Um dos times mais subestimado dos últimos anos. Até mesmo em 2015, foi cotado como “a quarta força do FutebolPaulista”. No entanto, deu a volta por cima e se sagrou campeão. A coluna Tática dos Campeões vai analisar alguns aspectos do elenco e táticas que fizeram do Santos FC campeão paulista de 2015, além de vice do Brasileiro de 2016.

ELENCO

Um dos fatores certamente é o elenco. Como sempre, um time muito misto. Eles conseguiam juntar a ousadia jovem com a experiência de jogadores mais velhos, como poucos times. Tinha uma média de idade por volta de 23 anos. Trouxe jovens nomes que hoje são bem conhecidos no futebol brasileiro.

Um dos responsáveis pelo destaque de jovens, o técnico Dorival Júnior, deu (também graças a lesões) chances a meninos como Gustavo Henrique, Zeca, Thiago Maia, Daniel Guedes, Vitor Bueno, Cittadini e até Gabigol.

O Santos FC vinha de crises financeiras já naquela época e sofreu com reforços. Procurou e trouxe apenas o essencial. Uma chegada totalmente subestimada foi a de Ricardo Oliveira. Ele chegou com 35 anos. Mas, mesmo com tantas críticas, o Pastor superou as dúvidas e foi um grande destaque ofensivo do Peixe. Com 37 gols, foi artilheiro do Brasileirão e do Paulista.

Outro destaque foi o de Vanderlei. O goleiro veio do Coritiba e já chegou dominando o gol santista. No entanto, iria assustar a todos com uma lesão que o tirou das fases finais do Paulista. Quem ganhou ênfase foi Vladimir. Goleiro da base, que jogaram em uma fogueira e terminou como um dos heróis do campeonato. Mesmo assim, no ano seguinte, Vandeco levaria o Santos à oitava final seguida do Paulista.

Apesar de muitos nomes que marcaram o futebol brasileiro, principalmente naquela época, tem um que nenhum torcedor conseguirá esquecer. Não tem como não citar Lucas Lima. O principal jogador do Santos FC. Além disso, não ficou apenas por São Paulo, se tornando destaque no Brasil inteiro nesses últimos anos. Ele era peça mais fundamental do Peixe.

A JORNADA DO PEIXE

O time vinha de seis finais seguidas do Paulista, e mesmo assim foi muito subestimado. A verdade é que os destaques iam para o Corinthians, que implantava um sistema defensivo muito eficiente, e o São Paulo, que mesmo em seca de títulos, sempre brigava pelo Brasileirão, além dos investimentos em cima do Palmeiras. Portanto, o Alvinegro Praiano “sobrava” entre os paulistas.

Até por ter um elenco com muitos jogadores duvidosos. Muitos questionavam da capacidade de Renato ou Ricardo Oliveira, principalmente pela idade, por exemplo. Mas para a surpresa de alguns, fizeram boas temporadas.

O time pegou o Palmeiras na final do Paulistão. Perdeu o primeiro jogo por 1 x 0, fora de casa, mas virou na Vila para 2 x 1 onde venceu nos pênaltis. Os gols em tempo normal foram de  Ricardo Oliveira e David Braz. No ano seguinte, o Santos venceria mais uma vez o Paulista, em cima do Audax.

No Brasileirão ficou em 7º, mesmo tendo um dos melhores ataques do campeonato. Ricardo Oliveira terminou artilheiro com 20 gols, seguido de Gabriel Barbosa, o Gabigol, com 10. Como assistentes, o Peixe tinha Victor Ferraz, com sete, e Lucas Lima, com seis. Já em 2016, foi vice-campeão brasileiro, atrás somente do Palmeiras.

Já na Copa do Brasil, o Santos FC chegou até a final e ficou em 2º lugar. O resultado acabou sendo da mesma forma que o Paulista de 2015, mas ao contrário. Venceu o primeiro jogo por 1 x 0, perdeu o segundo por 2 x 1. Assim, o Palmeiras conseguiu ganhar nos pênaltis e levou a melhor. Já em 2016, o Santos deixou a Copa nas quartas para o Internacional, de Porto Alegre.

ESCALAÇÃO

O Santos de 2015 ia com Vanderlei (Vladimir); Zeca (Chiquinho), Gustavo Henrique (Werley), David Braz e Victor Ferraz (Daniel Guedes); Renato, Thiago Maia e Lucas Lima; Marquinhos Gabriel (Geuvânio), Ricardo Oliveira e Gabriel Barbosa.

Eles também perderam Robinho, que só jogou 20 jogos no ano e se transferiu, e Gabigol, que foi vendido em agosto. O resto sofreu muito com lesões. Perderam ao longo da temporada Alisson, Vanderlei, Geuvânio, Victor Ferraz e Valência.

Consequentemente, a base teve muitas chances. Certamente, o que fez esse time jogar foi a grande mescla de um futebol experiente com craques, como Elano, Renato e Ricardo Oliveira, com o futebol jovem e envolvente de mais novos, como Zeca, Thiago Maia, Lucas Lima e Gabriel. Mescla que se repetiria no ano seguinte:

Vanderlei; Zeca, Luiz Felipe (Gustavo Henrique), David Braz e Victor Ferraz; Renato, Thiago Maia (Jean Mota) e Lucas Lima; Copete, Ricardo Oliveira (Rodrigão) e Vítor Bueno (Vecchio).

 

COMO JOGAVAM?

Houveram poucas mudanças de um ano para outro, e por isso tivemos um modo de jogar semelhante. A qualidade para sair jogando por parte do zagueiro David Braz permitia que o Peixe não rifasse tanto as bolas. Além dos dois volantes, Renato e Thiago Maia, ajudarem muito na criação, permitindo fácil locomoção de bola ao setor ofensivo. Quando não podia sair pelo meio, o Alvinegro improvisava: as laterais. Victor Ferraz podia dar bons apoios ofensivos, já que em ambas as temporadas ele foi destaque em assistências do time. E na esquerda, Zeca tinha boa saída de jogo.

Os zagueiros Luiz Felipe e Gustavo Henrique também faziam boas atuações e seguravam as pontas na defesa. Se passasse por eles, Vanderlei e Vladimir viviam um momento iluminado e defendiam grandes lances, mesmo sem habilidade com bola no pé. Lucas Lima fazia um ótimo trabalho, como craque do time. Era um dos maiores garçons da liga e trabalhava em perfeita harmonia com os dois volantes. E o ataque, de tradição, era ótimo. Marquinhos e Geuvânio, que disputaram a ponta esquerda após saída de Robinho, jogavam com intensidade e se destacavam.

Gabigol chegou a ser vendido para a Inter de Milão. No entanto, enquanto esteve na Vila Belmiro, caído pela direita, fez muito gols e foi destaque do Peixe. Assim como o Pastor, artilheiro do time, que liderava o ataque com muita experiência. Mas a saída de Gabriel trouxe chances a Vítor Bueno. Ele podia alternar constantemente com Lucas Lima e enganar bastante os adversários, portanto sobrando livre em muitos lances pra marcar.

Foto destaque: Divulgação/Fotógrafo/Santos Futebol Clube

Leonardo Cabral
Escolhi o jornalismo esportivo, pois ao meu ver, não tem preço você contar uma notícia para alguém que não tinha conhecimento dela, e a pessoa realmente se interessar. Poder ajudar os outros a se ligarem em tudo é muito legal, principalmente no mundo dos esportes.

Artigos Relacionados