Somos todos Neymar?

Por causa de um acordo com o Barcelona para poder jogar as Olimpíadas no Rio, Neymar esteve curtindo férias em Las Vegas enquanto o Brasil estava disputando a Copa América Centenário. É verdade que até chegou a ir ao estádio assistir o empate contra o Equador, mas vamos combinar que ele estava mais preocupado em tirar uma “selfie” com Lewis Hamilton e Justin Bieber do que torcer pelos seus companheiros. Pelo o que falei até aqui, não pode se dizer que descrevi o comportamento de alguém que esteva preocupado com a jornada da seleção na competição, não é mesmo?

Foi então que o camisa 10 e capitão do time canarinho pegou todo mundo de surpresa na segunda de manhã. Publicou em sua conta no instagram uma mensagem atirando (ofendendo) para todos os lados e terminou dizendo que estava fechado com o time, contra tudo e contra todos. Sim, esse mesmo jogador que estava se divertindo e bebendo enquanto a seleção perdia para o Peru, resolveu se manifestar.

Tão logo ele publicou esta mensagem, começou a repercussão. “Quem ele pensa que é?” e uma enxurrada de críticas começou a chegar ao atacante. É fácil falar com o teclado na mão e fingir que se importa a distância. Mas o quão diferente agiu Neymar de todos nós? E mais, o ofendendo, não estamos agindo da mesma forma que ele? Não venho aqui para defender a pessoa e nem o jogador, mas sim para te convidar a fazer uma reflexão.

Já virou rotina abrir nossas redes sociais todos os dias e ver todo mundo falando muito e não falando nada ao mesmo tempo. Gente que não respeita quem pensa diferente, que não sabe ter uma discussão saudável e que só a sua verdade é a que vale. O Neymar é o espelho da nossa sociedade, que ultimamente tem se mostrado ridiculamente intolerante, injusta, cega. Se você foi um dos que jogaram pedra no jogador, quero que você pense no que tem dito e feito ultimamente. Não precisa ter sido necessariamente grotesco como ele, mas são com nossos pequenos atos no dia a dia que também contribuímos para a manutenção desta sociedade doente.

Assim que chegou ao Brasil, Neymar percebeu o erro que havia cometido e, valente na frente do celular, já publicou um pedido de desculpas. Mas é muito fácil falar, né? Aliás, é assim mesmo: fala-se o que quer, xinga-se quem quer e é só pedir desculpas que está tudo bem. No dia seguinte já posso começar tudo de novo. E esquecer que há muito que mudar. Há muito que lutar. Seja no futebol ou na vida. É muito maior que imprensa x vocês, Neymar. E enquanto a gente fechar os olhos para isso, vamos nos afundar cada vez mais.

Cresci vendo grandes capitães em seleções. Cafu em 2002, Cannavaro em 2006, Casillas em 2010. Grandes jogadores como o Alex, que antes de se aposentar foi um dos líderes que iniciou o movimento do Bom Senso FC. Futebol não é só um jogo, como se costuma dizer por aí. É muito mais do que isso. Ajuda a formar caráter também. E lamento pelas crianças de hoje que acham que podem ter em Neymar um espelho que vá além do corte de cabelo. Mas assim como tenho esperanças que nossa sociedade mude, também acredito no Neymar. Talvez basta apenas ele olhar para o lado e aprender com o Messi: quando se não tem nada a falar, é melhor ficar calado.

Mayara Flausino

Sobre Mayara Flausino

Mayara Flausino já escreveu 33 posts nesse site..

Mayara Flausino, 22 anos, sempre foi apaixonada por esportes. Já tentou ser nadadora, ginasta, jogadora de basquete, vôlei e futsal. No fim, pendurou as chuteiras e decidiu ir para o time dos jornalistas, o qual faz parte desde 2015. Atualmente procura uma vaga no time profissional e luta pelo fim do escanteio curto.


 

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Mayara Flausino, 22 anos, sempre foi apaixonada por esportes. Já tentou ser nadadora, ginasta, jogadora de basquete, vôlei e futsal. No fim, pendurou as chuteiras e decidiu ir para o time dos jornalistas, o qual faz parte desde 2015. Atualmente procura uma vaga no time profissional e luta pelo fim do escanteio curto.

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