Há 50 anos, em meio a uma guerra civil, o Palmeiras fazia amistosos

- As bodas de ouro do elenco vitorioso que cruzou a Africa do Sul em meio a guerra
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No fim da década de 60, o Palmeiras desembarcou na Africa do Sul para cumprir sete amistosos. Na época, os países do continente, principalmente a Nigéria, passavam por uma desconcertante guerra civil. Estima-se que cerca de dois milhões de pessoas perderam suas vidas nos confrontos.

Durante a viagem, o Verdão enfrentou diversas dificuldades, como a localização e ambiente de hospedagem, onde tudo era improvisado. Além disso, a estrutura dos estádios também deixaram a desejar. Em meio a todo o clima peculiar, o Alviverde compôs um roteiro semelhante ao percorrido anteriormente pelo Santos, de Pelé. Posteriormente, o Clube da Vila também havia feito amistosos em meio a guerra.

Sobretudo, apesar dos empecilhos, o Palmeiras também passou por situações amistosas. De exemplo uma ação engraçada vivenciada pelo elenco em território africano. Tudo por que em certo dia, a delegação alugou um barco para atravessar um rio e ao chegar do outro lado, foram atendidos por caras, pode-se dizer, fisicamente enormes, que estavam ali na função de carregar a bagagem. Ao final do trajeto, ao terem o pedido de gorjeta negada pela diretoria palmeirense, em gesto de revolta, largaram todos os pertences do elenco na rua e saíram potencialmente emburrados. De certo, a narrativa gera risos até os dias atuais a todos os integrantes que estiveram presentes no dia.

FÃS DE CARDOSO

O então técnico do Palmeiras, Rubens Minelli, guarda na memória um episódio curioso. “Quando íamos jogar no interior da Nigéria (Ibadan), o nosso ônibus foi parado em uma área militar. Não podíamos ultrapassar a barreira porque era perigoso. Os soldados só nos deixaram passar porque eram fãs do Cardoso”, rememora o ex-treinador, hoje no auge de seus 90 anos, citando o atacante que brilhou nos amistosos, durante a qual fez 10 gols.

Todavia, a ação, vulgo excursão, havia sido organizada pelo empresário Elias Zacur. O trajeto começou em Kinshasa, no Congo, passou por Kumasi e Acra, em Gana, e terminou nas cidades de Lagos e Ibadan, na Nigéria. Eventualmente, na viagem, fatos curiosos aconteceram com o elenco palestrino, que era composto por atletas consagrados como o campeão do mundo pela Seleção Brasileira em 1970, José Guilherme Baldocchi. O ex-zagueiro, relembra a comoção das pessoas, ao receberem a delegação Alviverde em meio a um caos.

Quando nos viam, se esqueciam um pouco da guerra. Conquistamos a admiração e o carinho dos nigerianos.” – Baldochi

Outro craque que também foi bastante idolatrado na época, foi o eterno ídolo palmeirense, Ademir da Guia. Além de seu futebol diferenciado, sua aparência Miscigenada também chamou a atenção do povo africano. Sobretudo, pela limitação ente ao resto do mundo, a população não entendia por que Ademir era loiro com traços negros.

 “Nossa impressão era que eles não tinham conexão com o resto do mundo, não conheciam outras etnias. Mas eram bem acolhedores. No aeroporto, faziam uma espécie de corredor só para tocar na gente.” – disse o lateral esquerdo, Zeca em entrevista a Folha de S.Paulo no ano de 1969.

 

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Divulgação/Revista Palmeiras

 

FOTO DE DESTAQUE: Divulgação/ Revista Palmeiras

Texto redigido por fontes: Revista Palmeiras

Karine Valbusa

Sobre Karine Valbusa

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Jornalista em formação. Atualmente curso o 6° semestre em jornalismo pela Unicsul. Esporte sempre foi uma paixão, escrever foi um hobby descoberto. Desse modo, fiz do útil, agradável. Prazer, sou Karine Gomes 😉

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