Marcelinho Carioca (Foto: Corinthians)

Marcelinho Carioca foi um dos maiores cobradores brasileiros de falta e o jogador mais vitorioso do Corinthians até 21 de abril de 2019, quando foi superado pelo goleiro Cássio. Porém, deixou uma sensação de ”quero mais” em seus 20 anos de carreira, por não ter feito sucesso nas vezes em que deixou o Parque São Jorge, como fizeram os ídolos corintianos Rivellino e Sócrates, por exemplo. Sendo assim, a coluna Rasgando o Verbo fala o motivo do ex-camisa 7 alvinegro não merecer o tamanho que adquiriu.

Primeiro, deve colocar os pingos nos is: dizer que foi superestimado não é desmerecer. Assim, Marcelinho Carioca teve grande relevância no futebol nacional, foi um bom jogador, mas não um ”craque, genial ou fora de série”. Dessa forma, muitos chegam a considerá-lo superior a Beckham, sendo que o inglês, além de um jogador mais completo e habilidoso, obteve sucesso na maioria dos clubes, seleção, e foi eleito pela FIFA o segundo melhor do planeta em 1999 e 2001, coisa que Marcelinho Carioca não chegou perto. Se não considerar as duas passagens marcantes no Corinthians (1994-1997 e 1998-2001), se vê que teve pouquíssimo brilho.

SURGIMENTO

Marcelinho Carioca apareceu no Flamengo, sendo considerado um possível substituto de Zico, maior ídolo rubro-negro. Assim, levou a Copa do Brasil de 1990, Estadual de 1991, Brasileirão de 1992, fazendo boas partidas e marcando gols de falta, seu ponto-forte. Entretanto, antes de chegar ao Parque São Jorge, era visto apenas como uma promessa.

AUGE

Marcelinho Carioca realmente teve destaque entre 1994 e 2001, deixando sua marca em finais de Estadual (1995, 1998, 1999 e 2001), Copa do Brasil (1995 e 2001), Brasileirão (1998) e levando a Bola de Ouro da Revista Placar na conquista do Brasileirão em 1999, onde deu 13 assistências para gol, sendo o líder do quesito. Na seguinte, ficou marcado com a penalidade desperdiçada na semifinal da Libertadores contra o arquirrival Palmeiras. Teve o último lampejo no Vasco, em 2003.

AMARELINHA

O meia foi um verdadeiro fracasso na Seleção Brasileira, comparado ao desempenho no Timão. Sendo assim, foram míseras quatro convocações: a primeira, em 1994, substituindo Ronaldo na vitória por 2 x 0 em amistoso contra a Iugoslávia, no Olímpico, em Porto Alegre. Após a Copa de 1998, sob o comando de Vanderlei Luxemburgo, atuou em dois amistosos: empate por 1 x 1 com a Iugoslávia em São Luís, onde marcou de falta, e goleada por 5 x 1 sobre o Equador, em Washington, onde abriu o placar. A última foi em 2001, sob o comando de Emerson Leão, no empate por 1 x 1 contra o Peru, no Morumbi, pelas Eliminatórias.

PORQUE MARCELINHO CARIOCA FOI SUPERESTIMADO?

No ano de 1997, após o título estadual, foi negociado com o Valência, da Espanha, por 17 milhões de euros, não correspondendo. Logo depois, em 2001, após desentendimento com Ricardinho, trocou o Corinthians pelo rival Santos, onde foi pífio, atuando em 2002 pelo Gamba Osaka, do Japão. Em 2003, se transferiu para o Al-Nasser, da Arábia Saudita, com passagem relâmpago e passaporte confiscado. Em 2004, retorno melancólico ao Vasco e míseros dois gols no Campeonato Francês pelo Ajaccio.

Antes de encerrar a carreira no Santo André, teve um retorno ao Corinthians em 2006, que a Fiel prefere esquecer, lembrado apenas pelo carrinho no argentino Mascherano em um rachão. Por fim, conclui-se que foi um jogador de um clube só, tendo um fundamento como especialidade, longe de ser comparado a Nelinho, Roberto Dinamite ou Juninho Pernambucano, bem mais completos, sendo colocado em um pedestal onde nunca chegou.

Foto Destaque: Reprodução/Sport Club Corinthians Paulista

Renan Silva
26 anos, natural de Osasco. Graduado em Jornalismo pelas Faculdades Integradas Rio Branco. Apaixonado por Esportes e Rock n Roll, durante a infância jogou Futebol de Salão e na adolescência praticou Artes Marciais. Sempre teve gosto pela leitura, sendo um fã assíduo das revistas TATAME e PLACAR (da qual possui coleção até hoje).

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