Para quem não conhece, o Efeito Borboleta se refere ao efeito da realimentação do erro ou seja, uma dependência sensível dos resultados finais às condições iniciais da alimentação dos dados. Exemplificando, este efeito é ilustrado com a noção de que o bater das asas de uma borboleta num extremo do globo terrestre, pode provocar uma tormenta no outro extremo num intervalo de tempo de semanas. Um detalhe simples que ocorre no passado, pode modificar completamente o futuro, e essa é uma constante que acontece na vida do Corinthians.

O título desse ano muito se deve a uma reviravolta que aconteceu após a 31° rodada. Contra a Ponte Preta, a equipe de Parque São Jorge viveu seu pior momento sendo derrotada fora de casa por 1×0. O Corinthians ficara 4 partidas sem vencer, vivendo o pior jejum da competição, e viu o maior rival diminuir a diferença, que já chegou a ser de 14 pontos, para apenas 5. O que levou o técnico Carille a fazer alterações para a próxima partida num confronto direto contra o Palmeiras. Maycon deu lugar a Camacho e Jadson, que vinha sendo muito criticado, deu lugar a Clayson. Esse foi o fator determinante. O ex-jogador da Ponte Preta deu outra dinâmica ao meio campo corintiano, setor que dominou a partida diante dos rivais, e sacramentou a vitória na Arena Corinthians. Após esse jogo, com Clayson e Camacho sempre entre os titulares, o Corinthians emendou mais três vitórias para enfim sagrar-se campeão brasileiro.

No ano de 2015, após uma vexatória eliminação na Libertadores em casa para o Guarani do Paraguai, o time do técnico Tite sofreu algumas mudanças drásticas para o Campeonato Brasileiro, que no início não foram bem-aceitas por críticos e pela torcida. Paolo Guerreiro saiu para a chegada do contestado Vagner Love. Emerson Sheik, Petros e Fábio Santos eram outros nomes importantes que deixavam o clube naquela oportunidade para darem espaço a jogadores como Romero, Yago e Arana. Mas um dos melhores jogadores daquela conquista foi o meia Jadson. O camisa 10, que havia chegado ao clube em 2014 numa troca com Alexandre Pato junto ao São Paulo, era até então contestado e por muito pouco não deixou o alvinegro e foi para a China. A decisão de ficar não poderia ter dado mais certo. A dupla formada com Renato Augusto o transformou em um dos melhores jogadores do Brasileirão e destaque no título corintiano.

Anos antes, os alvinegros mostraram novamente que uma derrota dolorida, nem sempre é sinal de mau presságio. Novamente após uma derrota diante da Ponte Preta, ocorreu uma mudança que, meses mais tarde, levaria a equipe ao seu primeiro título da Libertadores e do Mundial. Naquela oportunidade o goleiro titular Júlio César foi o principal responsável pelo revés de 3×2 em pleno Pacaembu, e pela eliminação nas quartas de final do Campeonato Paulista de 2012. O arqueiro falhou feio no primeiro gol e saiu jogando errado no terceiro, quando no mesmo lance saiu mal do gol e acabou levando o terceiro. Após a frustrante eliminação, o até então desconhecido goleiro Cássio, assumiria a meta corintiana na Libertadores diante o Emelec para nunca mais sair e traçar sua história como um dos maiores goleiros da história do clube, sendo peça fundamental no título de campeão do mundo ao final daquela temporada.

Mas nenhum dos títulos acima teria existido sem antes o Corinthians passar pelo maior vexame que um clube brasileiro já sofrera na Libertadores. Em 2011, o time estrelado por Ronaldo não conseguiu se classificar para a fase de grupos da competição, perdendo a vaga para o inexpressivo Tolima da Colômbia. Depois de um decepcionante 0x0 em casa, o time colombiano venceu pelo placar de 2×0 e despachou o time brasileiro na fase de pré-Libertadores, “feito” que até hoje apenas o Corinthians conseguiu alcançar. Após essa derrota, houve quem pedisse a cabeça do novato técnico Tite. Entretanto o presidente Andrés Sanches, contrariando conselheiros e torcida, bancou sozinho o técnico que viria a se tornar o maior da história do clube. A derrota fez com que nomes como Ronaldo, Edno, Buno César e Dentinho deixassem o clube para dar espaço a Emerson Sheik, Alex, Liédson e Adriano. Contrariando as críticas, o time terminaria o ano de 2011 com mais um título brasileiro.

A própria queda para a série B em 2008 foi o gatilho necessário para alavancar o clube de estrutura arcaica, para um dos melhores Cts do Brasil. Em 1990 o craque Neto, símbolo da conquista do primeiro título brasileiro, chegou ao clube sob desconfiança. Ribamar e Dida foram para o Palmeiras enquanto Neto e Denys se transferiram para o Corinthians. Na época da troca, os alvinegros saíram perdendo, visto que Neto era apenas um jogador mediano e não valia o investimento. O final dessa história, não poderia ser melhor. Antes disso, até mesmo a fila de 23 anos sem títulos levou o clube a criar a identidade que tem hoje e atrair multidões em sua torcida.

Derrotas sofridas que levaram a decisões importantes e resultaram em conquistas heroicas, tornaram-se comuns pelos lados de Parque São Jorge. O Corinthians convive com um turbilhão de emoções que os levam do inferno aos céus em pouco tempo. No próximo vexame que a equipe sofrer, serão grandes as chances de que no futuro, ele influenciará diretamente à grandes conquistas, como vem fazendo nos últimos 117 anos.

Miguel Deak
Entusiasta do futebol moderno mas sem esquecer de sua época romântica, começou tarde nesse esporte ludopédio. Aos 13 anos "descobriu" o futebol Europeu após assistir um Sevilla x Barcelona, em 2003, e se tornou ,desde então, apaixonado pelo esporte bretão, com um carinho especial pelo time da Catalunha. VISCA EL BARÇA! Amante do 4-3-3 mas que respeita a decisão de quem prefere o 4-4-2, não admite que profissionais batam escanteio a meia altura e detesta lateral cobrado na área.

Artigos Relacionados