Bruno Militz, conquistando o território Norte-Americano

Bruno Militz é natural da cidade gaúcha de Santa Maria que fica há 290KM de distância da capital Porto Alegre. Formado em administração de empresas, tinha a ideia de fazer um intercâmbio, para adquirir uma nova língua, mas o futebol apareceu como a porta de entrada para esse objetivo e após um bom período trabalhando em uma empresa do seu pai, decidiu que era a hora de mudar:

– Foi então que eu decidi sair da empresa do meu pai, e antes de tentar a ideia de fazer um intercâmbio, decidi tentar jogar futebol, pois sempre fui muito elogiado nas partidas que jogava (mesmo de brincadeira com amigos), e pensei que se eu chegasse com 30 anos e olhasse pra trás e nunca tivesse nem tentado jogar futebol, me arrependeria pro resto da minha vida.

Mesmo nunca antes ter tentado nenhum tipo de peneira em algum clube no Brasil, Bruno através de um programa de intercâmbio, chamado Next Academy, que oferecia bolsas em universidades americanas através do futebol, uma oportunidade de cumprir os dois objetivos mais importantes naquele momento da sua vida de uma vez só. A saudade da família no interior do Rio Grande do Sul aperta, mas ao mesmo tempo, se torna mais um motivo para Bruno Militz continuar em terras distantes e a determinação para conseguir o que quer, é determinante para a conquista desse sonho:

– Esta sempre é a parte mais difícil, mas eu estava muito focado e feliz com minha realização, isso fez com que me desse forças pra continuar e não desistir. Não é fácil você chegar a um país sem ter amigos, sem saber falar a língua e sem saber a cultura. Se eu não desisti no primeiro ano, não tem porque desistir mais.

Ao chegar nos Estados Unidos, Militz teve grata surpresa em todos os aspectos. A Lynn University, que fica em Boca Raton, cidade localizada no estado da Flórida no condado de Palm Beach, oferecia uma estrutura digna de times de Série A do Campeonato Brasileiro e alguns personagens foram importantes no processo de adaptação do jogador na cidade e na universidade:

– Fiquei muito surpreso com a organização do país e principalmente de poder estudar e não desistir do sonho de jogar bola ao mesmo tempo e todos os fatores possíveis foram surpreendentes. Hoje em dia depois de conhecer pessoas como Luizão, Márcio Amoroso e Athirson, confirmo o fato de que a estrutura que temos é melhor que alguns times da primeira divisão do Brasil.

Bruno conta a experiência de poder jogar ao lado de jogadores que fizeram carreira e muito sucesso nos gramados pelo Brasil e pelo mundo todo, como Amoroso e Luizão:

– Eu sempre digo que se eu terminasse minha carreira hoje, eu estaria mais que feliz por ter tido a experiência de conhecer e jogar com pessoas como eles. Além deles, temos nosso atual treinador Athirson, também outro ídolo do futebol, é o jogador Edmar que jogou 14 anos na Ucrânia. Todos eles passam um grande aprendizado pra nós, se você quer crescer você escuta o que eles tem pra te dizer como dica e aplica na prática, é simples porém trabalhoso, muitas vezes temos que sair da zona de conforto.

Em Boca Raton, Bruno consegue se destacar. Em duas temporadas, foram 6 gols e 7 assistências pelo time da universidade, já pela equipe da cidade, os números são o inverso do que foi o desempenho na Lynn, 7 gols e 6 assistências. Ele conta a reportagem do Futebol Na Veia, como foi a decisão de se encontrar em uma posição dentro das quatro linhas do campo de jogo:

– Eu sempre joguei na frente. Sempre gostei de fazer gols até porque tenho uma característica de velocidade, mas quando cheguei aqui não me adaptei mais a posição de atacante, porém, achei uma que gostei mais ainda, que é jogando pelas pontas como um segundo ou terceiro atacante dependendo da formação do treinador.

Bruno Militz ajudou os The Pirates, assim como é conhecido o Boca Raton FC, a serem bicampeões da APSL (American Premier Soccer League), é um dos diversos campeonatos que são desmembrados que existem no EUA, genericamente colocado como uma segunda divisão do Soccer. Pela universidade, na Sunshine State Conference, Bruno ajudou a equipe a ser campeã em 2016. Todos essas estatísticas fazem a cidade se envolverem mais com o esporte. O atleta conta que a franquia contribui fazendo seu papel social diante da comunidade:

– O clube se envolve diretamente com a cidade à partir de eventos que são criados, nas quais a gente é voluntario para ajudar crianças muitas vezes, entre outros. O principal é o marketing do time, quando por exemplo fizemos amistosos contra São Paulo FC, Shakhtar Donetsk, New York Cosmos, tanto a partida quanto todo marketing envolvido antes e depois é importante porque o nome da cidade sempre está no meio

Falando nesses amistosos, muitos não têm a possibilidade de fazer grandes jogos, mas para o jogador e os seus companheiros a oportunidade foi a melhor possível, pois jogar com times de camisa e reconhecidos mundialmente foi algo de encher os olhos:

– Estes jogos são mais importantes que qualquer outro, mesmo você não estando no mesmo nível que eles estão, a experiência que você adquire por entender o quanto você tem que melhorar para chegar lá, não tem preço.

Já quando o assunto é futebol brasileiro, o atacante dos Pirates afirma que tenta manter contato com a cultura do esporte mais amado do seu país natal. Dentro do país onde reside, ele ainda vê dificuldades de visibilidade, principalmente na mais importante Liga americana, a MLS, mas ele confessa sua preferência por uma liga em especifico:

– O único campeonato que eu realmente assisto é a Premier League, onde eu considero um futebol de alto nível e também aprendo muito com cada jogo que assisto. Quanto a MLS, acho que ainda tem muito o que crescer para se tornar atrativo de assistir. E quanto ao Brasil, alguns jogos importantes eu me reúno com alguns amigos para assistir, mas perdi muito contato desde que vim pra cá por causa da distância.

O atacante é inspirado por três grandes nomes do futebol mundial: Cristiano Ronaldo, Ronaldo “Fenômeno” e Zinedine Zidane, atual treinador do Real Madrid. Sobre o primeiro deste seleto top três, Bruno admira seu desempenho e dedicação, pois demonstra que qualquer jogador pode melhorar se ir atrás e se dedicar. Falando em dedicação, o jogador do Boca Raton precisou passar por uma séria lesão que o deixou combatido por um por tempo, mas como poucos imaginam, Militz resolveu olhar o lado positivo de toda essa dificuldade:

– Pode parecer estranho, mas este mês que fiquei de fora por causa da lesão, foi um mês que eu refleti muito sobre minha vida e consegui voltar ainda mais focado e determinado em busca do meu sonho. Não sei se estaria com a mesma disposição se não fossem aqueles momentos. São as dificuldades que a vida nos impõe, e eu sou da teoria de que tudo acontece por uma razão da vida, então olhando pelo lado positivo, foi muito bom e com certeza me fez voltar ainda mais determinado.

Com inspirações de alto nível em sua vida profissional o atleta sonha, porque não, em chegar a vestir a camisa amarelinha da sua seleção nacional, mas ele mantém os pés no chão e tem a consciência de tentar um passo de cada vez na sua carreira:

Quero crescer muito ainda dentro do ramo do futebol, sonho com isso todos os dias. Nunca parei para pensar sobre a questão de querer ser convocado ou não pela seleção em um futuro, acredito que estou um pouco longe deste nível, porém se um dia tiver uma chance maior, pode ter certeza que me esforçarei para chegar lá.

Depois de todas as histórias que Bruno Militz passou para chegar até onde está até agora, ele deixa um recado a quem pensa em seguir o sonho de uma carreira profissional no futebol, seja ela aqui mesmo no Brasil ou quem pensa em voar mais alto em terras distantes como o próprio fez:

– Tudo que vocês decidirem fazer da vida, façam sempre com amor e façam o que vocês gostem, não liguem para o que as outras pessoas acham que você deve fazer, faça o que vocês querem fazer pois quando fizemos as coisas que amamos, não existe dia, feriado ou hora ruim, pois você sempre estará se divertindo e fazendo o que mais gosta. Por último, mas não menos importante, não desistam. Eu canso de ver pessoas desistindo e talvez elas estavam tão próximas de conseguir o que elas queriam. Dificuldade todos nós seres humanos passamos, a diferença das pessoas normais para as pessoas bem-sucedidas é como elas lidam com as dificuldades.

Ruan Silva

Sobre Ruan Silva

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Meu nome é Ruan Silva da Silva, tenho 24 anos, moro na cidade de Altamira no Pará. Sou graduado na área de Letras, com habilitação em Língua Portuguesa e no momento pós-graduando na área de Linguagem e Ensino, ambos pela Universidade Federal do Pará (UFPA). Sou deficiente físico, tenho dificuldades na questão da locomoção, que dificulta um pouquinho as coisas, mas nada que impeça de exercer diversas atividades. Sou apaixonado por todos os esportes, principalmente pelo futebol, corintiano e simpatizante de diversos clubes na Europa que não cabem todos aqui e apaixonado também pelo jornalismo esportivo tendo como ídolos, ícones como Galvão Bueno, Luciano do Valle, André Henning, Vitor Sérgio Rodrigues e outros mais. Uma curiosidade minha é que consegui na graduação em um ambiente voltado aos estudos de ensino e aprendizagem, incluir o futebol no principal trabalho dos quatro anos de curso, o TCC. Escrevi sobre Nelson Rodrigues e a Copa de 1950, temas raramente trabalhados numa graduação como essa. Enfim! Sonho em um dia trabalhar efetivamente na área que tanto amo e acredito que posso fazer um bom papel no meio.

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Ruan Silva
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Meu nome é Ruan Silva da Silva, tenho 24 anos, moro na cidade de Altamira no Pará. Sou graduado na área de Letras, com habilitação em Língua Portuguesa e no momento pós-graduando na área de Linguagem e Ensino, ambos pela Universidade Federal do Pará (UFPA). Sou deficiente físico, tenho dificuldades na questão da locomoção, que dificulta um pouquinho as coisas, mas nada que impeça de exercer diversas atividades. Sou apaixonado por todos os esportes, principalmente pelo futebol, corintiano e simpatizante de diversos clubes na Europa que não cabem todos aqui e apaixonado também pelo jornalismo esportivo tendo como ídolos, ícones como Galvão Bueno, Luciano do Valle, André Henning, Vitor Sérgio Rodrigues e outros mais. Uma curiosidade minha é que consegui na graduação em um ambiente voltado aos estudos de ensino e aprendizagem, incluir o futebol no principal trabalho dos quatro anos de curso, o TCC. Escrevi sobre Nelson Rodrigues e a Copa de 1950, temas raramente trabalhados numa graduação como essa. Enfim! Sonho em um dia trabalhar efetivamente na área que tanto amo e acredito que posso fazer um bom papel no meio.

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