Passaporte Rússia – Caminho inglês até a Copa

O English Team fez uma boa campanha nas Eliminatórias, mas desempenho em amistosos preocupa

O Passaporte Rússia é mais uma coluna do Futebol na Veia que apresentará curiosidades de todas as seleções que participarão da Copa do Mundo deste ano. Este é o terceiro de sete textos sobre a Seleção Inglesa. Confira como os ingleses chegaram nesta edição.

Os Três Leões não chegam exatamente como um dos favoritos, mas a boa atuação nas eliminatórias da UEFA e a regularidade frente a grandes seleções indicam que a equipe comandada por Gareth Southgate não fará feio. Cumpriu sua obrigação e classificou-se em primeiro no Grupo F, mas ainda há desconfiança por parte da torcida.

Passaporte Rússia – O caminho inglês até a Copa

Antes de tudo, vamos falar da Euro

A Eurocopa 2016, disputada na França, nada tem a ver com a Copa do Mundo, é verdade. Mas nela aconteceu um fato determinante para o momento da seleção inglesa. Roy Hodgson era o treinador daquela equipe que passou em segundo lugar no Grupo B. A campanha na primeira fase foi tímida, com um empate na estreia contra a Rússia, por 1 x 1, uma vitória sobre o País de Gales, de virada, por 2 x 1, e novo empate contra a Eslováquia. Dessa forma, os ingleses pegaram a surpreendente Islândia nas oitavas-de-final.

No dia 27 de junho de 2016, na Allianz Riviera, em Nice, o clima era de total favoritismo para os britânicos. O selecionado islandês, país que tem pouco mais de 330 mil habitantes, já havia feito muito ao se classificar em segundo no Grupo F, eliminando a Áustria e quase deixando para trás Portugal, que passou como terceira melhor campanha entre os terceiros colocados e, posteriormente, tornou-se campeão.

Com a bola em jogo, a Inglaterra começou bem. No início do primeiro tempo, o árbitro marcou pênalti em Sterling e Rooney converteu para colocar os Três Leões na frente. Mas o que parecia impossível, aconteceu. Antes mesmo do intervalo, Sigurdsson empatou após jogada que nasceu em cobrança de lateral e Sigthórsson, com grande colaboração de Joe Hart, virou a partida para a festa islandesa. Até o fim da partida, os ingleses pressionaram, mas não conseguiram balançar as redes e a Islândia fez história – interrompida na fase seguinte, ao perder de 5 x 2 para os franceses.

Imediatamente a zebra, Roy Hodgson deixou o cargo e a vaga de técnico da seleção inglesa ficou em aberto. Menos de um mês depois, Sam Allardyce foi anunciado pela Football Association (Federação inglesa de futebol) como novo treinador dos britânicos.

Para esquecer: festa islandesa e lamentação dos jogadores ingleses na Euro 2016 (Reprodução/The Week Uk)

A passagem relâmpago de Big Sam e o escândalo de corrupção

A primeira missão de Allardyce seria já pelas Eliminatórias da UEFA. O objetivo era claro: classificar-se diretamente para a Copa do Mundo. Em um grupo com Escócia, Eslováquia, Eslovênia, Lituânia e Malta, não parecia ser um trabalho tão árduo. A estreia foi fora de casa contra os eslovacos, no dia 4 de setembro de 2016.

O gol solitário de Adam Lallana no estádio Antona Malatinskéjo deu à Inglaterra o início necessário. Uma nova derrota para uma seleção tida como inferior poderia jogar mais pressão sobre o selecionado britânico, mas não foi o caso. Tudo parecia correr conforme o planejamento, mas algo inesperado veio à tona.

Sam Allardyce foi chamado para comandar os Três Leões no dia 22 de julho de 2016 pelo seu trabalho frente ao Sunderland, evitando o rebaixamento do clube naquele ano. No entanto, a trajetória de Big Sam como treinador da seleção inglesa durou pouco. No dia 26 de setembro, três semanas após sua estreia, o jornal britânico The Telegraph denunciou um esquema de corrupção em contratação de jogadores para as ligas profissionais de futebol da Inglaterra envolvendo o técnico. Na ocasião, Allardyce negociou um acordo em que receberia 400 mil libras (cerca de R$ 1,68 milhão à época) para ajudar uma empresa asiática fictícia criada pelos repórteres do veículo na investigação.

No dia seguinte, 27 de setembro, a Football Association emitiu uma nota oficializando a rescisão de contrato em mútuo acordo com Sam Allardyce. Em seu lugar, interinamente, foi chamado Gareth Southgate, que comandava o Sub-21 inglês. Porém, o ex-jogador de Crystal Palace, Aston Villa e Middlesbrough manteve-se no cargo e disputou todo o restante das Eliminatórias da Copa.

Big Sam não sabia, mas estava sendo gravado enquanto negociava com supostos empresários (Reprodução/The Telegraph)

Técnico novo, vida nova e outras preocupações

Southgate teve uma estreia relativamente tranquila contra Malta. Visivelmente superior, a Inglaterra não passou sufoco e o 2 x 0 dentro do estádio de Wembley estava de bom tamanho. Porém, no mês seguinte, a pulga atrás da orelha voltou. O empate sem gols diante da Eslovênia não tirou a liderança dos Três Leões na eliminatória, mas acendeu a luz de alerta. Ainda mais pelo próximo compromisso, que era contra a Escócia.

O clássico britânico foi no dia 11 de novembro de 2016, novamente no Wembley. Para espantar qualquer desconfiança, o English Team precisava de uma apresentação incontestável. E teve. Com três gols de cabeça (de Sturridge, Lallana e Cahill), os ingleses passaram por cima da seleção escocesa e mantiveram a primeira posição.

Bem na qualificação, a Inglaterra precisava de desafios maiores para se provar. Os amistosos contra Espanha e Alemanha pareciam os testes perfeitos – afinal, eram as duas últimas campeãs mundiais. O duelo contra os espanhóis foi no dia 15 de novembro esteve próximo de acabar com vitória para a equipe de Southgate, que abriram 2 x 0, mas dois gols sofridos nos últimos cinco minutos de partida tiraram a vitória dos ingleses.

Já o confronto contra a atual campeã do mundo trouxe a primeira derrota da era Gareth Southgate. Em um jogo equilibrado, Lukas Podolski se despediu da seleção alemã com um golaço no segundo tempo e sacramentou o triunfo dos germânicos.

De volta às Eliminatórias da UEFA, os ingleses mantiveram as boas apresentações. Vitória de 2 x 0 sobre a Lituânia e um empate fora de casa em 2 x 2 contra a Escócia. Dois resultados que, se não eram espetaculares, permitiam a liderança do Grupo F. Mas outro amistoso veio e estampou novamente a dificuldade da Inglaterra diante de times mais tradicionais. O jogo contra a França, no dia 13 de junho de 2017, terminou com placar vantajoso aos franceses por 3 x 2.

Porém, aquela seria a última derrota até o fim das fase de qualificação à Copa. Foram mais oito jogos: quatro pelas Eliminatórias e quatro amistosos. As vitórias sobre Malta, por 4 x 0, Eslováquia, por 2 x 1, Eslovênia, por 1 x 0, e Lituânia, por 1 x 0, garantiram a classificação direta para o campeonato na Rússia com uma diferença de oito pontos para o segundo colocado. Nos amistosos, só gente grande: Alemanha, Brasil, Holanda e Itália. Três empates e uma vitória, contra os holandeses, por 1 x 0.

Agora, os Três Leões estão na fase final de preparação para a Copa do Mundo. Antes da bola rolar para valer,  estão marcados mais dois duelos para preparação, contra a Nigéria, no dia 2 de junho, e contra a Costa Rica, no dia 7 de junho. O primeiro compromisso inglês na competição será contra a Tunísia, no dia 18 de junho, em Volgogrado, às 15h.

Jesse Lingard comemora o único gol no amistoso contra os holandeses (Reprodução/Sky News)
Guilherme Guidetti

Sobre Guilherme Guidetti

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Guilherme Guidetti, paulista, nascido em São Caetano do Sul no dia 17 de fevereiro de 1994, mas residente de Santo André desde os primeiros dias de vida. A paixão por futebol vem da família, enquanto o gosto por escrever foi herdado do pai, caminhoneiro. Habilidoso com a canhota – exclusivamente segura a caneta na mão –, realiza diariamente o sonho de ficar perto do esporte através do jornalismo. De apresentador de programa de rádio a assessor de imprensa, sua ainda curta carreira na profissão já foi o suficiente para saber que faz aquilo que mais ama – e o faz com a mesma paixão com que joga bola com os amigos.


 

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Guilherme Guidetti, paulista, nascido em São Caetano do Sul no dia 17 de fevereiro de 1994, mas residente de Santo André desde os primeiros dias de vida. A paixão por futebol vem da família, enquanto o gosto por escrever foi herdado do pai, caminhoneiro. Habilidoso com a canhota – exclusivamente segura a caneta na mão –, realiza diariamente o sonho de ficar perto do esporte através do jornalismo. De apresentador de programa de rádio a assessor de imprensa, sua ainda curta carreira na profissão já foi o suficiente para saber que faz aquilo que mais ama – e o faz com a mesma paixão com que joga bola com os amigos.

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