Torcedores do Nacional invadem AUF, ameaçam árbitros, e rodada uruguaia é adiada

- Acusando os árbitros de "roubarem" o tricolor, decidiram protestar contra a Associação Uruguaia de Futebol

Que o futebol uruguaio vive um crise o povo já está cansado de saber. E não crise técnica, é política! Os problemas voltaram a acontecer em 2019, mas não os mesmos. Desta vez foi a torcida do Nacional interviu e fez com que a 11ª rodada do Apertura Uruguaio fosse adiada por falta de segurança aos árbitros. Os times nem saíram para os estádios dos rivais, pois já sabiam desde ontem (26) que não haveria rodada. Isto porque um grupos de torcedores invadiu a Associação Uruguaia de Futebol e ameaçou a comissão de árbitros que, de prontidão após reunião, emitiu comunicado e suspendeu a rodada.

No fim de 2017, os jogadores entraram em greve para barrar uma extensão do contrato de cessão dos direitos de transmissão do futebol local. Em 2018, o Campeonato Uruguaio foi paralizado pela falta de segurança que sentiam os árbitros ao apitarem as partidas. Isso devido a uma agressão sofrida por um dos juízes em jogos de base. A situação se normalizou depois de quase um mês de paralisação. Tempos depois, foi a vez dos jogadores intervirem e pedirem melhores condições de trabalho, divisão de cotas e afins. Em meados de 2018 a ocasião da renúncia do Presidente da AUF, por escândalos de corrupção, fez com que FIFA intervisse e tomasse conta da entidade máxima do futebol uruguaio.

Entenda o caso

A FIFA, enfim, saiu da gestão do futebol uruguaio e deixou com que o novo presidente, o economista Ignacio Alonso, no comando da entidade. Desde então, depois de sete meses de intervenção, tudo bem no campeonato. As únicas mudanças, porém, era um Fénix muito bom e um Nacional muito ruim. Com isso, os Albivioletas seguiam firme na disputa da liderança. Por outro lado, os Tricolores trocaram de técnico e melhoraram no Uruguaio. Mas a torcida não estava feliz com a arbitragem. Os hinchas (torcedores em espanhol), então, resolveram intervir. Na noite de ontem, por volta das 19h (horário de Brasília), um grupo de seis a sete fãs identificados com as cores do Nacional entraram nos escritórios da AUF, segundo contam as testemunhas. Sem chamar a atenção, retiraram três faixas de um saco pretos e começaram a protestar contra a arbitragem, um deles particularmente ofensivo.

Desta forma, mais uma vez a violência venceu no futebol. Desta vez não era física, mas verbal e escrita contra árbitros. Os cartazes diziam: “Juiz ladrão! Pare de roubar o Nacional” , dizia um. “AUF, caverna de corruptos e ladrões”, expressou outro. O pior de todos tinha um nome e um sobrenome. Foi dirigido a Darío Ubriaco (ex-árbitro e chefe da Comissão de Arbitragem) e continha um insulto: “Ubriaco, Filho da p@#$!”. Ao ouvir isso, os árbitros começaram a ligar um para o outro e convocaram uma reunião urgente. Conversas, caras sérias, mas, acima de tudo, muita preocupação.

A SUSPENSÃO

“Esta suspensão é dada por uma soma de coisas. Tudo começou no fim de semana, continuou nos dias seguintes e culminou com isso da AUF. Não são dadas garantias para arbitrar”, disse Danilo Giménez (vice-presidente da Associação Uruguaia de Árbitros de Futebol) ao programa Hora 25 (Radio Oriental) depois de uma longa reunião realizada em caráter de urgência. Como disse Gimenez, tudo começou no fim de semana passado, quando a arbitragem anulou um gol (num lance muito difícil) alegando que Mathías Viña estava impedido. Na ocasião, o Nacional empataria em 4 x 4. Porém, ficou com 4 x 3 e, aos 94′, Bergessio fez o gol de empate, ou seja, aquele gol mal anulado lhes daria a vitória. Aos 92′, o goleiro do Fénix tirou a bola de dentro do gol e o juiz não viu.

Diante disto, a AUF primeiro e o Nacional minutos depois, emitiram comunicados à imprensa. A Associação foi leve com o comunicado e simples. Apoiou os que se sentiram ofendidos e repudiou os opressores. Já o Nacional, tratou e desvincular-se com os torcedores e, obviamente, repudiar qualquer ato de violência. Não manisfestaram dizeres de que não eram torcedores do clube, até porque os vídeos os mostram com o uniforme, mas enfatizaram que estes não representam nem o pensamento do Nacional, quanto de sua “real” torcida. Ainda afirmaram que sempre foram respeitosos com às autoridades uruguaias. Concluíram que podem discordar e criticar, mas sempre respeitando e sem afetar a moralidade e dignidade.

AUF

Nacional

Ações

Assim como a AUF foi leve em sua declaração, nas ações está determinada a tomar medidas drásticas. Como primeiro passo, usarão a filmagem da câmera na sua sede para tentar identificar as pessoas. Após isso, os incluirá na lista negra para que eles não possam entrar nos estádios. Além disso, farão uma queixa criminal.

Os causadores do problema

Amargurado e preocupado. Essa é a sensação de Javier Curbelo, porta-voz da Guardianes de Nacional (torcida do clube). No programa “Rumbo a la Cancha” (VTV), o torcedor tricolor explicou os motivos e, como já havia feito nas redes sociais, pediu desculpas em nome do pequenos número de torcedores:

“Nós não queríamos causar o problema ocorrido. Pedimos desculpas a todo o futebol uruguaio, Dario Ubriaco e seus familiares, dirigentes e funcionários da AUF e especialmente o fã do Nacional, porque há alguns que estão muito chateados”, contou Curbelo que ainda explicou: “A ideia era falar com pessoas da AUF, mas de canto, como pensávamos. Tínhamos boas intenções em nossos planos. Porém, um mal foi feito e semeado. Queremos pedir desculpas a todos”.

Contudo, ainda afirmou que o ato fazia sentido porque foi um erro: “Não estamos justificando o fato, porque estamos convencidos de que a ação não estava certa, o que mais dói é que esse pequeno grupo de pessoas tem sido a faísca para suspender a rodada”. A “visita” da Guarda Nacional à AUF foi o gatilho que selou o adiamento da rodada, pois, na semana, o árbitro de Fénix x Nacional recebeu uma ligação em que o ameaçaram e ninguém tinha dito nada, de alguma forma ou de outra, sobre suspender a rodada.

Eric Filardi

Sobre Eric Filardi

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Quando pequeno quis ser jogador. O sonho de criança passou. Uma vida nova se anseia. Bem-vindo ao melhor site de futebol. Bem-vindo ao Futebol na Veia. Sou Eric Filardi, paulistano de 27 anos, jornalista pós-graduado em Jornalismo Esportivo e apaixonado por futebol. Como todo jornalista amo escrever. Como todo brasileiro amo futebol. Tenho meu clube e minhas preferências, mas viso o profissionalismo e a imparcialidade, sem deixar de lado a criatividade. Sou Tricolor, Peixe, Palestra e Timão. Sou da Colina, Glorioso, Flu e Mengão. Sou brasileiro, hermano, francês e italiano. Sou Ghiggia, Paolo Rossi, Caniggia e Zidane. Sou Alemanha dos 7 x 1, mas que o povo não se engane. Também sou Ronaldo, Romário, Zico, Garrincha e Pelé. Sou Bundesliga, MLS, Eredivisie e Premier. Sou das várzeas e dos terrões. Sou Clássico das Multidões. Sou Sul, Nordeste, Amazônia e Pantanal. Sou Galo, Raposa, Bavi e Grenal. Sou Ásia e África. Sou Barça e Real. Sou as Américas, a Europa, sou o mundo em geral. Sou a festa nas arquibancadas, que o estádio incendeia: sou Futebol na Veia.

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