Passaporte Rússia – Independentes, as Águias Brancas prometem voar alto

Conheça o Retrospecto da Sérvia em Copas do Mundo

Passaporte Rússia é mais uma coluna do Futebol na Veia que apresentará curiosidades de todas as seleções que participarão da Copa do Mundo deste ano. Este é o primeiro de sete textos sobre a Seleção Sérvia desta edição. Confira como é a história das Águias Brancas.

Sucessora espiritual (e oficial) da antiga Iugoslávia, a nação europeia participará de sua 12ª Copa do Mundo. Contudo, o mundial em terras russas será apenas o segundo do país após a declaração de sua independência, em 2006. Como Sérvia, sua trajetória na competição mais importante do planeta teve início em 2010. Mas por ser reconhecida pela FIFA como a herdeira do extinto plantel iugoslavo – além de ter uma participação em Copas com sua União Estatal ao lado de Montenegro – a história da seleção vem bem lá de trás.

PASSAPORTE RÚSSIA – A HISTÓRIA DA SELEÇÃO SÉRVIA EM COPAS DO MUNDO

1930 – Iugoslávia

Na primeira edição do torneio – disputada no Uruguai -, a seleção da Iugoslávia levou à América do Sul a equipe com a menor média de idade da competição (21 anos e 258 dias), mas não fez feio e garantiu a sua melhor colocação em mundiais, terminando em terceiro lugar empatada com os Estados Unidos.

Em sua chave, ao lado de Brasil e Bolívia, os iugoslavos conseguiram duas vitórias na primeira fase e terminaram na liderança do grupo 2. Na estreia, contra os cabeças de chave brasileiros, vitória europeia por 2 x 1. Já na segunda partida, os bálcãs não tiveram maiores problemas para vencer a Bolívia por 4 x 0.

A participação iugoslava terminou na partida seguinte, válida pelas semifinais. O time não foi páreo para os anfitriões – e futuros campeões. 6 x 1 para o Uruguai e, adeus, Copa do Mundo.

Foto: dvedno.rs

1950

Depois da ausência nas Copas do Mundo de 1934 e 1938, a Iugoslávia voltava a disputar a competição em continente sul-americano. No grupo 1, os azuis (como eram chamados) enfrentaram o México, a Suíça e, mais uma vez, o Brasil (o país anfitrião).

Nas duas primeiras partidas, os iugoslavos foram imponentes. As vitórias por 3 x 0 diante da Suiça e 4×1 contra os mexicanos, deixaram a equipe em primeiro lugar na chave e a um passo da classificação para a segunda fase. No entanto, somente uma seleção por grupo garantia vaga na sequência do torneio, e a derrota na última rodada para a o Brasil – 2×0, com gols de Ademir e Zizinho -, decretou o final da participação iugoslava na Copa.

1954

Na Copa do Mundo disputada na Suíça, a primeira fase era formada por grupos de quatro seleções. Entretanto, dentro de cada chave as equipes jogavam apenas duas vezes. Dividindo o grupo 1 com a França, o México e, para variar, o Brasil, a Iugoslávia se classificou para a segunda fase após vencer os franceses por 1 x 0 e empatar em 1 x 1 com a seleção canarinho.

Nas quartas de final, em Genebra, o time do Leste Europeu não teve forças para combater o poder de fogo da Alemanha Ocidental, que se consagraria campeã do torneio. A partida terminou 2×0 para os alemães. Horvat, contra, e Rahn, no final da partida, garantiram o placar.

1958

Disputando sua terceira Copa do Mundo seguida, a Iugoslávia foi sorteada para o grupo 2 ao lado da França, do Paraguai e da Escócia. A estreia foi no empate em 1 x 1 com os escoceses, que não pontuariam mais na chave. Na partida seguinte, os iugoslavos bateram a França de Kopa e Fontaine por 3 x 2. E após a vitória brilhante, a equipe garantiu o segundo lugar no grupo e a vaga para a próxima fase ao empatar em 3 x 3 com o Paraguai.

Assim como na Copa anterior, a Alemanha Ocidental foi a adversária da seleção iugoslava nas quartas de final. E novamente os alemães se sagraram vitoriosos. O gol da vitória e da classificação alemã foi marcado por Helmut Rahn, o mesmo que deixou a sua marca no confronto de 1954.

1962

No Chile, a Iugoslávia teve uma campanha honrosa. Na fase de grupos, os iugoslavos começaram pela primeira vez uma Copa do Mundo com derrota. O algoz do jogo de estreia foi a extinta União Soviética, que venceu por 2 x 0. Nas rodadas seguintes, os azuis se recuperaram e derrotaram o Uruguai por 3 x 1 e a Colômbia por 5 x 0, o que rendeu a segunda colocação no grupo 1 e o ingresso para a fase seguinte.

Pela terceira vez consecutiva, Iugoslávia e Alemanha Ocidental mediram forças pelas quartas de final. Jogando pela honra, os iugoslavos não deixaram com que as histórias de 1954 e 1958 se repetissem. Com gol de Radaković aos 40 minutos do segundo tempo, a equipe do Leste Europeu saiu de campo com a ‘alma lavada’. 1 x 0 e classificação garantida para as semifinais.

A um passo de disputar sua primeira final, a campeã olímpica de 1960 sucumbiu diante da Tchecoslováquia. Com a derrota por 3 x 1, restou à Iugoslávia a disputa do terceiro lugar contra o Chile. No jogo, os donos da casa foram superiores e venceram por 1 x 0.

Além da quarta colocação, os iugoslavos tiveram o artilheiro do torneio. Dražan Jerković, atacante lendário do Dínamo Zagreb (da Croácia), deixou a competição com 5 gols (feito reconhecido em 1990).

Foto: Pelota de Trapo

1974

Depois de 12 anos, a Iugoslávia voltou à Copa do Mundo sorteada para o grupo 2 com Brasil, Escócia e Zaire. Na estreia, os europeus não passaram de um 0 x 0 contra a seleção brasileira diante de 62 mil espectadores no Waldstadion, em Frankfurt. E se faltou gol na primeira rodada, no jogo seguinte os azuis aplicariam a maior goleada da competição naquele ano (e uma das maiores em toda a história das Copas): um sonoro 9 x 0 no Zaire, em jogo que teve como destaque o atacante Dušan Bajević (atual treinador do AEK Atenas, da Grécia), autor de três gols. Na partida final da chave, a Iugoslávia empatou em 1 x 1 com a Escócia e terminou em primeiro lugar na chave.

Na segunda fase, as oito equipes classificadas foram divididas em dois grupos com quatro seleções cada. Os vencedores de cada chave se enfrentariam na final, enquanto os vices fariam a decisão do terceiro lugar.

Ao lado da Alemanha Ocidental, da Polônia e da Suécia, a Iugoslávia decepcionou e perdeu todas as partidas do grupo B. Os placares adversos foram de 2 x 0, 2 x 1 e 2 x 1, respectivamente.

1982

A Copa do Mundo de 1982, na Espanha, foi uma das mais frustrantes para o torcedor iugoslavo, que viu seu time terminar em terceiro lugar no grupo E. A colocação rendeu a eliminação na primeira fase do torneio. A estreia foi mais uma vez marcada por um 0 x 0, assim como em 1974. Desta vez o rival foi a Irlanda do Norte.

Na sequência, a Iugoslávia perdeu de 2 x 1 para a Espanha após ter saído na frente no placar. E nem mesmo a vitória contra Honduras por 1 x 0 na rodada final foi suficiente para classificar o time europeu.

1990

Na fase de grupos, na qual a Iugoslávia entrou na chave D ao lado da Alemanha Ocidental, da Colômbia e dos Emirados Árabes Unidos, a equipe esteve em campo durante duas situações completamente opostas. A partida na estreia, contra os alemães, teve o maior público da competição naquele ano (74.765 torcedores). Já na terceira rodada, o jogo contra os Emirados Árabes foi o que contou com o menor número de adeptos no torneio realizado na Itália (27.833).

Os azuis se classificaram na segunda posição do grupo. Após estrear sendo goleada por 4 x 1 em duelo contra a Alemanha Ocidental, a Iugoslávia se recuperou e venceu os dois jogos seguintes: 1 x 0 na Colômbia e 4 x 1 nos Emirados.

A participação iugoslava em território italiano terminou nas quartas de final. Após derrotar a Espanha por 2 x 1 nas oitavas, a equipe dos saudosos Robert Prosinečki e Davor Šuker (ainda jovem, não entrou em campo na Copa de 1990, mas ao longo dos anos se tornaria um dos maiores ídolos da história da seleção da Croácia) perdeu nos pênaltis para a Argentina de Diego Maradona: 3 x 2 após o jogo terminar 0 x 0.

Foto: futebolcomunista.blogspot

1998

A França foi o palco da última Copa do Mundo da seleção iugoslava. No grupo F, os azuis ficaram em segundo após vencerem o Irã por 1 x 0, empatarem com a Alemanha em 2 x 2 e derrotarem a seleção dos Estados Unidos também pelo placar de 1 x 0.

Na fase de mata-mata, a Iugoslávia fez sua última partida jogando como país nas oitavas de final. A eliminação veio após derrota por 2 x 1 para a Holanda. O gol da fatídica e dolorosa eliminação foi feito por Edgar Davids nos acréscimos do segundo tempo. Uma derrota com gosto amargo que marcou o fim de uma era.

Foto: Esporte Total / Reprodução

2006 – Sérvia e Montenegro

A primeira e única participação em mundiais da União Estatal entre Sérvia e Montenegro foi vexaminosa. Tendo como destaque o meio-campista Dejan Stankovic, icônico jogador da Inter de Milão, a equipe caiu em uma chave difícil com Argentina, Holanda e Costa do Marfim. E a participação em solo alemão foi marcada por derrotas em todas as partidas.

Na estreia, a seleção sérvio-montenegrina sucumbiu diante da Holanda, que garantiu o triunfo por 1 x 0 com gol de Arjen Robben. A partida seguinte foi contra a Argentina e nem mesmo o mais pessimista dos torcedores esperava a derrota por 6 x 0 em jogo que teve o primeiro gol de Lionel Messi em mundiais – a estrela do Barcelona fechou o placar aos 43 minutos do segundo tempo. E para concluir uma deprimente participação, a equipe perdeu por 3 x 2 da Costa do Marfim em um jogo válido somente para cumprimento de tabela. Ainda assim, a derrota ocorreu com requintes de crueldade, pois o time de Sérvia e Montenegro vencia por 2 x 0.

2010 – Sérvia

Na única Copa do Mundo que disputou como Sérvia, a nação não foi longe e deixou a competição após amargar a lanterna do grupo D.

O primeiro jogo foi contra Gana e terminou em 1 x 0 para os africanos. De pênalti, Asamoah Gyan garantiu o triunfo aos 40 minutos da etapa final. Na partida seguinte, a Sérvia protagonizou uma das maiores zebras da Copa da África do Sul. Contra a poderosa seleção alemã de Neuer, Lahm, Klose e cia., os sérvios venceram por 1 x 0 com gol de Milan Jovanović.

A vitória deu ânimo para as águias brancas. O último jogo na chave era contra a Austrália, a seleção que, em teoria, era a mais fraca do grupo. Mas a Sérvia decepcionou e foi eliminada após perder por 2 x 1, o que encerrou até aqui seu ciclo em Copas do Mundo.

Foto: Reprodução
Bruno Piai

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