Passaporte Rússia – Espanha x Catalunha

- A Catalunha quer independência, e a briga política já chegou aos estádios. Entenda um pouco do que acontece entre Espanha x Catalunha
Passaporte Rússia - Espanha x Catalunha

Passaporte Rússia é mais uma coluna do Futebol na Veia que apresentará curiosidades de todas as seleções que participarão da Copa do Mundo deste ano. Este é o quarto de sete textos sobre a Seleção Espanhola. Confira como está o confronto político entre Espanha e Catalunha.

A Catalunha é um território que está localizado na Península Ibérica e que pertence, de forma política, à Espanha. Ela por si só poderia ser considerada um país, devido ao seu PIB, e questões econômicas, o que são fatores essenciais na briga da Espanha por mantê-la como seu território.

Não só isso, sua capital, Barcelona, é uma das cidades mais conhecidas da Espanha, muito visitada, bem localizada, e que conta com um dos maiores clubes de futebol do mundo, o Barcelona FC.

Algumas pessoas defendem que a Catalunha se liberte da Espanha e se torne um país autônomo – inclusive alguns jogadores que defendem a seleção espanhola – o que eles vêm tentando fazer desde muito tempo, mas, devido a questões políticas e ditaduras que sofreram, isso não foi possível.

TENSÕES NO PAÍS

A independência não é um assunto simples, já que, saindo na marra dos domínios espanhóis, a Catalunha perderia o direito de participar da União europeia e isso seria muito prejudicial para ela, financeiramente falando.

Para completar, a tão nacionalista Espanha está dividida. De um lado catalães que apoiam a decisão de tornar a Catalunha um país livre, por outro lado, espanhóis e catalães que são contra essa separação.

Como já se espera, os conflitos tomam conta das ruas – e dos estádios – gerando manifestações pacificas, como o fato de pendurar bandeiras nas sacadas, mas também, embates violentos entre a população e as autoridades do país.

Foto: Reprodução/ elmediooriente.com

OS CONFLITOS CHEGARAM AOS ESTÁDIOS

Para os que pensam que futebol e política não se misturam, enganaram-se. Durante o período de ditadura franquista, o único símbolo de cultura catalã que coexistia com a repressão em cima dos catalães era a seleção, mesmo que de forma obscura, com jogadores de outros países para que não fosse tão explicito. Além disso, a seleção da Catalunha existe há muito mais tempo do que a própria seleção Espanhola. A 11Catalunha fez seu primeiro jogo em 1904, enquanto a Furia apenas em 1920.

Além disso, recentemente, durante a final da Copa do Rei, episódios aumentaram a tensão separatista entre Espanha e Catalunha. O jogo realizado em Madri, capital espanhola, contou com revista nos torcedores do Barcelona para que eles não entrassem no estádio com mensagens de independência.

Mais do que isso, os conflitos entre os dois territórios já chegaram à seleção espanhola. A Fúria, conta com jogadores catalães, como Piqué, que se posicionou a favor da independência da Catalunha e foi hostilizado pela torcida durante treino aberto em 2017, ainda durante a fase de eliminatória da Copa do Mundo.

Foto: Reprodução / Uol

 

OS ATLETAS TÊM VOZ

O jogador Piqué afirmou que se a Federação e o treinador Julen Lopetegui não quisessem mais contar com sua presença, ele poderia deixar de atuar pela seleção. Mas vale lembrar que a Espanha conta com muitos jogadores catalães, que, inclusive, atuaram em sua melhor fase, o período de 2008 a 2012, quando A Fúria teve suas maiores conquistas.

(Reprodução/Acervo O Globo)

Em 2008, ao sair vitoriosa da Eurocopa, atletas como Fernando Navarro, Puyol, Xavi, Fábrigas e Capdevilla representavam a seleção espanhola vestindo La Roja. Já em 2010, Copa do Mundo, a espinha dorsal da seleção era praticamente composta por catalães: Piqué, Puyol, Fábregas, Capdevilla, Busquets e Valdés.  Por último, em 2012, também durante a Eurocopa, jogadores catalães também compunham o elenco espanhol.

Pepe Guardiola, atual treinador do Manchester City, também se posicionou em relação ao assunto. O técnico é catalão e defende a separação dos territórios. Ele levantou sua bandeira e defendeu, inclusive, as manifestações, afirmando que foram feitas de forma pacífica e foi denunciado pela Federação Inglesa de Futebol (FA) por ter violado a regulamentação de uniformes e propaganda para emitir uma mensagem política de apoio a políticos presos pela organização de um referendo sobre a independência da Catalunha. Desde novembro, quando os líderes catalães foram presos pelo governo central da Espanha, Guardiola usa um laço amarelo no seu paletó.

Guardiola usa laço amarelo no Campeonato Inglês em prol da independência da Catalunha (Reprodução/AFP)

COPA DOS SEPARATISTAS

Embora tenha uma cultura própria, uma sobrevivência econômica autônoma, e até mesmo governança própria, a Catalunha não é reconhecida como um país e por isso a sua seleção não pode ser afiliada à FIFA e a UEFA – apesar de contar com o índice de 90% da população a favor da independência –  e por isso não tem o direito de disputar a Copa do Mundo.

Mas nessa história de lutas e de agarrar seu lugar ao sol, a Catalunha já disputou uma Copa com a sua seleção: a Copa dos Separatistas. A disputa conta com 12 países, que assim como os catalães, não foram reconhecidos como países.

Além disso, já ganhou da seleção brasileira em 1934, e fez outros dois jogos amistosos em 2002 e 2004.

FC BARCELONA

O time do Barcelona, obviamente, remete ao nome da cidade catalã. As cores de seu uniforme e até mesmo o seu brasão – a cruz de São Jorge ou San Jordi, padroeiro da Catalunha – são claras referencias à cultura da Catalunha.

Muitos dizem que o Barça, com sua fama mundial, levanta uma bandeira de exportação da cultura catalã para o mundo, fazendo com que eles se tornem conhecidos.

A política é sempre muito presente na vida da população, e na Espanha e Catalunha o povo vive uma tensão. Mesmo que não diretamente, essa tensão é refletida no futebol, e pode sim interferir na seleção que disputará a copa do Mundo na Rússia, em 2018. É importante que todos entendam que as seleções, além de suas vitórias e conquistas, vivem um contexto histórico, isso ajuda a compreender o cenário em que os jogadores se encontram. Afinal a história joga junto com os jogadores.

(Divulgação/Barcelona)
Valéria Contado

Sobre Valéria Contado

Valéria Contado já escreveu 162 posts nesse site..

Eu sou a Val Contado, finalmente jornalista (uhul!), apaixonada por futebol há 24 anos, desde quando meu pai colocou em mim o uniforme do nosso time do coração. Adepta da arte da resenha, falar e respirar futebol é o que eu mais gosto de fazer.

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