Relembre cinco zebras campeãs no Uruguai

A final entre Liverpool e River Plate no domingo (8) inspira a nossa lista
Bella Vista Uruguai

Sem dúvida, o futebol no Uruguai é polarizado entre Nacional e Peñarol. Desse modo, há um enorme abismo entre os dois maiores e o restante das equipes charruas. Um abismo financeiro, de títulos e torcida. Só para ilustrar, das 115 edições do Campeonato Uruguaio, apenas em 26 a taça não terminou na mão Bolso ou Carbonera. Desde 2008 o título nacional fica entre os dois. Isso reflete na quantidade de hinchas que os apoiam. Segundo pesquisa realizada pela Faculdade de Ciências Sociais da Universidade da República, 75% da população uruguaia se divide entre los dos grandes.

Assim, quando clubes de fora desse eixo conquistam títulos e chegam em finais, são considerados como zebra. Ou seja, a final do Torneo Intermedio entre Liverpool e River Plate, no domingo (8), vai ser histórica. Além disso, a bruxa também está solta na tabela Anual. Visto que, o Cerro Largo figura em 1º lugar, desbancando os dois maiores. Aproveitando essa decisão alternativa, nós do FNV vamos relembrar cinco momentos em que a zebra passeou livremente na terra de Cavani e Suárez.

CENTRAL ESPAÑOL (CAMPEÃO URUGUAIO EM 1984)

Acima de tudo é essencial ressaltar que o Campeonato Uruguaio tornou-se profissional em 1932. A nossa contagem dos azarões será a partir daí. Dessa maneira, Nacional e Peñarol se revezaram como campeões por incríveis 52 anos. Somente em 1984 esse tabu foi quebrado. Curiosamente pelo Central Español, recém-chegado da segunda divisão. Para efeito de comparação, essa jornada meteórica se assemelha com o Derby County-ING, de Brian Clough. Sem grandes contratações, Los Palermitanos apostaram em pratas da casa e jogadores desconhecidos. Héctor Tuja, Obdulio Trasante, José Ignacio Villarreal e Miguel Del Río foram os pilares da equipe.

Entretanto, os 10 primeiros jogos na elite, foram iguais ao de qualquer clube recém-promovido: duas vitórias, duas derrotas e seis empates. Após tais resultados, surpreendentemente, o Central Español não perdeu mais até o fim da competição. Destacando os duelos contra Nacional e Peñarol no returno, que terminaram em empate e vitória Palermitana respectivamente. Assim, após mais de meia década, o título uruguaio não ficou entre los dos grandes.

PROGRESO (CAMPEÃO URUGUAIO EM 1989)

Inegavelmente, Los Gauchos del Pantanoso conquistarem o Campeonato Uruguaio surpreendeu muito. Contudo, não foi por acaso, nos anos 80 o Progreso fez atuações expressivas. Disputaram duas Copas Libertadores e ganharam o extinto Torneo Competencia, de 1985. Posteriormente, em 1989, o calendário uruguaio seria mais curto. Devido a Copa América, realizada no Brasil, e as eliminatórias para a Copa de 1990, na Itália.

Desse modo, o Uruguaião de 89 teve apenas um turno, 13 partidas. O Progreso venceu 12. Entre suas vítimas estava o temido Nacional, superado por 3 x 1. Los Carboneros do Peñarol também perderam, 1 x 0. Sem sombra de dúvida, os jogadores Pedro Petrucci e Luis Berger foram destaques dentro da cancha. Fora dela, o presidente do Progreso, Tabaré Vázquez, foi um dos pilares. Atualmente, Tabaré é o atual presidente do Uruguai. De maneira parecida, o presidente argentino Mauricio Macri já comandou o Boca Juniors, como mandatário.

BELLA VISTA (CAMPEÃO URUGUAIO EM 1990)

Podemos dizer que a virada da década foi bem atípica no futebol uruguaio. Pelo quarto ano consecutivo  Peñarol e Nacional não conquistaram o Campeonato Uruguaio: Defensor (1987), Danubio (1988), Progreso (1989), e Bella Vista (1990). Los Papales iniciaram bem a sua 12ª temporada consecutiva na elite. Venceram as três primeiras. Na quarta e quinta foram superados por Wanderers e Nacional. Após tal irregularidade, não perderam até a última rodada. Consequentemente se afirmando como a melhor equipe do torneio. Terminaram com 39 pontos, a taça e uma vaga na Libertadores. Comandados pelo técnico Manuel Keosseián: Rúben Silva, Juan Alberto Acosta, Álvaro Gutiérrez e Julio Ribas certamente fizeram a diferença.

ROCHA (CAMPEÃO DO APERTURA 2005/06)

Diferentemente do Brasil, o Uruguai já utilizou os moldes do calendário europeu. Nesse mesmo período, a jovem equipe do Rocha, na época com apenas seis anos de existência, surpreendeu a todos. Terminou o Torneo Apertura como campeão. O primeiro clube interiorano a conquistar um título nacional. Martín González, Mauro Aldave, Luis Maguregui, Heber Caro e Pedro Cardoso foram destaques na histórica jornada Rochense.

Faltou pouco para também levantarem o taça de campeão uruguaio, perderam a semi diante do Nacional. Mas garantiram vaga na Copa Libertadores de 2006. Um jogo para se destacar naquele ano, foi contra o Peñarol, onde ganhavam por 4 x 1 até os 15′ do 2º tempo. Contudo, Pedro Cardoso, peça-chave do Rocha, recebeu cartão vermelho. Assim Los Carboneros arrancaram o empate de 4 x 4. Cerca de 3.000 Rochenses invadiram Montevidéu para apoiar a equipe nesse dia.

PLAZA COLONIA (CAMPEÃO DO CLAUSURA 2015/16)

Por fim chegamos a última zebra da nossa lista. A jornada do Plaza Colonia até o título do Clausura é digna de filme. Visto que, Los Patablanca tinham acabado de ascender da segunda divisão, disputada na temporada 2014-15. Onde quase abriraram mão de competir por dificuldades financeiras, uma situação realmente dramática. Só para ilustrar a grandeza dessa proeza, a comissão técnica prometeu comer no círculo central do Estádio Centenário, caso permanecessem na elite uruguaia.

Não só cumpriram a promessa, como também afirmaram que o segredo da conquista foi o mate. Erva popular na Argentina, Uruguai e no sul do Brasil. Essa bebida uniu o elenco, pois a tradição é beber em grupo, passar o copo de mão em mão. Com um grupo fortalecido, o técnico Eduardo Espinel teve a paz do interior para trabalhar. E mais uma vez a zebra passeava no Uruguai.

Foto destaque: Reprodução/Ovación

Luciano Massi

Sobre Luciano Massi

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Me chamo Luciano Massi, tenho 20 anos, sou paulistano. Estou no 6º semestre do curso de Jornalismo na Universidade Anhembi Morumbi. Desde criança fanático pelo futebol dentro e fora das quatro linhas, histórias que vão além do esporte. Produzo o Derbicast, podcast voltado ao futebol alternativo, dando enfâse aos esquecidos. Entretanto, nunca me dei bem com a bola...


 

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Me chamo Luciano Massi, tenho 20 anos, sou paulistano. Estou no 6º semestre do curso de Jornalismo na Universidade Anhembi Morumbi. Desde criança fanático pelo futebol dentro e fora das quatro linhas, histórias que vão além do esporte. Produzo o Derbicast, podcast voltado ao futebol alternativo, dando enfâse aos esquecidos. Entretanto, nunca me dei bem com a bola...

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