Grafite: escrevendo história no futebol

- A coluna deste mês traz a história do campeão do Mundial de Clubes com o São Paulo em 2005 e primeiro embaixador internacional do Wolfsburg
Grafite: escrevendo história no futebol

Edinaldo Batista Libânio. Dina. Grafite. Graffa. Começou a jogar profissionalmente aos 22 anos de idade na Sociedade Esportiva Matonense, em Matão, no interior de São Paulo. Antes disso, enquanto fazia teste e participava de peneiras para entrar em um clube, vendia sacos de lixo. Depois da Matonense e da Ferroviária, foi para o Santa Cruz, de Pernambuco, em 2001. Logo, foi emprestado ao Grêmio, mas não deslanchou em terras gaúchas. Portanto, em 2003, foi para o extinto Anyang LG Cheetahs, da Coreia do Sul e, ainda no mesmo ano, transferiu-se para o Goiás.

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“Tive um início incomum no futebol. Eu me profissionalizei com 22 anos. Já estava quase desistindo de ser jogador profissional. Já tinha feito testes em alguns clubes do interior de São Paulo, como o Guarani, a Ponte Preta, o Juventus e o Nacional. No Paulista de Jundiaí cheguei a ficar 15 dias em 1999. Fui aprovado, mas, como precisaria ficar mais dias fazendo testes, não consegui seguir porque já trabalhava, ajudava em casa e tinha uma filha de um ano na época. Portanto, foi tudo muito rápido. Como demorou a acontecer, foi bem diferente dos outros meninos, que hoje já ficam no banco com 15 anos de idade. Contudo, as coisas acabaram acontecendo muito rápido”, relembrou Grafite em entrevista ao site LANCE!.

São Paulo e primeira convocação: mais um recomeço

No Esmeraldino, em 20 jogos, marcou 12 vezes e, assim, chamou a atenção do São Paulo. O time goiano conseguiu ficar 16 jogos sem derrota e, portanto, saiu da lanterna do Campeonato Brasileiro de 2003. Com o técnico Cuca, Grafite, Dimba, Araújo, DaniloJosué e companhia, o Verdão fez a segunda melhor campanha do returno. 

“Até conversei à tarde com o Josué, que veio me visitar. A gente relembrou 2003. Foi o clube em que tive a passagem mais rápida, foram quatro meses e meio, mas me identifiquei bastante. Foi um recomeço muito bom para minha carreira, eu estava na Coreia do Sul. O Goiás, o Cuca e a diretoria acreditaram em mim. O Goiás estava em último, mas tivemos uma retomada muito grande. Aquele time se destacou bastante”, declarou Grafite ao GloboEsporte.com em passagem por Goiânia em 2019. 

Dessa maneira, foi para o Tricolor em 2004, juntamente com Cuca, Fabão, Danilo e Josué. Naquele ano, Grafite fez 22 gols em 54 jogos. Entretanto, foi em 2005 que virou ídolo no Morumbi. O atacante conquistou com o São Paulo o Campeonato Paulista, a Copa Libertadores e o Mundial de Clubes. Além disso, em maio de 2005, foi convocado pela primeira vez para a Seleção Brasileira para um amistoso contra a Guatemala. Entrou no lugar de Romário na despedida do Baixinho com a Amarelinha. Além disso, balançou as redes. Na ocasião, em suma, a Canarinho ganhou por 3 x 0, sendo os outros gols marcados pelo próprio Romário e também por lateral direito Anderson.

Grafite na Alemanha

Depois que saiu de forma conturbada do São Paulo, o atacante foi para o Le Mans, da França. A equipe do Morumbi não cobriu a oferta dos franceses – que era um salário cinco vezes mais alto em três anos de contrato -, dessa maneira, Grafite foi para a Europa. Ficou no clube francês por três temporadas. Posteriormente, transferiu-se para o Wolfsburg, da Alemanha, em 2007. Logo, na primeira temporada, fez 12 gols em 28 jogos. Contudo, posteriormente, na temporada 2008/09, Grafite chegou a seu auge. Sendo assim, o atacante entrou para a história com o elenco do Wolfs que ganhou pela primeira vez o Campeonato Alemão, a Bundesliga. Além disso, conquistou a artilharia do torneio com 28 gols em 25 jogos. Atualmente, o atacante é o primeiro embaixador internacional do Wolfsburg.

“Eu era o grande nome brasileiro na Europa. Marquei 28 gols, fiquei a quatro, acho, da Chuteira de Ouro [Messi foi o vencedor da temporada com 34]. Tive perto de ir para o Liverpool naquele ano. Dessa maneira, foi um ano bom para mim, fantástico”, relembrou Grafite.

Período na Ásia, volta ao Brasil e aposentadoria de Grafite

Após 131 jogos pelo Wolfsburg, Grafite se transferiu para o Al-Ahli, dos Emirados Árabes Unidos, por onde jogou de 2011 a 2015. Pelo clube da cidade de Dubai, foram 113 partidas e 86 bolas na rede. Ainda em 2005, foi para o Al-Sadd. No Catar, participou apenas de 18 duelos e, posteriormente, retornou para o Santa Cruz. De volta a Recife, definitivamente, consagrou-se ídolo. Em seu retorno ao Santinha, foram 31 gols. Só em 2016 foram 24. Além disso, ajudou o clube a ganhar o título inédito da Copa do Nordeste daquele ano. Assim, foi para o Athletico-PR em 2017, porém balançou as redes só em uma oportunidade. Portanto, naquele mesmo ano, voltou para o time de Pernambuco e lá encerrou sua carreira de jogador. No apagar das luzes, em 15 jogos pelo Santinha em 2017 marcou três vezes.

“Fui duas vezes eleito o jogador estrangeiro do ano nos Emirados Árabes [jogando por Al-Ahli e Al-Sadd]. Quando voltei ao Brasil, em 2015, 2016, no Santa Cruz foram umas sete lesões musculares. Aí logo veio a lesão no Athletico também. Rotina muito desgastante. E estava sendo muito sofrido treinar para poder jogar bem. Aqui no Brasil, você sabe: por mais que tenha nome, se você não jogou bem, não marcou gol, esquecem o que você fez. Embora isso não tenha influenciado, eu não conseguia corresponder à altura o que esperavam de mim. Achei melhor parar. Não ser aquele negócio de ‘os caras pararam com o Grafite'”.

Por fim, após pendurar as chuteiras, recebeu o convite para participar das transmissões futebolísticas da filiada da Globo no Nordeste. Entretanto, Grafite se destacou nos comentários da Copa do Mundo na Rússia, em 2018. Na ocasião, o ex-atacante fazia também análise da partida no pós-jogo, no SporTV. No próximo dia 2, Grafite completa 41 anos.

“Quando ainda estava em Recife, antes de parar de jogar, o Thiago Medeiros, repórter da TV Globo em Pernambuco, sugeriu que eu virasse comentarista. Na época, ele disse que eu tinha uma boa dicção, presença em frente às câmeras e me fez parar para pensar no assunto. Quando encerrei a carreira, o George Guilherme, que na época era editor-chefe da Globo em Recife, me chamou para comentar alguns jogos do Campeonato Pernambucano.”

Foto em destaque: Reprodução/Rubens Chiri

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Danyela Freitas
Danyela Freitas
Sou goianiense, graduada em Letras pela Universidade Federal de Goiás (UFG), pós-graduada em Jornalismo Esportivo pela Estácio-SP e tenho três grandes paixões: a escrita, a leitura e o esporte (não necessariamente nessa ordem).
https://www.instagram.com/danyelaf/

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