Rei do Barça e ídolo da Laranja Mecânica morre aos 68 anos

- Johan Cruyff lutava contra um câncer de pulmão que havia sido diagnosticado em 2015

O ídolo holandês era considerado um dos maiores jogadores da história do futebol europeu. Era tido como um jogador revolucionário, tático, coletivo, vistoso e eficiente, e serviu de inspiração para muitas gerações tanto de jogadores quanto de técnicos.

Nascido em Amsterdã, Hendrik Johannes Cruyff foi visto como um grande “pensador” do futebol, pois costumava mesclar a rapidez do pensamento com a velocidade em que seu corpo se movia em campo. Ele dizia que “é uma questão de saber quando começar a correr” e assim não perdia tempo.

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Com a insistência da mãe, ele entrou para a categoria de base do Ajax para tentar superar a deficiência que tinha nos pés. A má formação o obrigava a usar aparelhos ortopédicos. E pensar que no futuro, esse problema daria espaço às futuras corridas fulminantes… O garoto estreou pelo time em 1964 e saiu derrotado por 3×1. Quando o treinador aceitou que ele ditasse o jogo, os títulos vieram em série. Com os dois arquitetando o time, o Ajax acabou sendo o campeão de 1965/66 e teriam o feito repetido mais duas vezes. A dupla acumulou também cinco Copas dos Países Baixos.

Como jogador no Ajax, Cruyff deixou a todos loucos não só ao impor suas noções táticas, mas também pela iniciativa de negociar seus termos salariais. Ele foi criado dentro dos bastidores do time, seu pai era comerciante e fornecia as frutas para o clube e sua mãe, após a morte do marido, passou a trabalhar como faxineira para o time.

Após duas derrotas na Copa dos Campões da UEFA, a primeira nas quartas de final pelo Dukla Praga, e em outra disputa, perdeu nas oitavas para o Real Madri. O time só conseguiu chegar a final em 1969. Após o Feijenoord ter levado a taça, no ano seguinte o time superou o rival e levou três taças consecutivas, sendo 1971, 1972 e 1973. Pelos dois últimos anos, foi o primeiro holandês que ganhou a Bola de Ouro da France Football.

Sua passagem pela seleção começou em 1966, aos dezenove anos, em jogo contra a ainda respeitada Hungria, em partida válida pelas eliminatórias para a Eurocopa, logo marcando um gol. Cruyff transformaria a seleção holandesa, então modesta, em uma potência mundial.

Já sua entrada no Barça em 1973 foi bem turbulenta. Considerada a negociação mais cara dentro do futebol até aquele momento, ele pediu cinco milhões de florins – antiga moeda oficial dos Países Baixos -, um valor absurdo que fez com que o governo espanhol negasse a contração. Mas como tudo tem um jeitinho, o craque só conseguiu ser levado porque foi registrado oficialmente como uma peça de máquina agricultora.

Para fazer jus ao valor pago, ele marcou duas vezes na estreia e reconduziu o Barça a um titulo espanhol que não vinha há 14 anos. Ele foi eleito o melhor jogador do campeonato e recebeu sua terceira bola de ouro.

Suas conquistas pelo time foram o titulo de 1974 e a Copa do Rei de 1978, e logo em seguida anunciou sua aposentadoria, pois estava cansado da violência dos gramados espanhóis, onde chegou a ter uma perna quebrada.

No mundial de 1974, o país lideraria seu grupo na primeira fase após vencer Uruguai (2 x 0) e Bulgária (4 x 1, uma vingança contra a seleção que havia tirado a vaga no mundial anterior) e empatado em 0 x 0 com a Suécia. O sistema tático assombrava, pois enquanto os demais times ainda utilizavam posições fixas, era possível ver o ponta-esquerda Rep atuando defensivamente na marcação do lado direito, o lateral Krol avançando ao ataque ou o meia ofensivo Haan jogando na zaga, o que desnorteava os marcadores adversários. Neeskens, teoricamente o jogador com mais tarefas defensivas no time, além de fechar espaços aos oponentes, também mostrava habilidade para iniciar ataques.

Fizera sua despedida em outubro de 1978, com a camisa do Ajax, em amistoso contra o clube que havia sido o sucessor imediato da equipe na hegemonia da Copa dos Campeões: o Bayern Munique. Entretanto seu final foi provisório, já que seu investimento na criação de porcos foi desastroso e o fez perder milhões, forçando-o a voltar a jogar.

Escolheu o futebol dos Estados Unidos para voltar aos gramados, onde poderia viver tranquilo, no anonimato. Passaria dois anos nos EUA, onde defendeu primeiramente o Los Angeles Aztecs e depois o Washington Diplomats. Vestiria também a camisa do New York Cosmos em amistoso de exibição. Mas sua personalidade não deixou o futebol norte americano calmo, ele acabou enlouquecendo colegas e outros técnicos.

Em sua primeira temporada como técnico do Ajax, Cruyff fez de seu time um paraíso para que o capitão Van Basten se tornasse uma verdadeira máquina de gols. Com bolas vindas de todos os cantos do campo e com muita velocidade, o atacante conseguiu 37 gols no Campeonato Holandês e ajudou o clube a ter o melhor ataque do torneio.

No Barcelona, ficaria oito anos, quebrando o recorde de permanência no cargo, e em 1992, o clube seria pela primeira vez campeão da Copa dos Campeões da UEFA, batendo na final a Sampdoria, o mesmo adversário vencido três anos antes na Recopa. O único gol foi marcado por um compatriota trazido por ele, Ronald Koeman.

Em meio ao seu período de glórias como técnico do Barcelona, Cruyff chegou a ser chamado para treinar os Países Baixos na Copa do Mundo de 1994, mas achou a oferta pouco atrativa e recusou. Sua saída do cargo de técnico do Barcelona foi turbulenta: quando soube que seria substituído, jogou uma cadeira na porta do escritório da cúpula barcelonesa.

Em novembro de 2009, acertou sua volta à função, agora como técnico da Catalunha, cuja seleção não é reconhecida pela FIFA e costuma fazer partidas apenas anuais. Em seu primeiro jogo, o treinador obteve um ótimo resultado, levando a Seleção Catalã a vencer a Argentina por 4 x 2. Deixou o comando da equipe em janeiro de 2013, e sua despedida foi em amistoso contra a Nigéria no Estádio Cornellà-El Prat, em Barcelona.

Com esse imenso currículo, o astro foi eleito pelo IFFHS, se refere à Federação Internacional de História e Estatística do Futebol, como o maior jogador europeu do século passado e o segundo maior do mundo, perdendo o titulo apenas para o Pelé.

Em 22 de outubro de 2015, Cruyff anunciou oficialmente que foi diagnosticado com câncer de pulmão. Uma de suas frases mais marcantes é “O futebol me deu tudo. O cigarro quase me tirou tudo”. Ele foi um fumante inveterado ao longo de sua vida, inclusive no período de maior brilho de sua carreira, mas havia parado de fumar em 1991. Morreu vitimado pela doença, em Barcelona, em 24 de março de 2016.

Se atualmente se fala de jogadores polivalentes, ou seja, jogadores que atuam em qualquer área sem perder o rendimento, são graças à engenhosidade de Cruyff e de seu treinador Rinus Mitchell durante os anos no Ajax, Barcelona e na seleção holandesa. Com essa “revolução” no futebol, surge o jargão Futebol Total. Todos os jogadores de linha sentiam-se bem em atuar em qualquer parte do campo.

“os jogadores têm de pensar rápido e jogar com inteligência, sempre sabendo qual será o próximo passe (…). É assim que aprendemos a jogar e que o público espera que joguemos: de forma atraente, mas sem perder a eficiência (…). (Cruijff) (…) nos ensinou a jogar movimentando a bola rapidamente. Ele só usava jogadores de grande técnica. Quando procuramos por jogadores, ainda queremos essas qualidades”, disse Pepe Guardiola

Curiosidades sobre o jogador:

  • Seu sobrenome é originalmente grafado, na língua neerlandesa, como “Cruijff”, sendo mais popularmente escrito como “Cruyff” no exterior;
  • Durante a sua carreira, Cruijff também se tornou um fenômeno nacional por causa dos seus comentários, alguns dos quais se destacam pelo brilho e pura lógica;
  • Em 8 de julho de 1974 foi condecorado com a classe de cavaleiro da Ordem da Casa de Orange;
  • Era membro honorário da Real Associação de Futebol dos Países Baixos e do Ajax;
  • Em 2004 foi eleito o sexto maior neerlandês da história, passando na frente de Anne Frank, Rembrandt e Vincent van Gogh;
  • Apreciava jogar golfe;
  • Gravou uma música que virou sucesso das paradas neerlandesas, a chamada “Oei Oei Oei (Dat Was Me Weer een Loie)”, a tradução em  português  é – ” Oi Oi Oi  Que belo chute).” Link: https://www.youtube.com/watch?v=F-8pxAJRGRs
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Sobre Carolina Keyko

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Sou Carolina Keyko Rodrigues, 21 anos, estudante de jornalismo, apaixonada por esportes, música, teatro, gastronomia e fotografia. Já trabalhei como estagiária para a Arquidiocese de São Paulo como gestora de mídias sociais, Estagiária para os Doutores da Web com SEO.Gosto de áreas que me desafiem a escrever, como o futebol, que esta em constantes mudanças, costumo assistir os jogos do Santos com a fanática da minha irmã e acompanho meu pai nos jogos da portuguesa, pois é, faz parte.Gostaria de poder escrever para o Futebol na Veia, para ir além do aprendizado comum, para não perder a mão e para ampliar minhas fronteiras

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