Uruguai: um país sem policiais nos estádios

A polícia uruguaia está proibida de entrar nas principais canchas desde 2014
URUGUAI CENTENARIO AUF

Por certo alguns países da América do Sul vivem momentos importantes na política. Seja para o povo chileno e suas manifestações, que já levaram cerca de 1 milhão de pessoas às ruas de Santiago. Uma marca muito relevante, considerando a população total da capital do Chile: 5,6 milhões de habitantes. Ao mesmo tempo, a Argentina descobriu quem vai comandar a nação pelos próximos quatro anos: Alberto Fernández junto a Cristina Kirchner, velha conhecida dos argentinos. Além disso, os nossos vizinhos do Uruguai também vão escolher entre os candidatos Daniel Martínez e Luis Lacalle Pou para a presidência do país. Caso eleito, Pou deverá seguir o viés de Sebastián Bauzá, ex-presidente da Associação Uruguaia de Futebol (AUF), e atual assessor de esportes do candidato. Dentre os anseios do ex-mandachuva está o retorno de ações policiais dentro dos principais estádios do país.

PORQUE A POLÍCIA NÃO ENTRA MAIS NOS ESTÁDIOS?

A decisão de barrar ações policiais dentro das canchas surgiu depois do confronto entre torcedores do Nacional e policiais, nas arquibancadas do Estádio Gran Parque Central, em Montevidéu. Conforme a derrota de 4 x 2 diante do Newell’s Old Boys-ARG, pela Copa Libertadores de 2014, parte da hinchada depredou as cadeiras, banheiros e tudo o que havia pela frente. 40 torcedores foram detidos e 13 policiais ficaram feridos. Como resultado, José Pepe Mujica, na época presidente do Uruguai, decidiu em retirar a cobertura da polícia em jogos de alto risco. Coincidentemente Sebastián Bauzá, aliado de Lacalle Pou nas eleições de 2019, era o mandatário da AUF quando Mujica fez o veto.

(Vídeo da confusão na partida entre Nacional e Newell’s)

No começo do ano vigente, Bauzá concedeu entrevista ao portal ‘Búsqueda’ e revelou alguns detalhes da conversa com Pepe Mujica na Torre Executiva, sede do governo uruguaio.

A experiência que tive com o governo foi depois de uma partida entre Nacional e Newell’s, que aconteceu uma confusão bárbara no estádio e a polícia entrou, e 48 horas depois o então presidente José Mujica nos convocou para a Torre Executiva com os presidentes de Peñarol e Nacional, Juan Pedro Damiani e Eduardo Ache, e nos disse que ele iria retirar a polícia das arquibancadas e que, se não votássemos no novo código de disciplina da FIFA, que estabelecia a remoção de pontos (dos clubes) em atos de violência, e se não comprassemos câmeras de segurança, não haveria futebol”.

Em seguida, Sebastián Bauzá explicou os empecilhos para que os desejos de Mujica fossem concretizados.

“Isso foi impossível. A primeira coisa que fiz foi fazer uma assembléia para votar no código que já tínhamos proposto, mas não tinha quorum e não pode ser feita a votação.”

Assim, com toda essa pressão, o mandatário da Associação Uruguaia de Futebol renunciou ao cargo às vésperas da Copa do Mundo no Brasil. E desde então, ações policiais são permitidas somente nos arredores dos maiores estádios do país. Dentro da cancha somente seguranças privados garantem a seguridade dos presentes no recinto.

POU E O RETORNO DA POLÍCIA

A decisão de Mujica foi tomada a 11 meses do fim de seu mandato como Presidente da República Oriental do Uruguai. Após deixar o cargo em 5 de março de 2015, Tabaré Vázquez, atual presidente, assumiu a nação. Vázquez e Pepe Mujica fazem parte do partido Frente Ampla. Desse modo, a decisão de manter a polícia fora dos principais estádios vigora até os dias de hoje. O “é” da coisa se trata do momento político vivido no Uruguai. Ou seja, caso Luis Lacalle Pou, candidato da oposição (Partido Nacional), vença Daniel Martínez (Frente Ampla) nas urnas, será iminente o retorno de ações policiais dentro das canchas.

Só para ilustrar qual é a situação das eleições uruguaias: o segundo turno será no dia 24 de novembro de 2019. Segundo a imprensa local, os dois partidos derrotados no primeiro turno, Cabildo Abierto e Partido Colorado, deverão apoiar a candidatura de Luis Lacalle Pou. Assim as chances de Pou vencer aumentaram significativamente. Além de decidirem o seu próximo presidente, o povo uruguaio também escolheu novos senadores e deputados.

Foto destaque: Divulgação/AUF

Luciano Massi

Sobre Luciano Massi

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Me chamo Luciano Massi, tenho 20 anos, sou paulistano. Estou no 6º semestre do curso de Jornalismo na Universidade Anhembi Morumbi. Desde criança fanático pelo futebol dentro e fora das quatro linhas, histórias que vão além do esporte. Produzo o Derbicast, podcast voltado ao futebol alternativo, dando enfâse aos esquecidos. Entretanto, nunca me dei bem com a bola...

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