Xerife Durval: uma carreira dedicada a sorrir

- Com passagens de destaque por Sport e Santos, zagueiro pendurou as chuteiras essa semana
Durval Sport.

Digamos que não foi surpresa, na última segunda-feira (20), a notícia que todo torcedor rubro-negro não queria ler e ouvir chegou. Isso porque, de forma exclusiva ao GloboEsporte.com, aos 39 anos, o zagueiro e ídolo Durval anunciou sua aposentadoria dos gramados, em definitivo. Assim, um dos mais vitoriosos jogadores da história do Sport, Severino dos Ramos Durval da Silva, ganhou quase tudo no futebol, principalmente nas passagens pelo Leão e pelo Santos. Foi 10 vezes seguida campeão estadual, ainda conquistou Copa do Brasil, Libertadores, Recopa Sul-Americana, Copa do Nordeste e Superclássico das Américas. Agora sai de cena deixando um legado inesquecível, não só pelo futebol.

A TRAJETÓRIA DE DURVAL

Tímido, de poucas palavras e sorrisos, mas dentro de campo virava uma fera para defender as cores de seus clubes. Assim era Durval, que passou por seis escudos diferentes. Paraibano de Cruz do Espírito Santo, iniciou a carreira no Unibol, de Pernambuco, em 1999. Dois anos depois retornou para sua terra natal para atuar pelo Botafogo-PB, por onde iniciou a série incrível de 10 títulos estaduais em sequência. Em 2004, teve destaque defendendo o Brasiliense e conquistando o Campeonato Candango e a Série B daquele ano. Dessa forma, suas atuações chamaram a atenção do Athletico-PR. Inicialmente no time B, depois integrado ao elenco principal.

No Furacão, conquistou seu terceiro título estadual seguido, em 2005, e participou do elenco vice-campeão da Libertadores, inclusive marcando gol contra na final. Com isso, no final da temporada foi emprestado ao Sport. Quem diria que o jogador que chegou sem grandes badalações, como ele mesmo é, sem mídia, viria a se tornar um dos maiores ídolos do Leão? Pois, ao chegar em 2006, demorou para se firmar no time titular. A grande virada veio em 2007 e com gols. Assim, Durval mostrou que não só de desarmes e de tempo certo na bola vive um zagueiro. Se arriscando na área, o Xerifão começou a fazer gols, e importantes gols.

SPORT: 2006 à 2009

Em sua primeira passagem pelo Sport, foi tetracampeão pernambucano (2006-2007-2008-2009) e conquistou uma de suas maiores glórias, a Copa do Brasil de 2008, em final contra o Corinthians. Na ocasião, Durval era capitão do histórico elenco rubro-negro, que ainda tinha Magrão, Dutra, Carlinhos Bala e Romerito, e coube a ele eternizar a conquista erguendo a taça. Dessa forma, um dos momentos mais marcantes do beque foi nas quartas de final contra o Internacional. Naquela altura, o Rubro-Negro havia perdido o primeiro jogo por 1 x 0 em Porto Alegre e necessitava de uma vitória por dois gols de diferença.

Vencendo por 2 x 1 na Ilha, o Leão precisava de mais um gol e, de falta, Durval mandou um tirambaço para classificar o clube pernambucano para a semifinal. A Ilha do Retiro foi abaixo. Na sequência, o Sport viria a ser campeão do Brasil e garantir vaga na Libertadores da América de 2009. Assim, no ano que tinha tudo para ser dourado para o Leão da Ilha, com a volta à competição internacional, veio o rebaixamento à Série B, após uma eliminação dolorida para o Palmeiras na Liberta e a saída do técnico Nelsinho Baptista. Sem chegar a um acordo de redução salarial, o zagueiro acabou deixando Recife e se transferiu para Santos.

SANTOS: 2010 à 2013

Dessa forma, Durval fez parte da geração dos meninos da Vila que despontava no Santos. No elenco que tinha André, Paulo Henrique Ganso e Neymar Jr., no começo de suas carreiras, e sob o comando do técnico Dorival Junior foram campeões paulista e da Copa do Brasil, em 2010. Já em 2011, aos cuidados de Muricy Ramalho, o Xerifão de sorriso largo conquistou seu título de maior expressão, a Libertadores da América, sendo titular absoluto durante a campanha histórica, mesmo marcando outro gol contra em uma final internacional. Segundo ele, foi “para dar emoção“. Além disso, no Mundial de Clubes, teve a missão de marcar Lionel Messi, na final contra o Barcelona.

Logo, foi pelo Peixe da Baixada Santista que ele chegou à Seleção Brasileira. Apesar do contexto diferente de convocação, com jogadores que atuavam no Brasil, ele faturou o Superclássico das Américas, em 2012. No mesmo ano, foi campeão Paulista, o décimo título estadual em sequência, e da Recopa Sul-Americana. Assim, 2013 foi um dos poucos anos em que não soube o que era ser campeão. Com a queda técnica da equipe paulista, Durval deixou o clube ao final da temporada com mais de 200 jogos à serviço do Peixe e marcado na história do Santos.

A VOLTA AO SPORT: 2014 à 2019

Apesar da passagem por Santos, Durval nunca escondeu o desejo de retornar a vestir vermelho e preto. A cada final de temporada, sua volta era especulada no Recife e depois de várias tentativas, enfim, ele retornou em 2014. Naquele ano, o Leão estava recém-promovido à Série A. E sob o comando do iniciante técnico Eduardo Baptista, ex-preparador físico e filho do treinador campeão da Copa do Brasil, Nelsinho Baptista, conquistou o Pernambucano e a Copa do Nordeste. No estadual, foi dele o gol do título, de cabeça, contra o rival Náutico na então recém inaugurada Arena de Pernambuco.

Com o Sport de volta a Série A, fez grandes exibições e participou da maior campanha do Leão na Série A de pontos corridos, com a 6ª posição, em 2015, com 59 pontos. No entanto, foi a última temporada antes das mudanças de classificação à Libertadores e o Rubro-Negro ficou de fora da competição. Assim, junto com um elenco marcante que tinha além dele o ídolo Magrão nas traves, o volante Rithely, o meia-atacante Diego Souza e o artilheiro André formaram uma geração que deu orgulho pelas boas exibições em campo. Todavia, a idade estava chegando e, a partir de 2017, começou a figurar no banco de reservas em alguns jogos, até que em 2018 pouco atuou.

A DESPEDIDA MELANCÓLICA

Dessa forma, com o Leão em crise financeira e atrasos salariais, Durval acabou sendo preterido e não teve seu contrato renovado para 2019. Inclusive, o zagueiro chegou a dizer que encerraria a carreira se não fosse para continuar jogando no clube pernambucano, do qual se diz torcedor até hoje. Com isso, a nova diretoria Rubro-Negra até tentou manter o jogador, mas uma lesão diagnosticada durante o primeiro semestre do ano passado encerrou sua segunda passagem pelo Sport com mais de 450 partidas realizadas. Desse modo, o Xerifão confirmou, oficialmente, a aposentadoria nesta semana.

Assim, Durval não era apenas excelente com a bola no pé, mas sim, também, dono de um carisma e lealdade às cores que vestia. O zagueiro era sinônimo de um caráter impar e por onde passou foi querido por torcida e jogadores. Deixou saudade no Santos e no Sport, marcou uma geração e fez Era com as cores pernambucanas. Nove anos não são nove dias e o Xerife está marcado na história do Leão. Ele não sorria, mas fazia muita gente sorrir. Valeu por tudo e bom descanso em Cruz do Espírito Santo, eterno capita.

Foto Destaque: Reprodução / José Otávio de Souza / Globoesporte.com

Ricardo do Amaral

Sobre Ricardo do Amaral

Ricardo do Amaral já escreveu 338 posts nesse site..

"Alvíssaras! Sou Ricardo Accioly Filho, pernambucano de 27 anos, advogado e estudante de jornalismo pela Uninassau. Tenho como mote que “no futebol, nunca serão apenas 11 contra 11”; é arte, é espetáculo, humanismo, tem poder de mover multidões e permitir ascensões sociais. Como paixão nacional do brasileiro, o futebol me acompanha desde cedo, entretanto como nunca tive habilidade para praticá-lo, busquei associar duas vertentes de minha vida: o prazer pela leitura e o esporte bretão. Foi nesse diapasão que encontrei no jornalismo esportivo o elo de ligação que me leva a difundir e informar o que, nas palavras de Steven Spielberg, é o “mais belo espetáculo de imagens que já vi”."

365 Scores

BetWarrior


Ricardo do Amaral
Ricardo do Amaral
"Alvíssaras! Sou Ricardo Accioly Filho, pernambucano de 27 anos, advogado e estudante de jornalismo pela Uninassau. Tenho como mote que “no futebol, nunca serão apenas 11 contra 11”; é arte, é espetáculo, humanismo, tem poder de mover multidões e permitir ascensões sociais. Como paixão nacional do brasileiro, o futebol me acompanha desde cedo, entretanto como nunca tive habilidade para praticá-lo, busquei associar duas vertentes de minha vida: o prazer pela leitura e o esporte bretão. Foi nesse diapasão que encontrei no jornalismo esportivo o elo de ligação que me leva a difundir e informar o que, nas palavras de Steven Spielberg, é o “mais belo espetáculo de imagens que já vi”."

Artigos Relacionados

Topo