CHEGA! Até quando teremos agressores no futebol?

- Bruno, Dudu, Jean, Villa... Todos têm algo em comum
Até quando teremos agressores no futebol?

“Quem me conhece sabe que eu sou um cara de coração bom e se surpreendeu com o que aconteceu”, disse o jogador sobre a agressão à sua mulher. Dudu, Jean, Bruno, Villa e muitos outros. Todos eles têm uma coisa em comum: são agressores. Todos agrediram mulheres, sejam eles namoradas ou esposas. Contudo, pior que isso, ainda continuam com casos impunes. O revoltante? Possuem o mesmo prestígio dentro do futebol, responsável por trilhar o sonho de inúmeros meninas e meninos.

Recentemente, o Atlético-MG causou ao demonstrar interesse na contratação de Villa. Contudo, parte dos torcedores repudiaram a ação, visto que o colombiano foi acusado de agredir a sua namorada. A mesma postou fortes vídeos em suas redes sociais, afirmando que o fato aconteceu mais de uma vez. No entanto, este não é um caso isolado.

O futebol brasileiro, que chama atenção no mundo todo, sendo referência para outros países, ainda passa pano para agressores. Assim, ao invés de punir e não dar espaço para esses “atletas”, dá palco, como se nada tivesse acontecido. É uma agressão para todas as mulheres desse mundo ver que, pessoas como o goleiro Bruno, atuar e ter prestígio, apoio.

BRUNO

A condenação? Homicídio triplamente qualificado. Sequestro e cárcere privado de Bruninho, seu filho. A vítima? Elisa Samudio, a mãe de seu filho. O corpo nunca foi sequer encontrado. A pena? 20 anos e nove meses. Sendo assim, cumprindo a pena em regime semiaberto, o goleiro Bruno Fernandes segue atuando no futebol. O Rio Branco-AC ignorou o repúdio de torcedores e até de funcionários, já que a técnica do time feminino do clube, Rose Santos, se demitiu.

“Como disse, não questiono e nem tampouco julgo suas decisões, mas preciso respeitar a minha história e minhas crenças de que educamos pelo exemplo, e no esporte de rendimento, atletas são figuras públicas, e socializam e influenciam comportamentos, e meu humilde entendimento é que essa oportunidade dada ao goleiro Bruno, em nossa amada equipe, legitima a ineficiência das leis em nosso país, socializa ainda mais a impunidade aos feminicidas e, por fim, macula a imagem de nossa equipe, pois o crime orquestrado por ele é reconhecidamente hediondo, e isso não deve ser personificado na função de atleta de rendimento do nosso clube que tem uma história linda na construção de grandes atletas que são espelhos para toda a nossa juventude e sociedade. Entendam: NUNCA FOI E NUNCA SERÁ SÓ FUTEBOL!!”

Além disso, o único patrocinador do clube, a rede de supermercados Arasuper, suspendeu o contrato com o clube. O motivo, certamente, foi a contratação do goleiro. Contudo, o presidente não estava nem aí. Assim, o “jogador” segue na equipe, sendo a principal contratação.

DUDU

Dentro de campo, astro e multicampeão com o Palmeiras. Fora dele? Agressão contra mulher. A vítima? Sua ex-esposa, Malu Ohanna. Socos na cabeça e no peitoral da mulher com quem foi casado por 10 anos. A solução? Deixar o time de São Paulo e seguir para a Arábia Saudita.

Assim, novamente, mesmo com provas, através de um vídeo, nada foi feito. Obviamente, ir para o Al-Duhail apagaria o que ele fez! Portanto, seguiu sendo o ídolo do Palmeiras, aclamado pelo mundo da bola. Enquanto isso, Malu segue ouvindo xingamentos em suas redes sociais, com direito a ser responsabilizada por “destruir a carreira de Dudu”.

JEAN

Brilhava no São Paulo, mas na Disney deu um show de horrores. No dia 18 de dezembro de 2019, em Orlando, na Flórida, Milena, ex-esposa de Jean, postou diversos vídeos onde pedia socorro, com o rosto desfigurado. Foram oito socos na mulher. O jogador foi, inclusive, detido pela polícia norte-americana, mas foi liberado.

O São Paulo, pouco tempo depois, rescindiu o contrato. Contudo, o Atlético-GO mostrou um grande retrocesso. O contratou. Disputando a Série A do Brasileirão, hoje ele brilha. Defesas brilhantes e até anotando gols. Porém a pergunta é: e a agressão à Milena? Assim, um pedido de desculpa em sua coletiva de apresentação é realmente o suficiente?

ATÉ QUANDO O MUNDO VAI SEGUIR ABRAÇANDO?

Até quando o mundo vai seguir abraçando Jeans, Brunos, Dudus? A partir de que dia, Malus, Elisas, Milenas, Anas, Roses, entre tantas outras, terão as suas vozes ouvidas? A violência contra a mulher é o crime que mais aumentou em São Paulo durante a pandemia. Conforme o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, houve o aumento de 44,9% do crime no estado – lembrando, os números são APENAS em São Paulo.

Enquanto isso, conforme a Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos, houve o aumento em denúncias de violência contra a mulher desde o início da pandemia no país. Assim, se comparado à abril do ano passado, as denúncias de violações aos direitos e à integridade das mulheres aumentaram em 36%. Além disso, quase uma entre três mulheres sofrem violência física/sexual por parte de um parceiro íntimo.

ATÉ QUANDO VÃO PASSAR PANO?

A ressocialização sempre é a desculpa. Obviamente é importante para todos. No entanto, é esse o exemplo que os clubes querem mesmo passar aos seus torcedores? Assim, de que vale uma campanha de Dia das Mães ou Dia das Mulheres sendo que, no meio de seus jogadores, está um agressor?

É esse o valor que o futebol quer passar para os seus futuros jogadores? O futebol é muito mais que um esporte. Além disso, ele tem uma função social. Ele apresenta ídolos que ensinam às crianças, o futuro do nosso mundo. É isso que eles aprendem? Que se agredirem suas mulheres sairão sem punição alguma?

CHEGA DE PASSAR PANO! Está na hora de mostrar que um espetáculo tão bonito que nem o futebol NÃO TEM ESPAÇO para agressores. Podem ser os mais brilhantes, os mais revolucionários, dignos de um Melhor do Mundo. Contudo, se ergue um decibel da voz para uma mulher, não merece o prestígio, não merece espaço. Assim, está na hora de mostrar que o mínimo é ter caráter e respeito. Realmente, Rose, NUNCA FOI E NUNCA SERÁ SÓ FUTEBOL

Foto destaque: Reprodução/FNV

Lauren Berger

Sobre Lauren Berger

Lauren Berger já escreveu 792 posts nesse site..

Lauren Berger, gaúcha e apaixonada por futebol. Cresci vendo grandes nomes do Brasil em campo e um sentimento especial cresceu em mim. Vi Ronaldinho Gaúcho, Fernandão, Cristiano Ronaldo, Iniesta e foi amor à primeira partida. Estudo na Universidade Luterana do Brasil-RS.

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Lauren Berger, gaúcha e apaixonada por futebol. Cresci vendo grandes nomes do Brasil em campo e um sentimento especial cresceu em mim. Vi Ronaldinho Gaúcho, Fernandão, Cristiano Ronaldo, Iniesta e foi amor à primeira partida. Estudo na Universidade Luterana do Brasil-RS.

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