crise

Primeiramente, 2020 foi um ano de “arrasar” para todos os brasileiros, que entraram em uma crise. Uns sofreram mais que outros, porém, parafraseando a ex-presidente Dilma: “não acho que quem ganhar ou quem perder, nem quem ganhar nem perder. Vai todo mundo perder.” Bom, brincadeiras à parte, os fatos. De acordo com Portal Uol, em outubro de 2020, os clubes da Série A possuem um débito com a União de cerca de R$ 2,8 bilhões de reais. O time mineiro Cruzeiro, mesmo que time da Série B, foi incluído no estudo devido a sua posição no ranking dos devedores.

Nesse altíssimo valor, vários tributos estão inclusos. Dentre eles: tributos previdenciários, imposto de renda, Contribuição Social sobre Lucro Líquido (CSLL), PIS, COFINS, FGTS e INSS.

Ranking dos Devedores

No top-5 de encurralados na Receita Federal têm-se Corinthians liderando, com R$ 858,2 milhões de reais, seguido de Atlético-MG com R$ 329,8 milhões de reais. Em 3° lugar está o Botafogo, devendo R$ 258,8 milhões e em 4° lugar o Flamengo, com R$ 192 milhões de reais. O lanterna é o Fluminense, com dívida de R$ 181,5 milhões de reais.

Por que tantas dívidas?

À primeira vista, os times não aprenderam uma regra básica da economia: não faça novas dívidas sem quitar as velhas. Na maioria dos casos, a causa principal são os pacote de dívidas passadas deixadas por antigos gestores. Isso ocorre porque, ao invés de dar atenção aos tributos, os recursos para pagá-los eram destinados a outras despesas do clube, como pagar jogadores e equipe técnica.

Além disso, a má interpretação dos impostos a serem pagos para a Receita Federal deixou vários clubes no vermelho. O fato de serem instituições sem fins lucrativos fez com que acreditassem que não teriam que pagar impostos, como Imposto de Renda sob Pessoa Jurídica (IRPJ), COFINS, PIS e CSLL.

A fim de ajudar, nos anos de 2015 e 2017 houve uma tentativa de sanar as dívidas com a União. A Receita Federal criou programas para auxiliar os clubes a quitar ou parcelar as dívidas. Um deles, em 2015, foi o Programa de Modernização de Gestão e de Responsabilidade Fiscal do Brasileiro (Profut), e o outro, em 2017, Programa Especial de Regularização Tributária (Pert).

Com isso, alguns clubes conseguiram iniciar uma regulamentação de suas dívidas, como o Atlético-MG, mas nada surpreendente. Até porque, no ranking dos devedores ele ocupa o segundo lugar no pódio, com uma dívida de R$ 329,8 milhões.

Não há como deixar um dos personagens principais dessa novela de fora. Foi tão afetado que caiu para a Série B. Depois do rebaixamento, a situação financeira do Cruzeiro foi de mal à pior. Além do entra e sai de técnicos e dirigentes, dívidas e processos de judiciais de antigos e atuais jogadores por atraso salarial, o clube foi excluído do Profut porque não honrou com as parcelas que prometeu arcar.

Opinião de especialistas

O especialista em direito tributário, Flávio Rodovalho, em entrevista para o Portal UOL analisou que:

“Entre pagar uma dívida e pagar o craque, o dirigente vai pagar o craque. E deixa o problema da dívida para o próximo dirigente resolver e assim a vida segue. O clube perde em patrimônio, mas a diretoria e a torcida naquele dia ficam felizes, afinal, o craque fez dois gols no domingo. E vai fazendo mais dívidas. Depois o mesmo craque entra na Justiça, ganha mais uma bolada, e o clube fez mais uma dívida que vai ficar para os próximos gestores. Ou seja, quem aumentou seu patrimônio foi só o craque.” 

Diante disso, pode-se perceber que, na maioria dos casos, os times querem retirar areia de um buraco para tapar outro. O problema começa, então, quando eles esquecem do que ficou sem areia.

De maneira idêntica, apesar do Santos não estar no top-5 dos endividados, ele e o Cruzeiro foram os que mais sofreram com a pandemia. Por um lado, o Cruzeiro já estava numa crise financeira desde 2019, o que piorou ainda mais com o rebaixamento para a Série B. Por outro lado, o Santos vendeu muitos jogadores, mas o retorno não foi suficiente para cobrir todas as despesas.

O que a pandemia tem a ver com isso?

A pandemia da Covid-19 fez os clubes perderem cerca de 46% de seus principais recursos. Em suma, dentre os principais motivos para tal catástrofe, está o fato de que muitos contratos de televisão tiveram seus valores diminuídos ou até mesmo suspensos, pela suspensão dos jogos como medida de conter os avanços da doença.

Ademais, a falta de público nos estádios também foi um grande fator, tendo em vista que os torcedores movimentam muito dinheiro não só para os clubes, mas também para pessoas que fazem dinheiro nesses jogos, como os vendedores ambulantes. Por último, a perda de patrocinadores e o cancelamento de cartões-sócio também afetaram muito a finança dos clubes.

Foto Destaque: Reprodução/SuperEsportes

Cler Santos
Eu escolhi jornalismo pois além de muito faladeira, semrpe fui uma leitora voraz. Um belo dia vendo Globo Repórter, eu disse a minha mãe que queria viajar muito como a Glória Maria, e ela me disse " então tem que ser jornalista ". É meu objetivo desde então. Já tive experiência de escrever no jornal da escola, estive sempre entre os primeiros lugares nos campeonatos de texto. Em jornalismo mesmo, participei como redatora voluntária para o site " dicas de jornalismo " por cerca de 1 mês na editoria de cultura, em que escrevi sobre mulheres negras, público LGBTQIA+ e veganismo negro. Além disso, já entrevistei e escrevi sobre o radialista de esportes Emerson Pancieri, E a jornalista do MGTV, Cláudia Mourão. Produzi 2 podcasts em grupo, um sobre um time de rugby paraolímpico, e outro sobre semiótica, jornalismo e o caso de Mariana Ferrer. Por fim, participei de uma propaganda sobre a importância do jornalismo para a comunidade com a âncora do MGTV Aline Aguiar.

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