Torcedoras: A paixão das mulheres pelos 20 maiores clubes do Brasil – Edição Minas Gerais

Mulheres ganham cada vez mais espaço entre as torcidas no Brasil. Futebol é cada vez mais “delas”.

Acompanhar seu time do coração no estádio e no meio da torcida pode parecer algo natural e comum no universo masculino. No entanto o cenário é diferente quando se é uma torcedora. As arenas de futebol costumam ser um ambiente hostil para as mulheres que frequentam, muito por conta dos xingamentos e até situações constrangedoras. Contudo, elas estão ganhando cada vez mais espaço num lugar antes dominado pelos homens, já é habitual encontra-las nas arquibancadas e muitas vezes dentro das quatro linhas exercendo funções nas equipes de arbitragem.

Nesta sessão semanal conheceremos 20 torcedoras dos clubes que disputam a séria A do Campeonato Brasileiro de 2017, afinal amor pela camisa também é coisa de mulher. Hoje conheceremos duas torcedoras fanáticas pelos clubes que protagonizam um dos maiores clássicos do Brasil

Cynthi Alves – Atlético Mineiro

Não é novidade que a torcida atleticana sempre teve uma ligação muito especial com o Galo e ganhou força nos últimos anos. Em especial, a campanha da Libertadores em 2013 marcada pelo “Eu acredito” que tomava conta das arquibancadas do Independência e empurraram o Atlético Mineiro ao inédito título da América. Cynthia lembra com emoção dos jogos decisivos daquela competição.

“Foi a emoção mais forte e mais intensa que eu senti na minha vida, aquilo foi sensacional. O Galo revertendo placares impossíveis, na semifinal e final, aquele pênalti defendido pelo Victor é inesquecível. Hoje vejo que nada é impossível para o meu Galo, eu sou fanática, doente, louca pelo Galo”.

A paixão da mineira de Belo Horizonte começou ainda criança, quando seu pai a levou ao Mineirão pela primeira vez. “Meu pai sempre levava meu irmão em todos os jogos, até que um dia me perguntou se eu queria ir ao Mineirão para conhecer, me levou em um Galo e Vasco, em 2008, onde o jogo ficou 4×1 para o Atlético, depois que vi a torcida me apaixonei”.

Apesar da magia que o estádio Independência proporcionou ao Galo Vingador, Cynthia revela a preferência pelo Mineirão. “Eu sou apaixonada pelo Mineirão, lá é a casa do Galo e sempre vai ser. A história do Atlético está toda lá”.

Sobre a fase atual do clube, dono da 9ª pior defesa da competição, a torcedora aponta alguns fatores que explicam a fase ruim. “A liderança geral da fase de grupo da Libertadores e o título do Campeonato Mineiro deram impressão de que o Galo destruiria no Brasileiro, mas está em má fase. Muitas coisas estavam atrapalhando, muitos desfalques, mudanças táticas, dificuldades na criação, muitos gols sofridos, o Galo não finaliza muito e com isso não surgem os gols”.

Fã do goleiro Victor e do ídolo Tardelli, Cynthia revela que desejaria outro nome do comando do Galo após a saída de Roger. “Ele (Roger) não mexia muito bem no time, eu gostaria muito de ver o Cuca no Galo de novo”.

A torcedora acredita que seu time possa se recuperar no Brasileirão e sonha com a vaga na Libertadores em 2018. “Acredito que o Galo dê a volta por cima e se Deus quiser nesse segundo turno volte com raça a cada jogo, com vontade de vencer, porque com o elenco que tem, pelo respeito que ele conquistou depois de tantos anos não pode ficar fora da Libertadores, é obrigação”, completou.

Caroline Trindade – Cruzeiro

Como não contrariar um pai cruzeirense e uma mãe atleticana? A Caroline encontrou a solução. “Quando eu era bem pequena falava que torcia para o Brasil, para não contrariar nenhum dos dois. Sempre tive uma afinidade maior pelo Cruzeiro, quando fui ficando um pouco mais velha decidi ser cruzeirense e desde então eu sou apaixonada pelo meu time. Fui crescendo, pegando amor e fiz uma escolha consciente que eu estava escolhendo o melhor time de Minas para torcer”.

Frequentadora assídua dos estádios para ver a Raposa, a torcedora lembra com carinho de um jogo marcante até para a torcida rival. “Um jogo que será sempre inesquecível foi o dia que o Cruzeiro fez 6×1 em cima do Atlético. Foi em Sete Lagoas, o Cruzeiro precisava de um resultado positivo no jogo para permanecer na série A, e então estávamos todos muito pressionados, temendo um resultado negativo que poderia nos mandar para série B e ainda mais diante do nosso maior rival. E então o Cruzeiro surpreendeu e fez a maior goleada em cima do Atlético”, disse a torcedora relembrando a campanha ruim do time celeste no Brasileirão de 2011.

A fanática conta também que deseja ver jogadores pouco utilizados pelo técnico Mano Menezes de volta aos titulares. “Estou esperando para ver o Messidoro, ver se é só mais uma peça de reposição do time ou se ele pode ser um possível titular”, ela ainda lembra de outro gringo que anda esquecido pelo comandante. “O Arrascaeta, jogador de extrema habilidade e raça. Voltou de lesão e tem ficado para trás no jogos”.

Caroline apoia o time do coração e recomenda às outras torcedoras que façam o mesmo. “Nós mulheres estamos conquistando espaço na sociedade cada vez mais e lugar de mulher é no estádio sim! De crianças, famílias, é muito bom torcer para o seu time! Todas as mulheres que ainda não foram ao estádio, vão! Não tem sensação melhor do que você poder torcer para o seu time, poder opinar, e entender da mesma forma que os homens. Nós temos o mesmo amor que eles”.

Arnaldo Santos

Sobre Arnaldo Santos

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Arnaldo Santos, 25 anos, estudante do último semestre de Jornalismo naUniversidade de Ribeirão Preto. Apaixonado por futebol, começou aacompanhar as ligas internacionais em 2005. Escreve desde 2013 para sitesde blogs esportivos. Pesquisador de estatísticas, tenta traduzir o futebol emnúmeros. Defende que não se deve comparar Pelé, Maradona e Messi, vistoque jogaram em épocas diferentes. Fã assumido do 4-2- 3-1.

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Arnaldo Santos, 25 anos, estudante do último semestre de Jornalismo naUniversidade de Ribeirão Preto. Apaixonado por futebol, começou aacompanhar as ligas internacionais em 2005. Escreve desde 2013 para sitesde blogs esportivos. Pesquisador de estatísticas, tenta traduzir o futebol emnúmeros. Defende que não se deve comparar Pelé, Maradona e Messi, vistoque jogaram em épocas diferentes. Fã assumido do 4-2- 3-1.

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