Passaporte Rússia – Jogadores do Brasil para os quatro cantos do mundo

- No mercado de transferências, a revelação de um jogador brasileiro que foi naturalizado e se tornou ídolo na Tunísia
Passaporte Rússia é mais uma coluna do Futebol na Veia que apresentará curiosidades de todas as seleções que participarão da Copa do Mundo deste ano. Este é o quarto de sete textos sobre a Seleção Tunisiana.
É muito comum atletas trocarem a equipe que representa em seu país para jogar em outra mundo afora. A relação entre o futebol brasileiro e o mercado de transferências de jogadores teve início na década de 20, quando o esporte ganhou maior popularidade por aqui. Na época com o esporte bretão, a possibilidade de jogar fora do Brasil e por um bom salário atraiu os olhos dos jogadores que viviam um dilema entre o amadorismo e o profissionalismo. Até que em 1925, o lateral Paulo Innocenti abriu as primeiras portas europeias para os brasileiros, trocando o tradicional Club Athletico Paulistano pelo Virtus Bologna, da Itália. Um pontapé que num período de dois anos, 12 jogadores brasileiros foram transferidos para Roma.
Mas a primeira grande transferência de um jogador brasileiro foi a de Pelé, ao fechar com o time americano New York Cosmos por US$ 7 milhões. Rapidamente este valor foi superado por valores muito maiores. No decorrer dos anos, mais jogadores talentosos e cobiçados aparecem ao redor do mundo, fazendo com que os valores para contratação fiquem cada vez mais altos.
Dentre tantas transferências, existe uma que é mais especial: Francileudo Silva dos Santos, ou apenas Santos. Esse é o nome do jogador brasileiro que foi mostrar suas habilidades fora do Brasil e até se naturalizou tunisiano.
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(Reprodução/Getty Images)
Em seu currículo futebolista, o maranhense começou jogando nas categorias de base do Sampaio Corrêa, uma agremiação esportiva brasileira da cidade de São Luís/Maranhão, em 1996. Lá foi revelado e logo transferido para o Standard de Liège, na Bélgica, por três arquitetos. Mas lá atuou apenas em dez partidas e sem nenhum gol. Sem o êxito que esperava somado aos problemas de adaptação, foi no time tunisiano Étoile du Sahel que sua carreira como atacante começou a ganhar destaque. Na temporada 1998/1999, se tornou ídolo depois de marcar 18 gols em 22 jogos e na seguinte, foram mais 14 gols em 28 jogos, garantindo seu passaporte para o clube francês FC Sochaux e já disputar a Ligue 2, a segunda Divisão do futebol francês.
Lá foi o grande destaque da equipe campeã na temporada 2000/2001, com 21 gols em 31 jogos e terminando o campeonato como artilheiro do time. No total, de 2000 a 2005, marcou 53 gols em 144 partidas, além do título de campeão da Copa da Liga de 2004 e vice-campeão de 2003, obtendo um enorme prestígio dentro do clube. Com tantos aspectos positivos, a vontade verdadeira de Francileudo era jogar pela Seleção de sua terra natal. Vontade esta que quando procurado a primeira vez pela Federação Tunisiana de Futebol com a proposta de naturalizá-lo, negou a proposta. Porém, se lá fora a concorrência era grande em cima de Santos, aqui dentro, não era. Ciente disso, o jogador aceitou e foi naturalizado na Tunísia em 2003.
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(Reprodução/Botões Para Sempre)
Santos se naturalizou e virou ídolo na Tunísia. A Copa Africana das Nações de 2004 explica isso. Ele estreou pela Seleção Tunisiana num amistoso preparatório, sediado pelo próprio país, para a CAN contra Benin. No placar: 1 x 1, e Santos marcou o gol da vitória. Ao final da competição, foram quatro gols, nomeado como artilheiro e a responsabilidade por contribuir à Seleção da Tunísia a ganhar o seu primeiro e único título continental da história.
Atuou ainda em mais duas edições da Copa Africana das Nações, a de 2006 e 2008, contabiliza dez gols e a fama de um dos jogadores que mais marcaram a história da competição.
Nas Eliminatórias da Copa do Mundo de 2006 o atacante teve papel fundamental. Mas no Mundial só jogou por 11 minutos no último jogo contra a Ucrânia, devido sua debilidade após uma lesão no joelho sofrida no jogo-treino preparatório para a Copa.
Teve uma passagem discreta pelo clube francês Toulouse, de 2005 a 2008, onde sofreu lesões principalmente no joelho que quase acabou com a carreira do atleta.
Em 2007, teve uma rápida passagem pelo FC Zürich, por empréstimo, sagrando-se campeão suíço. Depois, retornou ao Toulouse, atuando apenas em três jogos por opção do treinador da equipe. Voltou ao FC Sochaux para a temporada 2008/2009, mas novamente sofreu lesões e teve que sair de seu primeiro clube. Por isso, anunciou sua aposentadoria do futebol e um ano e meio depois, já recuperado, voltou e está em um time na Suíça, o FC Porrentruy.
Um dos líderes e ídolo da equipe, ainda não sagrou-se campeão tunisiano, mas são 22 gols em 40 jogos pela Seleção e uma grande torcida tunisiana por um brasileiro que se tornou uma grande lenda no país.
Beatriz do Vale

Sobre Beatriz do Vale

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Comunicativa desde pequena, graduada em Rádio e TV e também em Jornalismo pela FIAM, e pós-graduada pela Cásper Líbero.Tudo o que envolva pesquisa, escrita, locução, entrevista e criação, busco me aprimorar e fazer o melhor. Futebol na Veia surgiu sem qualquer pretensão e, hoje, me proporciona uma verdadeira imersão neste mundo esportivo, com ensinamentos pessoais e profissionais a cada dia. Sou paulistana, 30 anos, não sou parente do Luciano, mas vou experimentando...

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Comunicativa desde pequena, graduada em Rádio e TV e também em Jornalismo pela FIAM, e pós-graduada pela Cásper Líbero.Tudo o que envolva pesquisa, escrita, locução, entrevista e criação, busco me aprimorar e fazer o melhor. Futebol na Veia surgiu sem qualquer pretensão e, hoje, me proporciona uma verdadeira imersão neste mundo esportivo, com ensinamentos pessoais e profissionais a cada dia. Sou paulistana, 30 anos, não sou parente do Luciano, mas vou experimentando...

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