Utilização do VAR no Brasileirão evitaria polêmicas?

Tecnologia foi utilizada na Copa do Mundo da Rússia 2018; jogos da 13ª rodada da série A tiveram lances polêmicos

Com as novas tecnologias surgindo a cada ano, muitos esportes estão se adaptando às novas tendências. Um exemplo é no vôlei, onde a tecnologia ajuda os árbitros a terem 99% de certeza em lances e também houve uma melhora na área da estatística. No futebol, diante de tantas polêmicas, a FIFA aprovou em 2016 o VAR (Video Assistant Referee, do inglês), conhecido no Brasil como Árbitro de Vídeo, mas que vem sendo utilizado em apenas algumas competições no Brasil. Diante disso, uma enorme discussão sobre a utilização do VAR divide torcedores, jogadores e dirigentes dos clubes. Em uma votação, antes do início do Campeonato Brasileiro, a maioria dos clubes votou contra a implantação do sistema na competição, o que gerou ainda mais divergências.

O VAR foi usado no Mundial de clubes de 2016 (com alguns problemas sérios) e na Copa das Confederações 2017 (já um pouco melhor). Nesta temporada, algumas das principais ligas do mundo também adotaram o sistema, notadamente a Bundesliga, a Serie A italiana e a Primeira Liga, de Portugal. A principal utilização do VAR se deu na Copa do Mundo da Rússia 2018. O sistema ajudou os árbitros, mas recebeu críticas de alguns países que se sentiram, ainda, injustiçados e prejudicados, exemplo da Colômbia e da própria Seleção Brasileira.

Árbitro de vídeo sendo utilizado na Série A da Itália (Reprodução/AIA.it)

A série A do Brasileiro não possui o sistema, que é substituído, ou melhor, “compensado”, com dois árbitros de linha de fundo, que ficam posicionados do lado dos gols. No início do ano, uma votação entre os dirigentes dos clubes que participam da competição barrou a utilização da tecnologia. Votaram a favor da implantação do sistema: Bahia, Botafogo, Chapecoense, Flamengo, Grêmio, Internacional e Palmeiras. Votaram contra: América, Atlético-MG, Atlético-PR, Ceará, Corinthians, Cruzeiro, Fluminense, Paraná, Santos, Sport, Vasco e Vitória. O São Paulo não votou porque seu presidente deixou a reunião antes da votação.

Se houvesse o VAR, os resultados da 13ª rodada do Brasileirão 2018, disputados nessa quarta-feira (18) e quinta-feira (19), poderiam ser diferentes. Durante o jogo entre Grêmio 2 x 0 Atlético-MG, várias reclamações foram direcionadas ao árbitro, que acabou ficando perdido em alguns momentos da partida, o que ocasionou em cera, reclamações, faltas duras e tempo perdido, fazendo com que a partida ficasse marcada pelo péssimo futebol. No duelo entre Flamengo e São Paulo no Maracanã, mais críticas. Jogos importantes que mexeram no início da tabela. No Pacaembu, dez cartões foram distribuídos pelo árbitro Dewson Fernando Freitas da Silva, em um jogo duro entre Palmeiras e Santos, que se houvesse o VAR, poderia ser mais tranquilo para Dewson.

Árbitro Nestor Pitana consulta VAR antes de marcar pênalti para a França contra a Croácia na final da Copa (Reprodução/David Ramos/Getty Images)

Além do custo, estimado em R$ 20 milhões nos 380 jogos da Série A, há procedimentos que precisam ser minuciosamente seguidos de acordo com a IFAB (International Football Association Board, o órgão responsável pelas regras do jogo). Não basta, portanto, só querer aplicar a tecnologia.

“Cada árbitro, assistente e operador de vídeo tem de passar por um período de testes para ser autorizado. Existe uma plataforma onde colocamos todo o material editado com todos os lances de treino para a IFAB avaliar”, explica o presidente da Comissão Nacional de Arbitragem, Marcos Marinho..

São quatro os tipos de lances que podem ser analisados pelo VAR, segundo a Fifa. São eles: Gols: O VAR auxilia o árbitro a determinar se houve alguma infração ou irregularidade no gol. Como o jogo já estará parado, não há impacto no jogo. Pênaltis: Ao função do VAR é garantir que não houve nenhum erro claro na atribuição (ou não atribuição) do pênalti. Cartões vermelhos: O VAR irá se certificar que não houve erro claro na expulsão (ou não expulsão) do jogador. Identidade errada: Caso o árbitro dê cartão amarelo ou expulse o jogador errado ou tem dúvidas sobre o jogador a ser punido. O VAR, assim, irá informar o jogador correto a ser punido, se é o caso. Não há possibilidade do Árbitro de Vídeo ser utilizado em outros lances, porque iria contra a resolução da Fifa sobre as situações onde se pode usar o sistema.

A tecnologia do VAR é uma inovação que pode amenizar os erros e trazer tranquilidade aos árbitros, para que não tomem atitudes precipitadas e para que as reclamações diminuam. Ter como conferir uma imagem em que a visão estava tampada é alívio ao árbitro para que não interfira diretamente nos resultados da partida. A regra do futebol tem muitos itens interpretativos e, por isso, sua aplicação continuará sendo subjetiva. O VAR tem como objetivo evitar os erros graves, como jogador sendo expulso por falta que outro cometeu; gols claramente impedidos sendo validados; gols claramente em posição legal sendo anulados; e por aí vai. Sua utilização ainda é uma discussão que durará algum tempo, mas que poderá ser implantada como obrigatória ao final da discussão.

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Sobre Iago Almeida

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Iago de Almeida Silva, mineiro, nascido em Seritinga e residente em Varginha, 25 anos. Estou cursando o 6° período de jornalismo no Grupo UNIS. "Desde criança sou vidrado pela área da comunicação. Estou me apaixonando a cada dia mais pelo Jornalismo Esportivo. Uma frase que me motiva: "O futuro não se encaixa nos contentores do passado" - Rishad Tobaccowala".


 

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Iago de Almeida Silva, mineiro, nascido em Seritinga e residente em Varginha, 25 anos. Estou cursando o 6° período de jornalismo no Grupo UNIS. "Desde criança sou vidrado pela área da comunicação. Estou me apaixonando a cada dia mais pelo Jornalismo Esportivo. Uma frase que me motiva: "O futuro não se encaixa nos contentores do passado" - Rishad Tobaccowala".

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