Show de bola e de horror

No campo, com a bola rolando, foi mais um grande jogo. Com dois tempos muito distintos e que mostraram as virtudes do futebol sul-americano. Seja pela técnica ou pela raça as emoções estão garantidas quando se trata de Libertadores de América. Após o apito final, o amadorismo e a violência que explicam por que estamos tão atrasados em termos de organização e civilidade.

No primeiro tempo o Palmeiras entrou um esquema tático diferente, o 5-4-1, em função das características do adversário. A proposta, pouco treinada, era que os três zagueiros altos combatessem a bola aérea do adversário. A estratégia não deu certo. Os três zagueiros ficaram batendo cabeça enquanto o meio-campo, com um jogador a menos, pouco criava. No ataque, Borja ficou isolado entre os zagueiros adversários. Desconfortáveis, o jogadores do time paulista praticamente assistiram o Peñarol jogar e não conseguiam trocar três passos seguidos, muito menos avançar ao ataque. Com uma marcação sobre pressão e abusando do chuveirinho na área o time auri-negro construiu a boa vantagem no prime iro tempo. A vitória parcial foi justa apesar do primeiro gol ter sido irregular, pois Mina foi derrubado pelo atacante Affonso – que depois concluiu no gol.

No segundo tempo outro jogo. Eduardo abandonou a inovação e o Palmeiras voltou a jogar como tem jogado neste ano. Com a bola no pé o Verdão dominou amplamente a partida e em 30 minutos virou o placar liderado por Willian – que está comemorando na foto acima. Fez 3 e podia ter feito mais, considerando o domínio e o gol incrível que Roger Guedes perdeu ao chutar para fora da pequena área e sem goleiro.

Mantendo esse belo futebol apresentado no segundo tempo o Palmeiras deverá ir longe na competição, pois mostrou que possui muitos recursos no campo e boas alternativas no banco de reservas. O Palmeiras saiu de Montevidéu fortalecido e praticamente classificado com quatro pontos de vantagem sobre o Jorge Wilstermann que é o segundo colocado com 6 pontos. Resta só ponto para carimbar a vaga matematicamente. Enquanto para os uruguaios o resultado praticamente selou a desclassificação.

Após o jogo o que se viu foi pura selvageria. É realmente lamentável ver o Club Atlético Peñarol que nos anos 60 e 80 foi uma das melhores equipes do mundo, vencedora de cinco copas Libertadores e reconhecido como ‘Campeón del Siglo’ manchando sua história. O time de hoje não é uma pálida lembrança do grande clube que já foi. O ‘Campeón del Siglo’ se mostrou um mau perdedor mais uma vez. E assim como já fez com Santos e Grêmio, após a derrota, partiu para agredir os jogadores do Palmeiras. Numa ação prevista pela diretoria palmeirense, que trouce segurança reforçada, começou então uma emboscada que teve como alvos principais o goleiro Fernando Prass (na foto acima o momento em que ele foi cercado) e o meia Felipe Melo, agredido e chamado de macaco durante toda a partida. Muito dessa virulência contra o meia se credita as declarações polêmicas que ele fez a respeito ‘dar tapa em uruguaio’. Mas não é nada que justifique a selvageria que foi montada após o jogo. Não fosse os seguranças do clube brasileiro a tragédia podia ter sido muito maior, pois se dependesse da polícia uruguaia a violência não seria evitada. O maior exemplo dessa ação criminosa orquestrada foi quando os jogadores do Palmeiras, que por serem acuados, tentaram sair de campo e foram impedidos por seguranças particulares do clube uruguaio que fecharam o portão de acesso ao vestiário.

Não é possível conviver mais com esse tipo de comportamento violento. É lamentável ver a decadência de um clube tão histórico como o Peñarol, mas fato é que no futebol profissional não pode ser tolerado esse tipo de incompetência e selvageria. Espero da Conmebol uma punição severa ao clube e ao Estádio Campeón del Siglo. Deve sobrar também ao Felipe Melo pelo revide. Expulsar o Peñarol da Libertadores não seria exagero.

FICHA TÉCNICA

PEÑAROL 2 x 3 PALMEIRAS

Local: Estádio Campeón del Siglo em Montevidéu Data: 26 de abril de 2017 as 21h45min

Árbitro: Roddy Zambrano Olmedo (EQU)

Gols: PEÑAROL: Affonso aos 12 e Junior Arias aos 39 minutos do primeiro tempo

PALMEIRAS: Willian aos 3 e 27, Yerry Mina aos 17 minutos da segunda etapa

PEÑAROL: Guruceaga; Petryk (Rossi), Quintana, Villalba e Hernández; Alex Silva (Ángel Rodríguez), Nandez, Novick (Dibble), Cristian Rodríguez; Junior Arias e Affonso Técnico: Leonardo Ramos

PALMEIRAS: Fernando Prass; Yerry Mina, Edu Dracena e Vitor Hugo; Jean, Felipe Melo, Guerra e Egídio; Michel Bastos; Róger Guedes (Keno) e Miguel Borja Técnico: Eduardo Baptista

Renato Melhem

Sobre Renato Melhem

Renato Melhem já escreveu 51 posts nesse site..

Renato Melhem é comentarista esportivo da TV Cidade e da rádio Nova Difusora AM de Osasco. Escreve também no Blog O NOSSO FUTEBOL - www.onossofutebol.comFormado em Arquitetura e Urbanismo é Conselheiro do CAU/SP.

Forza Football

 

Rivalo Apostas Esportivas
Renato Melhem
Renato Melhem
Renato Melhem é comentarista esportivo da TV Cidade e da rádio Nova Difusora AM de Osasco. Escreve também no Blog O NOSSO FUTEBOL - www.onossofutebol.comFormado em Arquitetura e Urbanismo é Conselheiro do CAU/SP.
http://www.onossofutebol.com

Artigos Relacionados

Topo