Keisuke Honda, ídolo da seleção japonesa.

Hoje a coluna Parabéns ao Craque homenageia Keisuke Honda, que completa 34 anos. O meia se tornou um dos maiores ídolos da história da seleção do Japão e viveu seus melhores momentos atuando no futebol holandês e russo. Após uma passagem decepcionante no gigante italiano Milan, rodou por alguns países como México e Austrália, até pousar no Rio de Janeiro. Assim, o japonês chegou com a expectativa alta no Botafogo, onde espera impressionar no futebol brasileiro e voltar a jogar pelos Samurais Azuis.

COMEÇO NO SEU PAÍS DE ORIGEM E CHEGADA NA HOLANDA

Nascido em Settsu, na província de Osaka, Honda atuou nos times juniores do Gamba Osaka, mas foi no Nagoya Grampus que se profissionalizou, em 2005. Após se destacar, mesmo muito jovem, no Campeonato Japonês, o jogador se transferiu para para o VVV-Venlo, da Holanda, em 2008. A contratação foi um pedido especial do alemão Sef Vergossen, que trabalhava na diretoria do time dos Países Baixos e havia sido técnico do meia no Grampus.

O japonês fez bons jogos assim que chegou no Venlo, mas não conseguiu evitar o rebaixamento do clube para a segunda divisão. Entretanto, ele  se destacou ainda mais na temporada seguinte. Honda, promovido a capitão do time, foi um dos melhores jogadores do elenco campeão da segunda divisão holandesa daquele ano. O atleta foi apelidado de “Keiser Keisuke”, Imperador Keisuke, por ter sido fundamental na volta do time à Eredivisie,  e se tornou ídolo do clube. Ao todo, em dois anos, marcou 26 gols e deu 22 assistências em 71 jogos.

Veja lances de Honda pelo VVV-Venlo, da Holanda:

AUGE DA CARREIRA NO CSKA

Em 2010, apesar do interesse de outros clubes europeus, o japonês foi vendido ao CSKA Moscow por € 6 milhões. Na equipe russa, Honda desempenharia seu melhor futebol, encantando com sua precisão em passes e finalizações, e grande habilidade na perna esquerda. No país com a maior extensão territorial do mundo, conquistou um Campeonato Russo (2012/13), duas Copas da Rússia (2010/11 e 2012/13) e uma Supercopa da Rússia (2013).

Além disso, Honda participou da melhor campanha do CSKA na história da Champions League, assim que chegou, na temporada 2009/10. Ele marcou, de falta, o gol da classificação do time para as quartas de final contra o Sevilla, na Espanha. Os russos venceram os hispalenses por 2 x 1 no Ramón Sánchez Pizjuán, e o meia também participou do primeiro gol, com a assistência para o tento de Tomáš Necid. Assim, Keisuke havia se tornado o jogador japonês a chegar mais longe numa Liga dos Campeões. O CSKA foi eliminado na fase seguinte pela Inter de Milão, que posteriormente se sagraria campeã do torneio. No entanto, o desempenho de Honda rendeu elogios do português José Mourinho, treinador da Nerazzurri na época.

Por clubes, indiscutivelmente, o auge da carreira do japonês foi na Rússia. O meia ganhou grande reconhecimento no futebol europeu, sendo um dos jogadores com maior destaque no continente durante o período, ao se deixar de lado as cinco principais ligas europeias – Inglaterra, Espanha, Itália, Alemanha e França. Em quatro anos no CSKA Moscow, disputou 127 jogos, balançou as redes 28 vezes e deu 29 passes para gol, e criou grande identificação com o clube.

Veja os lances da histórica classificação do CSKA diante do Sevilla, pelas oitavas de final da Champions League 2009/10, com assistência e gol de Honda:

DECEPÇÃO NO MILAN

Já apelidado de “Beckham Japonês”, pela sua especialidade em bolas paradas, Honda chegou no Milan com grande expectativa, aos 27 anos. Ele veio sem custos à equipe italiana, recebeu a camisa 10 e era uma das maiores apostas para a restruturação do clube, que vinha de más campanhas sobretudo nos campeonatos nacionais. Contudo, o japonês não despontou pelo Rossoneri.

Apesar de alguns lampejos de boas atuações, Honda não teve o desempenho esperado ao chegar no primeiro escalão do futebol mundial. O Milan não conseguiu voltar às glórias – inclusive, até hoje ainda não -, e o jogador teve um saldo negativo no Calcio. Apesar disso, conseguiu levantar um troféu, mesmo que no banco de reservas: a Supercopa da Itália de 2016. O Beckham Japonês atuou por 92 jogos pelo Rubro-Negro de Milão, em três temporadas e meia, e marcou 11 gols, além de 16 assistências.

Veja lances de Keisuke Honda em sua passagem pelo Milan, do início de 2014 até o meio de 2017:

PASSAGENS POR MÉXICO E AUSTRÁLIA, VOLTA À HOLANDA E TÉCNICO

Após decepcionar no futebol italiano, Honda, depois de quase 10 anos na Europa, passou a rodar por outros clubes ao redor do mundo. Em julho de 2017, aos 31 anos, se transferiu ao Pachuca, do México, que havia acabado de ser campeão da Liga dos Campeões da CONCACAF. Em um ano pela equipe, o japonês, surpreendendo muitos que achavam que sua “bola” já tinha se esgotado, teve um belo desempenho, apesar de ter sofrido com algumas lesões no início. Dessa forma, apesar do time ter tido uma temporada mediana, o meia se destacou, com 13 gols e oito assistências em 36 jogos.

Na temporada seguinte, foi se aventurar na Austrália. Assim, Honda foi contratado pelo Melbourne City, onde também não teve números ruins. Mais uma vez em apenas uma temporada, marcou oito gols, além de sete assistências, em 24 partidas. Porém, ele sofreu uma grave lesão no tendão e perdeu boa parte dos jogos na época. Além disso, o japonês, em agosto de 2018, assumiu o cargo de treinador da seleção de Camboja, em que alterna com a função de diretor técnico, função que ocupa até hoje.

Ao sair do Melbourne no fim da temporada de 2018/19, ficou sem clube por um tempo, até retornar ao futebol holandês, onde se transferiu para o Vitesse em novembro. A contratação foi um pedido de Leonid Slutsky, que havia comandado Honda no CSKA, e era o atual técnico do time holandês, com quem tinha muito boa relação. Entretanto, não deixou saudades como havia sido no anterior clube do país – o VVV-Venlo. Desse modo, após a demissão de Slutsky e apenas quatro jogos, teve seu contrato rescindido.

A FESTA NO RIO DE JANEIRO

Após uma longa negociação, a torcida alvinegra pôde comemorar, e o japonês veio para a cidade maravilhosa. Com grande apelo da torcida nas redes sociais e em busca de uma volta à seleção japonesa, Honda assinou com o Botafogo e encheu a massa do Glorioso de esperanças. Assim, apesar de ter jogado apenas uma partida devido à paralisação pela pandemia – marcou o gol do empate com o Bangu -, o meia não pode reclamar da recepção dos botafoguenses.

Com muita festa no AeroHonda, cerca de dois mil botafoguenses vieram receber o ídolo japonês no aeroporto do Galeão. E não parou por aí, pois 13 mil torcedores estiveram presentes na apresentação oficial do jogador no Estádio Olímpico Nilton Santos. Contudo, em virtude da falta de bola rolando, Honda constantemente entra em contato com a torcida pelas redes sociais, principalmente com mensagens motivacionais pelo seu Twitter.

Veja o vídeo de parabéns produzido pelo Botafogo para Honda:

https://twitter.com/Botafogo/status/1271639506563805184

ÍDOLO MÁXIMO DO JAPÃO

Honda é, para muitos, o maior ídolo da história do futebol japonês. Convocado pela primeira vez em 2007, disputou 98 jogos até 2018, com 37 gols e 24 assistências. O meia foi eleito o melhor jogador da Copa da Ásia de 2011, quando o Japão conquistou o tetracampeonato e o último título do país no futebol. Além disso, o jogador tem presença marcante em Copas do Mundo. Dessa forma, Honda esteve presente nos três últimos mundiais: África do Sul, Brasil e Rússia.

Em 2010, no país africano, marcou dois gols e deu uma assistência, levando sua seleção às oitavas de final onde foram eliminados nos pênaltis pelo Paraguai. Já em 2014, não conseguiu passar adiante da fase de grupos, apesar de ter contribuído com um gol e uma assistência. Na Rússia, dois anos atrás, voltaram às oitavas de final, mas foram eliminados pela Bélgica, após terem aberto 2 x 0 no placar e tomado a virada em seguida. Ele também balançou a rede uma vez e deu um passe para gol nessa Copa. Após a derrota para os belgas, o meia decidiu se aposentar da seleção. No entanto, reafirmou que um dos motivos da vinda ao Alvinegro, é uma convocação aos Jogos Olímpicos de Tóquio, no seu país de origem, adiado para 2021.

Keisuke Honda é o único jogador nas últimas três Copas do Mundo que fez gol e deu assistência em cada uma. Além disso, é o maior artilheiro da história do Japão. Na opinião de diversos torcedores japoneses, é o maior jogador de futebol da história do país, estando a frente de nomes muito badalados no esporte asiático como Nakata e Nakamura. Honda é referência para muitos, não só no Japão, mas em toda a Ásia, até mesmo para os que não são adeptos esportivos. Por ser também empresário, com uma vida bastante ativa fora dos gramados, e com passagens por quatro continentes, reconhecido em todo mundo, o Botafogo tem em mãos um atleta que, se bem utilizado, pode render grandes frutos dentro e fora de campo.

Foto destaque: Reprodução/Anne-Christine Poujoulat/AFP

Nestor Ahrends
Estudante de jornalismo (ESPM-Rio). 19 anos. Nascido e criado em Petrópolis-RJ. Apaixonado por futebol e amante de esportes em geral.

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