A travessura da Macaca

O relógio marcava 20h de uma noite paulistana chuvosa. Noite de segunda-feira. Nas arquibancadas, era possível flagrar torcedores trajando roupas sociais. O happy hour seria no Pacaembu, para acompanhar seu time do coração. O abarrotado estádio estava tomado por 37.145 torcedores. Grande maioria era Peixe e gritava ‘Santos é o time da virada, Santos é o time do amor’. De um lado, o Santos, que jogava empurrado por cerca de 37 mil torcedores rumo à semifinal. Do outro, a Ponte Preta de Gilson Kleina, invicto no comando do time de Campinas, que outrora eliminou o Corinthians, no mesmo Pacaembu, em 2012, e derrotou o atual bicampeão paulista em seus domínios, na última semana. 

Logo no início do jogo, a Ponte Preta assustou: em um contra-ataque puxado pelo veloz Nino Paraíba, Lucas Veríssimo foi primordial para cortar o cruzamento que tinha Pottker como alvo. Na sequência, o Santos foi para cima, encurralou a Ponte Preta em seu campo de defesa e, decidido a dinamitar a vantagem do adversário nos minutos iniciais, promoveu uma blitz ofensiva. Ricardo Oliveira e Lucas Lima tiveram boas chances de abrir o placar. A bola não encontrou as redes, mas emanava uma certeza: o Alvinegro da Vila havia dominado a partida.

Quando o ímpeto ofensivo pareceu cessar-se, um gol improvável: Lucas Veríssimo ajeitou de puxeta e David Braz, o contestado zagueiro santista, emendou para o gol de voleio, no ângulo esquerdo de Aranha. 1 a 0 no placar. Explosão no mar branco.

Foto: Globoesporte.com

O Santos tinha 75 minutos para marcar mais um gol. A Ponte, então, foi copeira: abriu a caixa de ferramentas e passou a distribuir bordoadas nos jogadores santistas. O Pacaembu mimetizava um octógono: Wendel e Elton, dupla de volantes da Macaca, insistiam em matar as jogadas com certa rispidez; Thiago Maia, cuja imposição física é marca registrada, devolvia na mesma moeda, juntamente com Bruno Henrique.

O nível técnico da partida caiu sobremaneira. O jogo ficou fraco. Mais fraco somente o assoprador de apitos. O árbitro Rafael Gomes Felix omitiu-se, não puniu os jogadores quando necessário, demonstrou fraqueza e perdeu o comando do jogo. No linguajar da ‘boleiragem’, deitaram no juiz. Por fim, para coroar a atuação pífia, não marcou pênalti claro de Lucca em Bruno Henrique.

Ao final do primeiro tempo, parecia que o segundo gol santista sairia com naturalidade. Tirando o lance inicial, só o Santos jogou. Vanderlei assistia ao jogo de camarote.

Na segunda etapa, o Santos continuou pressionando. Não com o mesmo ímpeto do primeiro tempo, é verdade, mas o domínio ainda era claro. O gol quase veio aos 17, quando o péssimo Zeca trouxe – para variar – para dentro e finalizou com a direita. A bola, caprichosamente, beijou a trave.

Aos 25, a primeira defesa de Vanderlei. Ravanelli, que mostrou apuro considerável nas bolas paradas, cobrou pela falta e exigiu boa defesa do guarda-redes santista.

O jogo esfriou e no rosto dos santistas estampava-se o sofrimento. Os pontepretanos estavam satisfeitos com a derrota por placar mínimo. ”Que venham os pênaltis”, diria o torcedor da Macaca.

E eles vieram. Kayke abriu a série com um gol. Ravanelli empatou. Na segunda cobrança, o anti-clímax da narrativa envolvendo David Braz: o gol acrobático mitigaria as críticas às quais o beque é submetido com frequência; entretanto, na decisiva hora, cobrou mal, à meia altura, fraco, nos braços de Aranha, que já vestiu a camisa santista, mas que na noite de ontem foi algoz. 

Foto: Blog do Juca Kfouri

A partir daí, perfeição em todas as cobranças.

Na décima cobrança, Pottker, que catimbou deveras ao longo do jogo, deslocou Vanderlei, eliminou o Santos e classificou a Ponte Preta.

Agora o Santos voltará suas ambições para a Libertadores e para o Brasileirão. Dorival Júnior sabe que será cobrado. O ambiente não é dos mais favoráveis. Conselheiros pedem sua saída. A turma do amendoim é implacável. O desconforto é tamanho que o treinador santista teve de se voltar à torcida localizada atrás do banco alvinegro para explicar o porquê da substituição do lesionado Bruno Henrique.

Foto: Globoesporte.com

Em cenário diametralmente oposto, a Ponte enfrentará o melhor time da América Latina, Palmeiras, nas semifinais do Paulistão. Mais do que isso: o segundo clube mais antigo clube do Brasil, que já teve Carlos, Oscar, Polozzi, Juninho e Dicá, lutará para conquistar seu primeiro título. Tão cobiçado troféu em quase 117 anos de histórias.

Depois do triunfo de ontem, a Ponte tá com a Macaca.

André Siqueira Cardoso

Sobre André Siqueira Cardoso

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Sou André Siqueira Cardoso, tenho 21 anos. Aluno de jornalismo da Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP), atualmente trabalho em VEJA, com a cobertura do noticiário político. Apaixonado por esportes, jogador de futebol até hoje, tenho o sonho de cobrir uma Copa do Mundo.

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Sou André Siqueira Cardoso, tenho 21 anos. Aluno de jornalismo da Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP), atualmente trabalho em VEJA, com a cobertura do noticiário político. Apaixonado por esportes, jogador de futebol até hoje, tenho o sonho de cobrir uma Copa do Mundo.

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