Até 2019: Cuca é o novo técnico do Santos

Cuca é o novo treinador do Santos. O anúncio surpreendente foi feito nesta segunda-feira, em entrevista concedida pelo diretor executivo de futebol, Ricardo Gomes. O acordo com o técnico será válido até dezembro de 2019 e a ideia é tê-lo à disposição para o jogo contra o Cruzeiro, na quarta-feira, pela Copa do Brasil.

“Estamos aqui com um acordo com o Cuca. Isso foi uma boa escolha para o clube, para o Cuca. A expectativa é tê-lo já no treino de amanhã e no jogo da quarta-feira. O contrato é válido até dezembro de 2019″, disse Gomes, no início da coletiva. Segundo o dirigente, as conversas se iniciaram nesta segunda-feira. ”Começamos a negociação hoje pela manhã. Depois de duas ou três horas de negociação, chegamos a um consenso”, afirmou.

Na sequência, Ricardo Gomes exaltou o currículo do treinador. “É um treinador competente, com experiência, com títulos. Aceita a torcida do Santos. É ofensivo. Reúne todas essas qualidades para o nosso trabalho”, ponderou. Em seu passado recente, Cuca venceu a Libertadores, em 2013, com o Atlético-MG e, em 2016, o Brasileiro à frente do Palmeiras, rival santista. Na Vila Belmiro, contudo, seu retrospecto não é positivo. Comandando o Santos em 2008, Cuca foi contratado em situação semelhante: na época, o Peixe não estava bem no Brasileirão, mas sob sua batuta, o alvinegro da Vila venceu 3 jogos, empatou 4 e perdeu 7. Demitido após 14 jogos, ele deixou o clube na zona do rebaixamento. O Santos terminou o campeonato na 15ª colocação, com 45 pontos, um a mais que Figueirense, primeiro rebaixado.

Assim que a contratação foi anunciada, a competência de Cuca passou a ser questionada por torcedores santistas. Seu estilo defensivo e pouco vistoso, a princípio, não atenderiam ao clamor envolvendo o ”DNA ofensivo”. Isso deve ser levado em consideração, afinal, os últimos jogos do Santos retratam uma equipe incompetente, apática e sem recursos. O excesso de cruzamentos, neste sentido, é um exemplo disso.

O torcedor quer transições rápidas e letais, um time compacto e envolvente. E não há nada de errado nisso. Hoje, porém, o Santos precisa de um esquema pragmático e, sobretudo, eficiente. Mesmo com a chegada dos estrangeiros Bryan Ruiz e Carlos Sánchez, o Peixe não será um time brilhante. Ainda faltará brilho no ataque, setor em que apenas Rodrygo é lúcido e tem a capacidade de quebrar linhas. Mesmo quando vence, o clube da Vila não convence. A postura incomoda muito o torcedor, com razão.

Criar um time competitivo, inclusive, é a grande missão de Cuca. Para isso, tem a obrigação de abandonar o esquema com quatro atacantes. Não há, em hipótese alguma, a possibilidade de um time triunfar nessas condições. O meio-campo fica exposto e sobrecarregado, tanto para marcar, como para criar. Além disso, os jogadores batem a cabeça no ataque, já que ocupam faixas parecidas do campo.

O segundo passo é buscar a objetividade. A efetividade. Contra times inferiores, como o América-MG, o Santos mantém a posse, mas não tem alternativas para furar o bloqueio. Finalizou mais de 30 vezes contra o Coelho, mas apenas 8 levaram perigo. Porém, contra equipes qualificadas, além de ter dificuldades para trocar passes, é vulnerável a jogadas rápidas.

O Peixe não tem o pior elenco do Brasileirão. Então, a missão de Cuca será extrair o melhor desse grupo, que é ruim, mas não é péssimo. Se o novo técnico santista fará isso apelando ao ”Cucabol” ou ao 1 a 0 magro, porém, eficiente, pouco importa. O torcedor precisa compreender que vencer dando show é uma realidade distante. Hoje, o clube amarga uma incômoda posição no campeonato nacional e, exatamente por isso, espantar o fantasma de um rebaixamento inédito deve ser a prioridade. Apenas depois disso que diretoria, técnico e jogadores devem ambicionar vôos maiores.

André Siqueira Cardoso
Sou André Siqueira Cardoso, tenho 21 anos. Aluno de jornalismo da Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP), atualmente trabalho em VEJA, com a cobertura do noticiário político. Apaixonado por esportes, jogador de futebol até hoje, tenho o sonho de cobrir uma Copa do Mundo.

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