Carrasco de River, Boca e Corinthians: Prazer, Del Valle!

Nós do FNV vamos destrinchar a história do clube equatoriano, além de relembrar toda a jornada até a final da Sula
Del Valle x Corinthians - AFP

Inegavelmente as Copas Libertadores e Sul-Americana são redutos das histórias mais alternativas do futebol sul-americano. No ano de 2019, mais um capítulo desse livro está para ser escrito. Dessa vez os protagonistas são o Colón da Argentina e os equatorianos do Independiente del Valle. Os dois clubes conseguiram o feito inédito de avançarem para a final da Copa Sul-Americana. Sim, inédito, já que essa é a primeira final de toda a história do Colón. Além disso, a vaga na decisão também é importante aos equatorianos, pois a primeira aparição do clube na primeira divisão foi há apenas nove anos atrás. Assim, nós do Futebol na Veia vamos contar um pouco mais sobre esses dois times, começando pelo Del Valle.

HISTÓRIA

Diferentemente do que muitos pensam, o Independiente del Valle não tem origem ou qualquer ligação com a empresa de sucos Del Valle. Por certo, a criação do clube se deu em 1958 na cidade de Sangolquí, localizada no Valle de los Chillos. Fundado por José Terán e alguns de seus amigos, a equipe nasceu com o nome e as cores do Independiente da Argentina. Posteriormente, no ano de 1977, o fundador e idealizador do IDV faleceu, e como homenagem o time passou a se chamar ‘Independiente José Terán’.

A saber, os de Sangolquí não eram conhecidos no futebol equatoriano até 2006, quando dois empresários compraram a equipe. Um deles é Franklin Tello, representante do KFC na América do Sul e atual presidente do Del Valle. Após a aquisição houve uma revolução no clube, que em 2014 passou a se chamar Club Especializado de Alto Rendimiento Independiente del Valle. Esse nomão não é em vão, pois a ideia era erguer um amplo centro de treinamentos e se tornar uma equipe formadora de atletas. Além disso, as cores do uniforme mudaram para azul e preto.

Del Valle/ Reprodução site do clube
Divulgação/ Independiente del Valle

 

CLUB DE ALTO RENDIMIENTO

Sem dúvida, um dos principais pilares do clube é sua base. Não apenas foi erguido um CT seguindo os padrões europeus, como também a equipe possui 43 escolhinhas e inúmeros olheiros espalhados pelo Equador. Como resultado 30% da receita anual, que gira em torno de R$ 20 milhões, é obtida pela revelação de atletas. Dentre os lapidados em Sangolquí estão: Jefferson Montero do West Bromwich-ING, Luis Caicedo, ex-Cruzeiro, Junior Sornoza do Corinthians, Bryan Cabezas da Atalanta-ITA, Jefferson Orejuela do Fluminense, Jhegson Méndez do Orlando City-EUA e José Angulo que está suspenso por doping.

Em entrevista ao site GloboEsporte.com, o diretor criativo do Independiente del Valle, Pancho Quiñones contou mais sobre a estrutura oferecida aos garotos Negriazules.

“Oferecemos uma estrutura de primeira linha. O hotel onde ficam os profissionais, por exemplo, é de cinco estrelas, para que os jogadores desde cedo se acostumem com o que há de melhor e se adaptem mais rapidamente quando se transferirem a clubes do exterior.”

CAMPANHAS DE DESTAQUE

Mesmo com todo esses investimentos, o IDV ainda não conquistou títulos de relevância. Os dois únicos canecos levantados foram o da terceira divisão em 2007 e da segunda divisão em 2009. Desde então a equipe figura na elite equatoriana e só conseguiu um vice-campeonato no ano de 2013. Entretanto, foram cinco participações nas últimas seis Copas Libertadores disputadas. Com destaque para a campanha de 2016, onde o Independiente del Valle saiu da fase pré, caiu no grupo do Atlético Mineiro e terminou em 2º lugar, atrás do Galo.

Nas oitavas de final o Del Valle encarou logo de cara o todo poderoso River Plate-ARG. Surpreendentemente, os equatorianos levaram a melhor e despacharam os Millonarios. Posteriormente, avançaram para as semis eliminando os mexicanos do Pumas UNAM. O chaveamento fez com que outro gigante argentino entrasse no caminho dos Negriazules. Nada menos que Los Xeneizes do Boca Juniors. Depois de vencerem por 2 x 1 no Equador, o Independiente del Valle também venceu na Bombonera, 3 x 2 fora o baile. Por fim conquistaram uma vaga na final, mas não foram páreos para o Atlético Nacional-COL de Franco Armani, Alejandro Guerra, Miguel Borja e Reinaldo Rueda.

Boca Jrs x Del Valle Divulgação/EFE

JORNADA NA SUL-AMERICANA

Depois de cinco anos consecutivos na Libertadores, o IDV terminou o campeonato equatoriano de 2018 fora do G4 e se classificou para a Copa Sul-Americana. Há sete meses, atrás a saga pelo título continental começava, o primeiro oponente no caminho era o Unión de Santa Fé-ARG. A jornada começou com o pé esquerdo: 2 x 0 para os argentinos. Contudo, na partida de volta o Del Valle devolveu os dois gols, e avançou nas penalidades.

Posteriormente, na 2ª fase, a equipe de Negriazul enfrentou a tradicional Universidad Católica-CHI. Logo na ida, em Quito, os anfitriões golearam por 5 x 0. Em competições internacionais o Del Valle manda os jogos no Estádio Olímpico Atahualpa. Já no duelo de volta a Católica venceu pelo placar de 3 x 2 em Santiago, mas se despediu da competição.

Dessa maneira, os de Sangolquí mediram forças com o Caracas. O primeiro duelo, na Venezuela, terminou sem gols. No Equador as coisas foram diferentes: 2 x 0, vitória dos equatorianos. Por ironia do destino, o Independiente del Valle teve como adversário nas quartas de final, a equipe que serviu de inspiração à José Terán na fundação do clube: Independiente de Avellaneda. Ou mais conhecido como El Rey de Copas.

A partida de ida entre os xarás aconteceu no mítico Estádio Libertadores de América. Toda a pressão da hinchada presente surtiu efeito e o Del Valle perdeu por 2 x 1. Entretanto, no Equador as coisas foram diferentes. Os argentinos sucumbiram diante da altitude de 2.800 metros. Acostumados com o ar rarefeito, os donos da casa venceram pelo placar de 1 x 0, e se classificaram pelo gol feito na Argentina.

DEL VALLE X CORINTHIANS

Por fim veio o confronto diante do Corinthians, válido pelas semifinais da Sula. O clima entre os adeptos do alvinegro era de: “já ganhou”, “pode comprar a passagem para Assunção”. No entanto a equipe até então desconhecida do público brasileiro, venceu por 2 x 0 e deu aula ao Corinthians em Itaquera. Com a vantagem de dois gols feitos fora de casa, o Independiente del Valle teve tranquilidade na partida da volta. Por outro lado, os corintianos foram desesperados ao Equador, e conseguiram arrancar o empate de 2 x 2. Ou seja, 4 x 2 no agregado e o Del Valle carimbou a tão sonhada vaga na decisão da Copa Sul-Americana. Em 10 jogos no torneio, foram: cinco vitórias, três derrotas, dois empates, 17 gols feitos (média 1,7) e nove sofridos (média 0,9).

ELENCO

Inegavelmente o destaque do IDV nessa jornada até a final é Cristian Pellerano. O argentino marcou quatro dos 17 gols marcados pela equipe na Sula. Outra peça-chave do plantel Negriazul é o jogador Garbiel Torres. O camisa 8 panamenho foi fundamental na partida de ida contra o Corinthians. Afinal, marcou os dois gols do triunfo equatoriano. Jorge Pinos, Efrén Mera, Alejandro Cabeza e Cristian Dajóme também contribuiram para a heróica campanha do Independiente. Além dos atletas, o técnico espanhol, com formação no Catar, Miguel Ángel Ramírez tem grande parte do crédito nessa Copa Sul-Americana.

Divulgação/CONMEBOL

Foto destaque: Crédito/AFP

Luciano Massi

Sobre Luciano Massi

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Me chamo Luciano Massi, tenho 20 anos, sou paulistano. Estou no 6º semestre do curso de Jornalismo na Universidade Anhembi Morumbi. Desde criança fanático pelo futebol dentro e fora das quatro linhas, histórias que vão além do esporte. Produzo o Derbicast, podcast voltado ao futebol alternativo, dando enfâse aos esquecidos. Entretanto, nunca me dei bem com a bola...

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