Brasileiros repatriados da China dominaram o futebol brasileiro

Sempre questionado pela baixa qualidade técnica local, o futebol chinês apostou nos estrangeiros para elevar o patamar de sua liga nacional. Por certo, a naturalização de brasileiros pela Seleção Chinesa, como Aloísio Boi Bandido, Alan e Elkeson, foi um exemplo de que o Brasil segue dominando os mais diversos e exóticos campeonatos.

Muitos torcedores, e até jornalistas brasileiros, questionavam as escolhas de atletas com mercado na Europa ou até ainda muito jovens optarem pelas altas cifras chinesa, apesar da baixa qualidade técnica, do que estar em grandes vitrines para serem mais vistos, como Brasil e Europa.

Entretanto, a qualidade dos jogadores que passaram pela China permaneceu. Ainda em ano de Copa do Mundo, em 2018, Tite convocou Paulinho e Renato Augusto, que estavam na China. Um foi titular da Copa e o outro quase salvou o Brasil da eliminação na Copa da Rússia. Ainda mais, Paulinho foi contratado pelo Barcelona após atuações na Seleção Brasileira e na China.

Ainda assim, houve quem torcesse o nariz ou até mesmo cravasse que jogadores vindos do futebol chinês não dariam certo no Brasil, que eram fim de carreira. Na certa, tinham esperanças de dizer “eu avisei”. Contudo, quebraram a cara e os repatriados quebram tudo, futebolisticamente falando.

Brasileiros vindo da China dominaram o cenário nacional

Exceções compreendidas

Antes de tudo, obviamente que alguns atletas não voltam no mesmo nível que saíram, vide Hernanes e Alexandre Pato. Mas quem não se lembra de quando o Profeta salvou o São Paulo do rebaixamento em sua primeira volta da China? Já Pato voltou para o mesmo São Paulo de Hernanes na segunda passagem do atacante, totalmente bagunçado.

Por outro, houveram atletas que tinham uma qualidade clara, mas tiveram o azar de sofrerem com as lesões. Como foi o caso de Éder. Também vindo da China, o atacante conviveu muito com as lesões e passou mais tempo do departamento médico do que a disposição do São Paulo.

O mesmo aconteceu com Léo Baptistão, do Santos. O atacante não conseguiu ter uma sequência devido às lesões e não pôde desempenhar um grande papel em sua volta ao futebol brasileiro. A saber, MarinhoRei da América em 2020 e sempre cotado na Seleção Brasileira, voa no Brasil, mas na China não jogou. Já falaremos sobre isso.

Os repatriados que brilharam em 2021

Mas falando sobre a temporada de 2021, os “chineses” arrebentaram. Com a pandemia, o futebol chinês viveu um momento de crise. Porém, não apenas financeiramente, como também de estrutura. Assim, alguns clube faliram e outros tiveram que dispensar atletas de ponta. Alguns jogadores brasileiros rescindiram seus contratos para ficarem mais próximos da família em um momento tão complicado.

Dessa forma, os clubes que souberam aproveitar a oportunidade e acreditaram que os brasileiros vindo da China teriam mercado e fariam sucesso no cenário nacional, se deram bem. Primeiramente, o São Paulo repatriou o zagueiro Miranda, ídeolo do clube, que ajeitou a zaga tricolor e fez um ano impecável, inclusive, rendendo, novamente, convocação para a Seleção Brasileira.

Bem como o Corinthians, que era cotado para brigar para não cair ou, no máximo, garantir uma vaga na Copa Sul-Americana. Decerto, pontual nas contratações, o Timão mudou de patamar com a chegada de alguns reforços, dentre eles Róger Guedes.

O atacante que veste a camisa número 123 caiu nas graças da fiel logo nos primeiros jogos, com gols, entrega e boas atuações. Portanto, rapidamente se identificando com o torcida. A saber, Guedes chegou ao Corinthians vindo da China. Assim como Renato Augusto.

O meia deu outro cara ao clube da Zona Leste de São Paulo e o Alvinegro garantiu vaga direta na fase de grupos da Libertadores. Já ao final da temporada, o clube também repatriou Paulinho, vindo da China, como mais um reforço para a Liberta. O meio-campista foi multicampeão na China e chega como grande reforço para 2022, por enquanto.

Hulk: o divisor de águas dentre os brasileiros e estrangeiros

Mas o grande divisor de águas para ressaltar o valor dos brasileiros que estavam no futebol chinês foi Hulk. O atacante do Atlético-MG fez uma temporada invejável, garantindo o título do Campeonato Brasileiro ao Galo após 50 anos e também a Copa do Brasil, além do Campeonato Mineiro, vencido no começo do ano. Dessa forma, teve a tríplice coroa com o clube mineiro em sua primeira temporada nessa volta para o futebol brasileiro.

Decerto, não foi apenas campeão, como também melhor jogador, melhor atacante e artilheiro do Brasileirão. Bem como artilheiro da Copa do Brasil também. E não foi apenas o grande jogador do Galo na temporada, mas também o melhor jogador do futebol brasileiro de forma disparada. Além disso, o paraibano afirmou que não é nada fácil jogar no futebol chinês, como muita gente imagina:

“O futebol chinês é muito difícil. Não tem a mesma qualidade que tem no futebol brasileiro. Você passa uma bola redondinha e recebe uma bola quadrada. Então, é complicado. Jogar no futebol brasileiro é muito mais fácil. A saber, o Marinho, que é craque no futebol brasileiro, melhor jogador da Libertadores de 2020, não conseguiu jogar na China. É complicado”.

Então, podemos concluir que o futebol chinês tem um grande grau de dificuldade pela baixa técnica. Mas, em contrapartida, os atletas que vão para lá não perdem sua qualidade por jogadores com jogadores de nível técnico menor. Por certo, com o exemplo da temporada de 2021, quando jogadores brasileiros forem repatriados, devemos olhar com mais carinho e menos desconfiança.

Por fim, o Brasil ainda segue sendo a nação com maior presença dentre os jogadores estrangeiros no futebol chinês. Inclusive, jogador que tiveram destaque na Europa ou no Brasil, estão por lá e podem pintar a qualquer momento no futebol brasileiro.

Por certo, Henrique Dourado, Oscar, Alan Kardec, Aloísio Boi Bandido, Elkeson, Ricardo Goulart, Moisés, Fernandinho e Fernando são atletas que estão por lá e poderiam, facilmente, integrar grandes equipes da elite do futebol brasileiro e fazer um grande ano. Depois desse 2021, você ainda dúvida?

Foto destaque: Divulgação / FNV

Eric Filardi
Quando pequeno quis ser jogador. O sonho de criança passou. Uma vida nova se anseia. Bem-vindo ao melhor site de futebol. Bem-vindo ao Futebol na Veia. Sou Eric Filardi, paulistano de 27 anos, criado em Taboão da Serra, jornalista pós-graduado em Jornalismo Esportivo e apaixonado por futebol. Como todo jornalista amo escrever. Como todo brasileiro amo futebol. Tenho meu clube e minhas preferências, mas viso o profissionalismo e a imparcialidade, sem deixar de lado a criatividade. Sou Tricolor, Peixe, Palestra e Timão. Sou da Colina, Glorioso, Flu e Mengão. Sou brasileiro, hermano, francês e italiano. Sou Ghiggia, Paolo Rossi, Caniggia e Zidane. Sou Alemanha dos 7 x 1, mas que o povo não se engane. Também sou Ronaldo, Romário, Zico, Garrincha e Pelé. Sou Bundesliga, MLS, Eredivisie e Premier. Sou das várzeas e dos terrões. Sou Clássico das Multidões. Sou Sul, Nordeste, Amazônia e Pantanal. Sou Galo, Raposa, Bavi e Grenal. Sou Ásia e África. Sou Barça e Real. Sou as Américas, a Europa, sou o mundo em geral. Sou a festa nas arquibancadas que o estádio incendeia: sou Futebol na Veia.
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