Dispensado pelo Vila Nova, Francesco fala sobre clima no clube

Goianiense, o volante Francesco iniciou sua carreira no sub-20 do Atlético-GO em 2012. No ano seguinte, destacou-se no Bragantino, atual Red Bull, e, assim, foi para o Vila Nova em 2015. Em sua primeira passagem pelo Tigre, conquistou a Série C do Campeonato Brasileiro daquele ano após vencer o Londrina por 4 x 1. Na ocasião, precisando triunfar, já que a equipe paranaense havia vencido o jogo de ida por 1 x 0, o Vila levou quase 41 mil torcedores ao Estádio Serra Dourada. Antes disso, em 2014, o time goiano foi rebaixado para a Série C do Brasileirão e também para a Divisão de Acesso do Campeonato Goiano. Dessa maneira, o Tigre também foi campeão da Segunda Divisão do Goianão. Logo, a equipe conseguiu dois acessos em 2015. 

Depois de passagens por Itumbiara, Botafogo-SP, CRAC de Catalão, Paraupebas e outros times nacionais, Francesco foi para o Al-Nars, dos Emirados Árabes, em 2019. Este ano, voltou ao Vila Nova, inicialmente para disputar o Goianão. Na quinta-feira (20), a assessoria de imprensa do Colorado informou que o volante e Crystian não faziam mais parte do elenco da equipe. Além disso, para a Rádio Sagres 730, de Goiânia, o Diretor de Futebol do Tigre, Wagner Bueno declarou que os dois jogadores não devem ser as únicas dispensas do clube. Diante disso, ainda sem planos para o futuro, Francesco, em entrevista exclusiva ao Futebol Na Veia, comentou a situação.

https://twitter.com/vilanovafc/status/1219696008076111872?s=21

Você aponta algum motivo específico para ter sido desligado do Vila Nova? Acredita que aquela declaração polêmica depois da vitória sobre o Grêmio Anápolis na 3ª rodada do Goianão, referindo-se aos jogadores do Goiás como “as mocinhas da cidade”, pesou?

“Antes de mais nada, é um  prazer estar falando com a equipe do Futebol Na Veia. Em síntese, não tem nenhum motivo específico para terem me desligado  do clube. Entretanto, a questão inicial é mesmo a parte monetária. O Vila vem passando por uma situação financeira muito difícil. Além disso, minha declaração não pesou em nada.”

Como foi esse retorno ao Colorado depois de cinco anos? 

“Para mim, o retorno ao maior time do Centro-Oeste foi um sonho realizado. Tenho um carinho enorme pelo clube e ainda mais porque tenho uma história muito bonita no Vila Nova.”

Como estava o clima dentro do clube?

O clima estava muito bom! Em primeiro lugar, lá tem pessoas que amam o clube, desde o porteiro até o pessoal do administrativo. Somado a isso, nós atletas também. É muito bom chegar ao clube e ver os funcionários sorrindo. Assim era no Vila Nova!

Acredita que a decisão de paralisação do Campeonato Goiano foi correta?

“A princípio, eu concordo  com a paralisação. Contudo, poderia ter  sido a partir deste domingo (22), quando terminaria a fase de grupos. Aproveitando o espaço aqui, gostaria de dizer que estou muito chateado  por ter um Sindicato [dos Atletas Profissionais do Estado de Goiás] que não se preocupa com os atletas. Em suma, o Sinapego pensa na parte financeira. É um absurdo.”

Como foi sua experiência no futebol árabe? O que aprendeu jogado longe de terras brasileiras? E  o que mais pesou para que você decidisse retornar ao Brasil?

“A minha experiência foi muito boa. Entretanto, quando jogamos fora do nosso país, começamos a dar mais valor em muitas outras coisas em que quando estamos aqui Brasil, não damos muita importância. Inicialmente, voltei por conta da minha família e meus amigos. Logo depois, a vontade de voltar a jogar na minha cidade natal, que é Goiânia, falou mais alto.”

Já tem planos para o futuro? 

“Visto que ainda é muito recente, não sei o que farei quanto ao futebol. Entretanto, tenho meus negócios. Além disso, sempre entrego nas mãos de Deus.”

Já que o objetivo é o mesmo daquele ano, você vê semelhanças entre o elenco de 2015, quando o Vila foi campeão da Série C, para o atual?

“Exato, é o mesmo objetivo. Contudo, o grupo de 2015 foi diferenciado. Tenho certeza de que jamais irei trabalhar num grupo tão unido e amigo quanto aquele. Naquela temporada, todos tinham um mesmo pensamento, um mesmo foco. Porém o grupo deste ano também é bom e tem potencial.”

Por fim, essa sua recente passagem pelo Vila deixou algum ensinamento para você? 

“O maior ensinamento é que, independente da situação, temos que trabalhar para as coisas  acontecerem. Dessa maneira, tudo dá certo. Ao meu ver, o Vila Nova daqui a alguns anos estará num grande nível, porque há pessoas trabalhando muito para as coisas acontecerem.”

Foto em destaque: Reprodução/Vila Nova

Danyela Freitas
Sou goianiense, graduada em Letras pela Universidade Federal de Goiás (UFG), pós-graduada em Jornalismo Esportivo pela Estácio-SP e tenho três grandes paixões: a escrita, a leitura e o esporte (não necessariamente nessa ordem).

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