A Seleção quer você!

Servir a Pátria é um dever cívico de todos os cidadãos que amam o seu país. Um ato que é fomentado pelas organizações militares em todo o mundo, bem como no Brasil, onde o juramento a bandeira e as obrigações militares também fazem parte das obrigações cívicas de cada indivíduo que se diz honrado e patriótico.

Tal conceito também é adotado quando se trata da chamada “Pátria de chuteiras”, algo que, para alguns brasileiros, é até mais relevante do que a ideia de Pátria convencional, que tem a ver com território ou nação. Não é novidade para ninguém que para um brasileiro o patriotismo está mais associado ao futebol do que a qualquer outro fator, culpa de caras como Pelé, Garrincha e outros heróis nacionais que reascenderam o orgulho e patriotismo brazuca através da bola.

O fato é que desde os primórdios tupiniquins um chamado para a seleção de futebol brasileira é uma obrigação honrosa, irrecusável e deve estar acima de qualquer coisa. Uma norma indiscutível nas mãos do técnico Dunga, que exige de seus convocados o mesmo comprometimento de um soldado com a sua tropa, considerando desertores todos que agirem de forma contrária.

Dessa forma, Dunga chamou o trio de ataque da equipe do Santos Gabriel, Ricardo Oliveira e Lucas Lima para compor a seleção na Copa América que começa no início de junho, nos Estados Unidos, deixando o time da Vila Belmiro sem os seus principais jogadores em até nove etapas do Brasileirão. A convocação provocou a revolta do presidente santista Modesto Roma Júnior, o qual alegou que a CBF sequer entrou em contato para conversar sobre a decisão de chamar os três atacantes titulares do Peixe.

Já Dunga, por sua vez, disse que é preciso ver o lado da seleção, que necessita dos melhores craques do país. E ainda acrescentou que os clubes sempre reclamam, seja quando os seus jogadores são chamados ou não, colocando a pessoas que convoca em uma posição de fogo cruzado.

A verdade é que discussões como essas entre a diretoria do Santos e o técnico Dunga chamam atenção para um velho problema do futebol brasileiro: o calendário de jogos.  Algo que há alguns anos era um problema mundial, até que os times europeus, vendo o prejuízo que teriam ao ceder seus galácticos para as seleções nacionais, mudaram os campeonatos da Europa de período para evitar de uma vez por todas as temíveis e prejudiciais divergências de datas.

No entanto, o bom senso que chegou à Europa nem ao menos passou perto do Brasil. Com um calendário extremamente pesado, a Copa América cai exatamente na mesma época em que o campeonato brasileiro começa a pegar fogo, fazendo com que o técnico da seleção se torne um vilão ao desfalcar os times no meio da disputa e criando desconfortos desnecessários entre a CBF e os clubes.

Diante disso, o que prevalece, é claro, é a tradição e o dever cívico de que o time do Brasil vem sempre em primeiro lugar. E o nosso técnico Dunga – que, aliás, assume muito bem o papel de General mão de ferro – irá continuar exercendo sua autoridade máxima sobre os jogadores até que tenhamos um calendário de competições equilibrado e adequado aos compromissos da seleção.

Renan Amaral

Sobre Renan Amaral

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Apaixonado por esporte, Renan Amaral percebeu que tinha o futebol na veia quando foi a um estádio pela primeira vez. Anos depois, descobriu no jornalismo a oportunidade de estar envolvido de alguma forma com esportes, principalmente com o futebol, sua velha paixão, que nasceu quando ainda era um moleque que esticava o pescoço para ver melhor os jogos da arquibancada.

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