Baltazar (Foto: Reprodução/Helio Devinar/Acervo Grêmio)

Nesta sexta-feira, 17 de julho, Baltazar Maria de Morais Júnior completa 61 anos de história. Dessa maneira, a coluna Parabéns ao Craque faz uma homenagem ao maior artilheiro do Campeonato Goiano. Atleta de Cristo e Artilheiro de Deus, o atacante deixou seu legado em grandes clubes do Brasil e também na Europa. 

Desde quando começou, no Atlético-GO, em Goiânia, sua cidade natal, já chamava a atenção. Por conta do sucesso em campo, teve que largar a faculdade de Matemática. Entretanto, dentro das quatro linhas, somava muitos gols. Em 54 jogos pelo Dragão, marcou incríveis 38 tentos, despertando interesse do Grêmio. Dessa maneira, em 1979, foi para Porto Alegre defender as cores do Tricolor. Em terras gaúchas, conseguiu mostrar, mais uma vez, seu faro de goleador e ainda conquistou sete títulos, inclusive, o Campeonato Brasileiro de 1981, o primeiro título nacional do time.

Além disso, o autor do gol que levou o Grêmio a conquistar aquele troféu sobre o São Paulo em pleno Morumbi. Somado a isso, tem em suas glórias com o Imortal Campeonato Gaúcho (1979 e 1980), Troféu Torre del Vigia (1981), Copa El Salvador del Mundo (1981) e Troféu Cidade de Valladolid (1981). Ídolo no Tricolor, entre 1979 e 1982, balançou as redes adversárias 130 vezes em 293 duelos. E, obviamente, foi artilheiro duas vezes seguidas do Gauchão: em 1980, com 28 gols, e em 1981, com 20. Posteriormente, foi para o Palmeiras, ainda em 82. 

Baltazar no Flamengo e carreira internacional

No ano seguinte, o Flamengo conseguiu a contratação de Baltazar. Por lá, o camisa 9 deixou seu nome gravado (e com mérito). Ainda que tenha ficado por menos de um ano no Mengão, o artilheiro conquistou dois títulos: Campeonato Brasileiro (1983) e Taça Rio (1983). Em seguida, teve outra passagem pelo Palestra Itália e também pelo Botafogo, do Rio.

Contudo, não dava para segurar mais o atacante em solos brasileiros. Sendo assim, partiu para a Espanha para defender o Celta de Vigo entre 1985 e 1988. Depois, foi fazer seus gols pelo Atlético de Madrid. Em dois anos, foram 53 gols em 77 partidas. Por conta de seus bons números, passou pela Seleção Brasileira. Embora tenha sido uma breve passagem, conquistou o título da Copa América de 1989. Não deixando a pressão da Amarelinha pesar, marcou três tentos em sete partidas.

Baltazar: o Artilheiro de Deus

O atacante ganhou o apelido por, tanto na vitória quanto na derrota, dizer que o resultado tinha sido a vontade de Deus. Dessa maneira, por sempre se remeter ao poder divino, conquistou a alcunha. Entre suas frases, a mais famosa foi: “Deus está reservando algo melhor para o Grêmio.” O goleador disse quando perdeu um pênalti, no primeiro duelo da final do Brasileiro de 81, em casa contra o São Paulo. E estava certo. Assim, no jogo de volta, o Imortal se sagrou campeão do torneio e, claro, com gol do Artilheiro de Deus. 

Baltazar, juntamente com João Leite e outros esportistas, criou o chamado “Atletas de Cristo”, um movimento para reunir jogadores cristãos. Desde jovem, quando ainda estava mo Atlético-GO, baseou-se na fé dentro e fora de campo. Inclusive, atualmente, o ex-atacante é pastor e também trabalha como empresário de jogadores, ainda em Goiânia.

De volta a Goiânia

O atacante, entre 1993 e 1994, teve boa passagem pelo Goiás, rival do clube que o revelou ao futebol nacional. Entretanto, foi no último ano jogando pelo Esmeraldino que viu que a hora da aposentadoria estava chegando. O Artilheiro de Deus reparou que o técnico da equipe goiana era mais velho que ele. Na ocasião, o treinador era Walter Nascimento, nascido em 5 de maio de 1961, enquanto, por sua vez, Baltazar havia nascido em 59. Novamente em solos goianos, marcou 28 gols em 30 jogos e, assim, chegou à marca de 0.93 gol por partida. Por fim, encerrou sua vitoriosa e abençoada carreira no Kyoto Sanga, do Japão, em 1996.

“Depois de ter rodado bastante o Brasil, ter jogado na Seleção, sete anos na Europa, retornei ao Goiás. Para minha surpresa, foram momentos de muitíssima alegria. Um ambiente que pude desfrutar, muito saudável, de amizade com os jogadores, com a diretoria, treinadores. Assim, eu já com mais experiência, 33 anos de idade, pude desfrutar de bons momentos, de ter alegria para jogar, satisfação de ter alvos, metas. Além disso, conseguimos novamente subir o Goiás para a primeira divisão, ser novamente artilheiro do Campeonato Goiano. Isso mostra que eu estava motivado também”, relembrou Baltazar em entrevista à Rádio Sagres.

Homenagem do Goiás a Baltazar (Reprodução/Goiás EC)
Homenagem do Goiás a Baltazar (Reprodução/Goiás EC)

 

Foto destaque: Reprodução/Helio Devinar/Acervo Grêmio

Danyela Freitas
Danyela Freitas
Sou goianiense, graduada em Letras pela Universidade Federal de Goiás (UFG), pós-graduada em Jornalismo Esportivo pela Estácio-SP e tenho três grandes paixões: a escrita, a leitura e o esporte (não necessariamente nessa ordem).

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