VerDonnas: palmeirenses se mobilizam para torcerem juntas

- O movimento foi criado para mostrar que lugar de mulher é onde ela quiser
VerDonnas

O VerDonnas, é um movimento feminino da torcida do Palmeiras, que surgiu em outubro de 2018, com o objetivo de incentivar as mulheres a irem ao estádio. Tudo começou, no mês anterior, quando duas palmeirenses foram expulsas do metro por um grupo de Corinthianos. Diante disso, algumas torcedoras, dentre elas Tainá Shinoda, tiveram a ideia de criar um grupo no WhatsApp, incialmente com 11 meninas, para que elas fossem juntas ao estádio. Hoje, o projeto cresceu e tem mais de 9 mil seguidores no Instagram.

O Futebol na Veia conversou com a publicitária Larissa Navarro, que é uma das administradoras do grupo. Ela falou sobre assédio, representatividade feminina no estádio e no futebol. Além disso, Lari relembrou momentos importantes contou tudo sobre o VerDonnas.

O começo

Larissa contou que já enxergava a necessidade de um movimento que apoiassem as mulheres na ida aos estádios, mas que o estopim para a criação do grupo foi o caso das duas palmeirenses expulsas do metro.

“A gente entendeu que tinha muitas mulheres que não tinham essa companhia, essa amizade para irem junto com elas. Então muitas evitavam de ir, muitas eram proibidas de ir justamente porque estavam sozinhas.”

Ela ainda falou sobre o crescimento do grupo e disse que muitas meninas se tornaram amigas, não só na arquibancada, com também na avida.

“A gente já tem quatro grupo no Whats App e todos cheios. As meninas por conta própria falam ‘a to na catraca de tal estação’. Elas mesmas já estão se incentivam a se encontrarem para que não andem nesse caminho sozinhas pelo medo todo e insegurança que elas tinham antes”.

Além disso, elas costumam se encontrar antes ou depois do jogo para conversar e comer alguma coisa.

“A gente costuma fazer muito pré jogo.”

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Apoio e incentivo

A publicitária explicou que a mídia e os clubes acabaram percebendo que as mulheres são grande parte nas arquibancadas, e que por isso, hoje a aceitação é muito maior. Mas ainda assim, identificou alguns problemas na promoção de campanhas.

“Assim, uma vez eles fizeram um projeto para o dia da mulher, onde as mulheres iam ter o setor destinado para elas e isso soou um pouco ruim. Porque as mulheres não querem um setor pra elas, elas querem só ir onde elas quiserem ir. Então eu enxergo que eles ainda têm um pouco de medo de como lidar com isso pra não lidar errado. Mas vejo uma aceitação muito maior.”

Em relação ao Palmeiras, o time não se manifestou sobre o movimento. Mas Lari acredita que eles não são contrários a ação.

“Infelizmente a gente não teve essa resposta, mas acredito que sim a gente tem esse apoio.”

O assédio no estádio

A palmeirense ainda falou sobre assédio no estádio e durante o caminho ao estádio.

“Hoje, eu enxergo muito mais o assédio no caminho, só de estar vestida com uma camisa do time parece que a mulher é mil vezes mais chamativa, do que no próprio estádio.”

“Até por que no estádio tem toda essa questão de organizadas e tudo mais que eles prezam literalmente pela organização dentro da arquibancada, onde eles não aceitam isso.”

Além disso, contou que o fato das meninas se apoiarem e estarem juntas fez com que diminuíssem os relatos das importunações.

“Tem reduzido sim, por que as mulheres estão andando mais juntas.”

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Futebol feminino

Lari falou que o grupo teve apoio da equipe feminina do Palmeiras, e que no aniversário de um ano do VerDonnas, a zagueira Stella participou do evento.

“Graças ao VerDonnas a gente pode ir em jogos do futebol feminino, a gente pode ir nos bastidores. Eu acho que isso é ainda mais importante, por que a gente nunca imaginou que fossemos ter tanto acesso, tanta oportunidade com o futebol feminino quanto a gente tem hoje.”

A torcedora defendeu que os times femininos têm ganhando mais incentivo e apoio dos clubes, mas que ainda assim precisam lutar para conquistar seu espaço e ganhar visibilidade.

“Muitos jogos do time feminino aconteciam uma hora antes do time masculino. E a maioria em Vinhedo, sempre distante. Então todas as vezes que foram mais perto, eram em dia de semana. Por exemplo, tinha vezes que o jogo era em uma quarta-feira, às 15h30 da tarde.”

“E essa coisa dos jogos do time feminino precisam mudar, precisam que os horários sejam diferentes, os dias, porque aí sim a gente vai ter mais público. Porque se a gente não tem público, não tem visibilidade, não tem patrocínio, não tem esse apoio necessário igual ao futebol masculino.”

Apesar disso, ela se mostrou otimistas e pontuou situações que podem ser o começo para essas mudanças acontecerem.

“Mas acredito que vai melhorar, porque tiveram iniciativas. Teve as meninas do São Paulo que jogaram no Morumbi.”

“E a gente teve o treino aberto do futebol feminino no Allianz, então já foi uma oportunidade muito grande. Eu acredito que aos poucos vai ter mais espaço e mais visibilidade para o futebol feminino.”

Copa do Mundo Feminina no Brasil

A administradora do Verdonas, falou que a possibilidade do país receber a copa do mundo em 2023, seria um marco para o futebol feminino. Já que este evento mexe com todos os brasileiros, seria uma oportunidade para que o esporte ganhe mais visibilidade.

“Sediar uma Copa aqui no Brasil, ainda mais depois disso tudo que está acontecendo, se for uma realidade boa, com certeza vai ser uma oportunidade gigante para o futebol feminino.”

Um momento marcante do VerDonnas no estádio

Para finalizar, Lari Navarro relembrou o dia de uma gravação. Ela disse que uma das meninas foi alvo de críticas machistas por parte de um torcedor durante a partida, e que a situação acabou gerando uma confusão generalizada na arquibancada. Mas que no fim, tudo foi resolvido.

“Não acontece sempre, mas parece que tava programado para acontecer justamente nesse dia.”

Apesar da confusão no começo do jogo, naquele mesmo dia, as meninas conseguiram levar para o estádio, torcedoras que nunca tinham ido.

“E bem nesses dias, graças a produção a gente conseguiu colocar umas meninas que nunca tinham entrado no Allianz.”

Confira a entrevista completa:

Foto Destaque: Divulgação / Twitter VerDonnas

Ana Paula Contado

Sobre Ana Paula Contado

Ana Paula Contado já escreveu 90 posts nesse site..

Meu nome é Ana Paula, tenho 20 anos, sou estudante de jornalismo e apaixonada por esporte, especialmente pelo futebol. Fascinada pela magia dos clássicos e leal a resenha, busco levar em meus textos a emoção de uma torcedora raiz.

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