronto com o Atlético Mineiro foi marcante. O Timão levou a virada, mas soube se impor.

Entretanto, depois daquela derrota o Corinthians deslanchou. São seis jogos de lá para cá: o Timão venceu quatro (Cuiabá, Ceará, Athletico Paranaense e Grêmio), empatou com o Santos e perdeu para o Flamengo. Desse modo, os paulistas subiram para a 6ª posição e já somam 27 pontos. Enfim, para chegar ao G4, o Corinthians terá concorrentes cascudos: a exemplo de Fortaleza e Bragantino. Ambos estão mostrando bom futebol, conseguiram passar o turno inteiro no G4 e também querem segurar a vaga. A tarefa de Sylvinho não é nada fácil.

As contratações do Corinthians

Antes de mais nada, é imprescindível destacar que atualmente o Corinthians é um camaleão tático. Não é possível dizer ao torcedor qual o esquema do time, pois todo jogo muda. Curiosamente esse troca troca vem dando certo no Timão. Nesse sentido, estou ansioso para ver como Sylvinho vai dispor suas peças na cancha. Ao olharmos o nível desses atletas entendemos que haverá uma cobrança mais do que esperada. A torcida quer comprometimento e uma vaga na Libertadores. Se o time der o sangue e for bem-sucedido terá o respeito da Fiel.

Gosto de dizer que um time ganha o jogo se sabe ocupar o meio-campo. Assim como no xadrez, vence quem domina o centro do tabuleiro. Giuliano e Renato Augusto chegam para fortalecer esse setor no Corinthians. Além disso, a rapidez assustadora de Willian – chegou com moral e já veste a 10 – e a precisão de Róger Guedes são outras variáveis que favorecem o Timão. Também podemos citar o lateral-direito João Pedro como o quinto reforço desse pacotão que Duílio trouxe de presente para a Fiel.

Nosso veredito sobre o Corinthians

Concluindo, já deixei claro em outra oportunidade que eu gostaria de ver esse Corinthians reforçado atuando em um 4-4-2. Entretanto, a escolha do padrão tático não cabe a mim. Afinal, Sylvinho é muito bem pago para isso. O meu trabalho é te informar da maneira mais profissional e descontraída possível. Porém, eu ainda não sou capaz de garantir que o Timão vai terminar dezembro entre os quatro melhores do país. Tem um time bom e já é um começo excelente. Pode brigar pelas principais competições em 2022? Evidente que sim.

A meu ver, Sylvinho precisa de tempo para desenvolver seus conceitos. Me agrada esse perfil estudioso. Há muito tempo ele está se atualizando constantemente. Futebol também requer preparo contínuo. Os reforços chegam em um momento da temporada que pode alavancar o Corinthians. Que Duílio não deixe de fortalecer ainda mais o Timão e permaneça nessa prospecção de mercado. Decerto, 2021 será o ano da retomada. Assim, 2022 pode ser ainda melhor. Depende do que a equipe é capaz de fazer nos próximos meses.

Foto destaque: Divulgação / Rodrigo Coca/ Agência Corinthians

André Filipe
Apaixonado pela dimensão histórica do futebol e pela ciência da bola. Gremista desde a Batalha dos Aflitos para o que der e vier. Sinto na escrita o calor latente das minhas paixões profissionais. Historiador, jornalista esportivo e jogador de pôquer nas horas vagas.

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