Jorginho

Diminutivo ‘inho’ era frequente em jogadores do passado, e o carioca Jorge de Amorim Campos não fugiu à regra. Entretanto, apesar do apelido, sua grandeza no futebol deixou um marco até os dias atuais. Ídolo do Flamengo e Vasco, é um dos jogadores mais triunfantes do futebol brasileiro. Nesse sentido, completando mais um ano de vida nesta segunda-feira (17), Jorginho é homenageado na coluna Parabéns ao Craque por sua trajetória incansavelmente vitoriosa.

A DESCOBERTA NO MUNDO DO FUTEBOL

Jorginho nasceu no dia 17 de Agosto de 1964, em Guadalupe, bairro do Rio de Janeiro. Apaixonado por futebol desde pequeno, foi aprovado em treino peneira do infantil do América (RJ), aos 13 anos de idade, deslocado à lateral-direita e não à zaga central, onde havia proposto ser testado.

Devido suas ótimas jogadas, rapidamente ganhou destaque e foi contratado pelo Flamengo em 1984. Dessa forma, se transformou no lateral-direito titular do Rubro-Negro. Uma vez que Leandro, em virtude de uma grave artrose nos joelhos, optara por jogar na zaga central.

Lateral-direito de grande resistência física, se destacou pela eficiência nas subidas ao ataque e nos cruzamentos precisos. Contudo, Jorginho vestiu a camisa rubro-negra durante cinco anos e, nesse período, contribuiu para a conquista de importantes títulos, como o Campeonato Carioca de 1986, além da Copa União pelo Flamengo.

Além disso, no Mais Querido, obteve prestígio já que com a camisa rubro-negra teve a chance de ser convocado para a Seleção Brasileira. Jorginho começou sua história pela Seleção Olímpica, quando atuou em 25 jogos entre 1983 e 1988. Conquistou a medalha de prata nos Jogos Pan-Americanos de 1983, os Torneios Pré-Olímpicos de 1984 e 1987 e a medalha de prata nos Jogos Olímpicos de Seul.

Entretanto, neste período, também participou da importante conquista do Campeonato Mundial Sub-20 em 1983. Já pela Seleção principal, Jorginho realizou 89 partidas entre 1987 e 1995, tendo participado das conquistas da Copa América de 1989 e da Copa do Mundo de 1994.

Jorginho na Seleção Brasileira
Lance (Foto: Divulgação/CBF)

JORGINHO: O JOGADOR MARCADO NA HISTÓRIA DO FUTEBOL EUROPEU

Em meados de 1989, o Flamengo vendeu Jorginho para o Bayer Leverkusen, time da Bundesliga, a primeira divisão alemã. Nesta nova equipe, foi deslocado da lateral-direita para o meio-campo, o que permitiu ao jogador usufruir melhor de toda sua capacidade técnica.

Posteriormente, Jorginho também jogou pelo Bayern de Munique, onde logo de cara faturou o título de campeão alemão na temporada 1993/94. Certamente, em seis anos na Alemanha, Jorginho conseguiu marcar seu nome na história do futebol europeu. No clube, foi premiado pela Fifa com o troféu ‘fair-play’, justificado como exemplo de lealdade em campo.

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UOL (Foto: Reprodução/Getty Images)

FUTEBOL JAPONÊS

Fora sua bem sucedida passagem pela Alemanha, Jorginho também atuou no futebol japonês. Seguindo os passos de outros ex-jogadores do Flamengo, como Alcindo e Leonardo, Jorginho foi jogar no Kashima Antlers, clube que Zico defendera após deixar definitivamente o futebol brasileiro. Lá, Jorginho sagrou-se bicampeão japonês em 1996 e 1998, além de ter sido eleito o melhor jogador do campeonato na temporada de 1996.

Jorginho no Kashima Antlers
Foto: Reprodução/Pinterest

DE VOLTA AO BRASIL

Finalmente, em 1999, após uma década longe do país, o jogador retornou ao futebol brasileiro. Defendeu o São Paulo e o Vasco da Gama, tendo conquistado com ele o Campeonato Brasileiro de 2000 e a Copa Mercosul. No Gigante da Colina, em 2000, fez 28 jogos, com dois gols.

 Vasco
Lance (Foto: Reprodução/Daniel Augusto Jr/Lancepress)

Pelo São Paulo, segundo o Almanaque do São Paulo de Alexandre da Costa, fez 55 jogos com 35 vitórias, nove empates, 11 derrotas e dois gols marcados. Entretanto, colecionando boas passagens nos clubes e fazendo a alegria dos amantes do esporte, encerrou sua carreira no Fluminense, em 2001.

CARREIRA COMO TÉCNICO

Em 2005, Jorginho retornou ao América e conduziu o time com algum destaque. No entanto, deixou o clube em 2006 para ser auxiliar-técnico de Dunga na Seleção Brasileira. Portanto, trabalhou como auxiliar da Seleção até 2010, quando o Brasil foi eliminado nas quartas-de-final da Copa do Mundo daquele ano.

Contudo, antes de trabalhar na seleção, Jorginho trabalhou com Oswaldo de Oliveira durante o ano de 2006, no Fluminense. No entanto, como auxiliar de Oswaldo, até ganhou uma chance de trabalhar como técnico interino, durante a disputa de um amistoso contra o Joinville, em 8 de julho de 2006, e que terminou em um empate sem gols.

Entretanto, no dia 29 de agosto de 2010, foi anunciado como novo treinador do Goiás. No dia 8 de outubro do mesmo ano, não aguentou a pressão da diretoria e, praticamente com o time rebaixado para a Série B, foi demitido. Já em 2011, foi anunciado como novo técnico do Figueirense. Porém, após a boa campanha do time na Série A de 2011, deixou o clube dizendo que estava em busca de “novos desafios”, e no final de 2011 acertou para ser o comandante do Kashima Antlers.

Todavia, também foi treinador do Flamengo e Vasco. Mesmo com eliminações e rebaixamentos nos clubes cariocas, dava o seu melhor, em prol do bom desenvolvimento dos times.

 técnico do Vasco
Lance (Foto: Divulgação/Paulo Fernandes/Vasco)

CURIOSIDADES DE JORGINHO

Na passagem pela Alemanha ocorreu a conversão ao grupo ‘Atletas de Cristo’, quando em um culto testemunhou a cura de um irmão alcoólatra. Logo, criou a comunidade Evangélica Brasileira de Munique, e cedia o porão de sua casa para a realização de cultos. Contudo, devido seu amor a Cristo, nos gramados, Jorginho passou a engolir em seco provocações de adversários do tipo “você está pecando”, quando entrava mais duro em jogadas. Entretanto, como se não bastasse isso, a partir de 2005 a Fifa os proibiu de usarem mensagens alusivas ao cristianismo em camisetas abaixo das camisas tradicionais, em dias de jogos.

No Japão, jogou no Kashima Antlers. Porém, ao regressar ao Brasil, em 1999, os seus últimos clubes foram São Paulo, Vasco e Fluminense em 2001, período em que propagava a palavra de Deus a companheiros de equipes adversárias, presenteando-os com uma Bíblia. Todavia, três anos depois, ao iniciar na função de técnico do América (RJ), provocou polêmica ao sugerir mudança do mascote do clube, um diabinho, por uma águia.

Foto Destaque: Reprodução/Neoseeker

Thamirys Abreu Vieira
Sou carioca, graduada em Jornalismo pela Universidade Salgado de Oliveira (Universo). Pretendo me especializar na área esportiva e vivenciar a cada dia a magia do futebol. Exigente e de temperamento forte, mas sempre disposta a aprender. Apaixonada pela leitura e o mundo futebolístico.

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