Thiago Amaral: o brasileiro que ajuda a construir o “novo Iraque”

Na coluna desta semana você vai conhecer as particularidades do futebol no Iraque, país marcado por guerras, mas que hoje vive uma nova fase de paz.

Mais um dia da nossa coluna, nesta semana vamos para um novo continente. Iremos embarcar para um novo caminho, partimos rumo ao Iraque, país da Ásia. Thiago Amaral – meio-campo brasileiro do Erbil SC – será o nosso guia em busca das particularidades do futebol iraquiano. Guerras, grupos terroristas, homens-bomba. De acordo com o jogador brasileiro, essas situações ficaram no passado do país árabe. Ao longo desta reportagem, falarei mais sobre a paz do novo Iraque.

Marca da Liga Iraquiana (Reprodução/Wikipedia)

A Premier League Iraquiana é composta por 20 clubes, que jogam entre si por dois turnos, totalizando 38 rodadas. O campeão leva uma vaga direta na fase de grupos da Champions League da AFC, já o segundo colocado conquista um lugar nos playoffs da Champions asiática.

O FUTEBOL IRAQUIANO

Natural de São Bento do Sul/SC, Thiago Amaral tem 26 anos. É meio-campo, e tem passagens ainda nas categorias de base por clubes como Avaí, Grêmio, Coritiba e Figueirense. O jogador brasileiro que desde janeiro de 2018 está no Iraque conta que sua adaptação foi difícil.

“A adaptação foi difícil devido à liga ser de muita força física”, disse.

O Iraque atualmente tem cerca de 38 milhões de habitantes, a capital é Bagdá, as línguas oficiais do país asiático são o árabe e o curdo. No aspecto de comunicação Thiago afirma que não teve muito problemas, visto que o meio-campo fala inglês e árabe.

“Já estou passando no terceiro país árabe, então a língua já não é tão estranha”, contou o jogador que tem passagens pelo futebol de Omã e Líbano.

O Erbil SC, clube que Thiago Amaral joga, é da cidade com o mesmo nome do time, com cerca de um milhão e duzentos mil habitantes. A equipe fez história na temporada 2013-14 onde pela primeira vez um clube iraquiana contratou um jogador estrangeiro, feito histórico no país árabe. O clube já venceu a liga iraquiana quatro vezes.

Franso Hariri Stadium, local onde o Erbil manda seus jogos. Tem capacidade para 40 mil torcedores, é o segundo maior estádio do Iraque (Reprodução/WikiMapia)

O NOVO IRAQUE

No Iraque, cerca de 95% da população é da religião do Islã. Ao ser questionado se já sofreu algum tipo de problema em virtude das rígidas leis islâmicas, Thiago disse:

“Nunca passei nenhuma situação complicada aqui por causa de religião, o país é islâmico, mas respeita muito outras religiões assim como nós, falou o meio-campo do Erbil SC.

O passado do Iraque é de guerras, homens-bomba e muita destruição, mas, segundo Thiago tudo isso ficou para trás. O jogador relatou que em quase um ano no país árabe jamais presenciou nenhum tipo de violência deste sentido. Thiago ainda contou que levou sua esposa e seus filhos para morarem no Iraque.

“O mais importante é que aqui está muito seguro, inclusive mais seguro que muitas cidades no Brasil”, afirmou.

VOLTA AO BRASIL

O último clube de Thiago no Brasil foi o Espírito Santo/ES. O jogador disse que não tem planos de voltar ao seu país natal e, que inclusive pensa em encerrar a carreira no país árabe.

Thiago com a camisa de seu último clube no Brasil, Espírito Santo (Reprodução/Gazeta SBS)

“Estou feliz aqui e construindo uma história muito bonita. Já tenho o respeito e carinho do país inteiro. Pretendo passar alguns anos aqui, quem sabe até encerrar aqui mesmo”, concluiu Thiago Amaral.

João Guilherme Dias

Sobre João Guilherme Dias

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Nordestino, estuda Jornalismo e tem três paixões: Fluminense de Feira/BA, Corinthians e Atlético de Madrid. Mas torcer para três times? Sim, o amor ao futebol não cabe apenas em único clube.

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João Guilherme Dias
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Nordestino, estuda Jornalismo e tem três paixões: Fluminense de Feira/BA, Corinthians e Atlético de Madrid. Mas torcer para três times? Sim, o amor ao futebol não cabe apenas em único clube.

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