Reverências à Majestade

- 23 de outubro de 1940. Vinha ao mundo o filho de João Ramos do Nascimento e Celeste Arantes. Edson Arantes do Nascimento, o Pelé.

Quando em Três Corações Pelé nasceu, um impulso ao futebol o Rei deu. A pacata cidade ficará pra sempre em sua memória e os feitos do maior de todos reinarão eternamente na memória. Os súditos ficaram estarrecidos. Equipes, zagas, times, todos destruídos. Não pela tirania, mas pela chuteira que trazia magia. Em 1977 Pelé parou. Seu trono intacto ficou. Seu reinado é inabalável. A marca de um Rei que parou uma guerra é insuperável. No panteão dos grandes, seu lugar nas tribunas é cativo.

A história cometeu um pecado. Pelé não teve a oportunidade de jogar diante de câmeras de alta definição. A fibra ótica não transmitiu as barbaridades de um Rei que atormentou zagueiros. As despretensiosas filmagens por celular não flagraram a ousadia de um menino que arrepiou a Rua Javari com quatro chapéus em um gol antológico. Pelé não chutou bola com chip, leve como um vento. Não usou camisa dry fit, que não retém água. Mesmo assim, flutuava em campo.

Pelé usou chuteiras com pregos, muito diferentes das confortáveis Nike e Adidas hodiernas. Nada disso importou. Pelé quebrou recordes e balançou o barbante impressionantes 1.284 vezes. Foi tricampeão mundial. Antes disso, parou o Maracanã com o milésimo gol. Conquistou a simpatia nacional. Alcançou projeção mundial. Diferentemente de outros reis, sedentos por poder, teve a humildade necessária para saber a hora de parar. Abdicou de seu trono na Seleção. Foi aos Estados Unidos promover o futebol local. Os audaciosos e petulantes duvidaram do Rei. Disseram que estava acabado. Eis que Pelé anotou outro gol de placa. De bicicleta, com a camisa do New York Cosmos.

Não haverá outro igual. A comparação é indevida. Messi e Cristiano Ronaldo são excelentes jogadores? Sem sombra de dúvidas. Mas, superados os 30 anos, precisariam ter outra carreira brilhante para alcançar os números do Rei. Não ousem dizer que os tempos eram diferentes e que Pelé não triunfaria no século 21. Pensem em um Pelé com todas as benesses oferecidas nos dias de hoje. Do uniforme à equipe de fisiologia. De tudo isso, uma única reclamação: o brasileiro não soube valorizar a figura de um mito. Nem Santos nem Seleção. No Brasil, não valorizar os ícones faz parte da cultura. Complexo de vira-latas. Vida longa ao Rei. O destino presenteou o gigante. No dia do prêmio The Best, o Rei completou mais um ano de vida. E, sob aplausos, teve seus lances exibidos.

Reverências à Majestade.

André Siqueira Cardoso

Sobre André Siqueira Cardoso

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Sou André Siqueira Cardoso, tenho 21 anos. Aluno de jornalismo da Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP), atualmente trabalho em VEJA, com a cobertura do noticiário político. Apaixonado por esportes, jogador de futebol até hoje, tenho o sonho de cobrir uma Copa do Mundo.

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Sou André Siqueira Cardoso, tenho 21 anos. Aluno de jornalismo da Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP), atualmente trabalho em VEJA, com a cobertura do noticiário político. Apaixonado por esportes, jogador de futebol até hoje, tenho o sonho de cobrir uma Copa do Mundo.

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