Trabalho, sucesso e glória: Parabéns Muricy!

Existem pessoas que nasceram predeterminadas a fazer alguma coisa na vida, que tem a característica necessária para desempenhar aquela função, e foi assim com Muricy Ramalho. Nascido em São Paulo, no dia 30 de novembro de 1955, Muricy sonhou em ser jogador de futebol e foi atrás. Foi das categorias de base do São Paulo FC, entre 1965 e 1973, quando enfim tornou-se titular. Com um futebol refinado, caiu nas graças da mídia paulista sendo considerado um dos “sucessores de Pelé”. Pelo Tricolor do Morumbi conquistou o Paulistão de 1975, sendo considerado a revelação do torneio e o Brasileirão 1977. Teve frustração de não jogar a Copa do Mundo de 1978 devido a uma lesão no joelho. Ainda jogou do Puebla, onde conquistou o Campeonato Mexicano 1983 e América-RJ antes de encerrar a carreira.

Carreira como treinador

Se Muricy Ramalho era um ótimo jogador, com qualidades técnicas acima da média, como treinador de futebol foi diferente. Mas essa diferença foi para melhor. Tornou-se TOP dentre os treinadores da sua época. Iniciou a carreira de técnico logo que parou de jogar. Foi treinador do Puebla, em 1993, mas por pouco tempo. Inteligente que sempre foi, decidiu por aprender e estudar bastante antes de realmente se dedicar a assumir um clube e um compromisso.

Primeira oportunidade

Veio novamente para o clube que o revelou e começou por baixo, treinando o time infantil do São Paulo. Conta Muricy que uma grande oportunidade surgiu quando, durante o início do ano, todos de férias, e ele na praia, liga Márcio Araújo, treinador dos juniores do SPFC e pede para que vá assistir jogos dos times que eles enfrentariam na Copa São Paulo de Juniores, pois os dois treinadores dos times entre o infantil e o de Márcio não puderam ir por estarem de férias. Muricy então sai de suas férias e vai assistir aos jogos e passa relatórios a Márcio que, ao sair do clube em abril, indicou Muricy a Telê Santana, técnico do time principal, para seu lugar. Resultado: Campeão do Torneio da França de 1993, em sua estreia.

Telê Santana

Após isso, tornou-se auxiliar técnico de Telê (um dos maiores ídolos da história são-paulina, considerado um dos maiores técnicos da história do futebol brasileiro). Sob a batuta de Telê, Muricy comandou os reservas do São Paulo na Copa Conmebol de 1994 (torneio equivalente a Copa Sulamericana nos dias atuais), sagrando-se campeão com o time que ficaria conhecido por “Expressinho”, visto que eram o time B do Tricolor, pois o A disputava a Libertadores da qual haviam sido bicampeões (1992 e 1993) e foram vice em 1994. Telê ficou seriamente doente e deve de passar o bastão a Muricy, mas o treinador ainda não se sentia preparado o suficiente para enfrentar a pressão de substituir o “Mestre” e num dos maiores clubes do país.

“Trabalhar com seu Telê foi um privilégio muito grande […] Acho que as maiores influências que tenho dele são a simplicidade, o sentido de comando e o trabalho individual com os jogadores”

Início da jornada

Assumiu interinamente por algum tempo, mas logo voltou a ser auxiliar com a chegada de Carlos Alberto Parreira, campeão do mundo com. Seleção Brasileira em 1994. Muricy teve a oportunidade de sair logo que o novo técnico chegou, mas optou por ficar e aprender mais. Após muito tempo aprendendo, decidiu que chegou a hora de voar. Foi para a China treinar o Shanghaï Shenhua e conquistou a Copa da China de 1998.

Tempos depois, foi ao Náutico ganhar o Campeonato Pernambucano de 2001 e 2002. Em 2003 assumiu o Internacional e levou o Gauchão, além de fazer boa campanha no Brasileirão,o que o levou a treinar o São Caetano e dar o único título da história do clube do ABC paulista, o Campeonato Paulista de 2004, deixando para trás gigantes como São Paulo, Corinthians, Santos e Palmeiras. Sua boa campanha o levou de volta ao Internacional, em 2005, já com status de grande treinador. Levou mais um Campeonato Gaúcho e foi vice-campeão brasileiro, no campeonato vencido pelo Corinthians e cheio de escândalos envolvendo o time paulista.

Após mais um excelente ano, tomou um passo que mudaria seu status de grande treinador para TOP do Brasil. O São Paulo havia acabado de ser campeão da Libertadores e do Mundo e o técnico Paulo Autuori saiu para assinar contrato com o Kashima Antlers, do Japão. Muricy então retornou ao clube do qual fora feliz para ser ainda mais feliz. No ano de estreia levou o time a final da Libertadores e perdeu justamente para seu ex-clube, o Internacional. Mas logo em seguida foi Tricampeão Brasileiro de forma consecutiva (2006, 2007 e 2008) feito inédito até hoje. Tornou-se sinônimo de trabalho com a frase: “Aqui é trabalho, meu filho!”.

Por questões políticas, acabou sendo mandado embora em 2009, ano que assumiu o Palmeiras, chegou a liderar boa parte do campeonato, mas os últimos jogos foram péssimos e o clube não só perdeu o título como a vaga na Libertadores. 2010 foi outro ano para brilhar e assumiu o Fluminense, levando time a conquista do Campeonato Brasileiro, o quarto brasileiro do técnico. Durante o comando do time carioca, foi chamado pelo então presidente da CBF Ricardo Teixeira para assumir a Seleção Brasileira para a Copa do Mundo de 2014, mas sempre teve a política de cumprir seus contratos até o final, recusando o cargo, além de alegar falta de profissionalismo do presidente que tratou a reunião como simples, achando que se tratava apenas de dinheiro. Além de campeão com o Fluminense foi eleito no Prêmio Craque do Brasileirão de 2010, pela quinta vez, o melhor treinador do Brasil.

Assumiu o Santos de Neymar em 2011 e foi campeão Paulista: 2011 e 2012, Libertadores da América 2011 e Recopa Sul-Americana 2012. Ficou no clube até 2013, quando voltou ao São Paulo para livrar o time do rebaixamento. Em 2014, montou um bom time e, principalmente com a chegada de Kaká, foram vice-campeões brasileiros, título que o Cruzeiro levou.

Com a saúde debilitada por conta de uma diverticulite, rescindiu com o São Paulo. Ainda tentou ser treinador do Flamengo em 2016, mas ficou pouco tempo no cargo. Atualmente é comentarista esportivo dos canais SporTv.

Sua humildade e estilo trabalhador fizeram a fama do vencedor técnico que sempre foi. Imortalizou palavras e frases no futebol:

“Aqui é trabalho, meu filho!”

“A bola pune!”

O “Muricybol”, segundo o jornalista Mauro Cezar Pereira, da ESPN:

  • Defesa sólida, forte, eventualmente com três zagueiros;
  • Volantes combativos e implacáveis, se tiverem bom passe, melhor;
  • Simpatia por zagueiros-laterais, como Breno e Paulo Miranda;
  • Jogadores altos;
  • Apertou? Bola pro mato porque o jogo é de campeonato;
  • Capacidade para “cavar” faltas que permitam ameaçadores cruzamentos sobre a área inimiga;
  • Especialistas em alçar a bola na área rival, como o inesquecível Jorge Wagner;
  • Minimizar os próprios erros ao extremo, não se expor;
  • Explorar os erros rivais ao máximo, se aproveitar de quem se arrisca, se expõe;
  • Se tiver no time um jogador que desequilibre, use o ao extremo, casos de Conca, no Fluminense, e Neymar, no Santos, quando o time adotava o “4-2-3-bola-no-Neymar”;
  • E finalmente, claro, eficiência na jogada aérea, ofensiva e defensiva;

Eric Filardi

Sobre Eric Filardi

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Quando pequeno quis ser jogador. O sonho de criança passou. Uma vida nova se anseia. Bem-vindo ao melhor site de futebol. Bem-vindo ao Futebol na Veia. Sou Eric Filardi, paulistano de 25 anos, jornalista de formação e apaixonado por futebol.Como todo jornalista amo escrever. Como todo brasileiro amo futebol. Tenho meu clube e minhas preferências, mas viso o profissionalismo e a imparcialidade, sem deixar de lado a criatividade. Sou Tricolor, sou Peixe, sou Palestra e sou Timão. Sou da Colina, Botafogo, sou Flu e sou do Mengão. Sou Brasil, sou Hermano, francês e italiano. Sou Ghiggia, Paolo Rossi, Caniggia e Zidane. Sou Alemanha dos 7 a 1, mas que o povo não se engane. Também sou Ronaldo, Romário, Zico, Garrincha e Pelé. Sou Bundesliga, MLS, Eredivisie e Premier. Sou das várzeas e dos terrões, sou Clássico das Multidões. Sou sul, sou nordeste, Amazônia e Pantanal. Sou Galo, sou Raposa, sou Bavi e sou Grenal. Sou Ásia, sou África, sou Barça e sou Real. Sou as Américas, a Europa, sou o mundo em geral. Sou a festa nas arquibancadas, que o estádio incendeia, sou Futebol na Veia.

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