Passaporte Rússia – Caminho argentino até a Copa

Foi sofrido, mas a Argentina conseguiu a classificação para o Mundial

Passaporte Rússia é mais uma coluna do Futebol na Veia que apresentará curiosidades de todas as seleções que participarão da Copa do Mundo deste ano. Este é o terceiro de sete textos sobre a Seleção Argentina. Confira como os argentinos chegaram nesta edição.

Uma das melhores seleções atualmente, a Argentina sofreu para chegar à Copa do Mundo de 2018. Com mudanças de técnicos e péssimas atuações durante as eliminatórias, a seleção chegou a flertar com a não-classificação. No entanto, os argentinos conseguiram superaram suas dificuldades e garantiram sua passagem para a Rússia.

Veja como foi este caminho longo e difícil que a Argentina percorreu até chegar a Copa.

PASSAPORTE RÚSSIA – CAMINHO ARGENTINO ATÉ A COPA

O começo de tudo foi ainda em 2015. Um ano após o vice na Copa do Mundo de 2014, no Brasil, a Argentina apostava suas fichas na Copa América, que aconteceu no Chile. Alejandro Sabella, técnico da Argentina na Copa, se demitiu após a competição, e para seu lugar a AFA trouxe Tata Martino, na esperança de que ele mantivesse o bom trabalho de Sabella.

A seleção ficou no grupo B, junto com Paraguai, Uruguai e Jamaica. Com um empate por 2 x 2 com os paraguaios, e vitórias por 1 x 0 sobre os uruguaios e jamaicanos, os hermanos passaram em primeiro no grupo.

Logo nas quartas enfrentou um adversário pesado – a Colômbia havia se classificado em terceiro no grupo C, e ficou frente a frente com a Argentina. A partida terminou 0 x 0 e foi decidida apenas nos pênaltis, com vitória argentina por 5 x 4. Avançando para a semifinal, enfrentou o Paraguai que havia eliminado o Brasil, também nas penalidades. Os argentinos, no entanto, não tomaram conhecimento, e fizeram 6 x 1 – di Maria foi o grande destaque da partida, anotando dois gols. Chegada a grande final, o adversário eram os donos da casa, o Chile. 0 x 0 no tempo normal e mais uma vez o drama dos pênaltis. Dessa vez, nada de vitória para os hermanos – 4 x 1 para os chilenos nas cobranças, sacramentando mais um vice para a Argentina.

Chile campeão inédito, e mais um vice para a Argentina (Reprodução/Getty Images)

2015 – ELIMINATÓRIAS

Após mais um vice, os hermanos se viam pressionados para o início das eliminatórias para 2018. Sua estréia, no entanto, não poderia ter sido pior. Jogando em casa contra o Equador, a seleção perdeu por 2 x 0, jogando um futebol fraco e previsível. Na rodada seguinte, empate com o Paraguai por 0 x 0, e a trajetória argentina até a Copa começava turbulenta.

Na terceira rodada o adversário era ninguém meno que o Brasil. Jogando em casa os argentinos fizeram bom jogo e saíram na frente com Lavezzi. Mesmo assim, o domínio da partida não foi traduzido em vitória, e o Brasil conseguiu arrancar o empate com gol de Lucas Lima. Três jogos, dois empates e uma derrota. Essa era a campanha da seleção até aqui, e assim, as críticas começavam a pressionar Tata Martino no cargo.

A primeira vitória foi acontecer logo na rodada seguinte. Uma vitória improvável com um herói mais improvável ainda. A seleção argentina enfrentava a Colômbia, fora de casa, e contou com uma atuação apagada dos colombianos para vencê-los por 1 x 0, gol de Biglia.

2016 – ELIMINATÓRIAS

O resultado motivou a seleção, que emplacou mais uma vitória logo em seguida, também fora de casa, contra o Chile. 2 x 1 foi o placar, com gols de Mercado e di Maria. A Argentina começava a jogar bem, mas ainda não convencia seus torcedores.

Na sexta rodada, a seleção recebeu a Bolívia, em Córdoba. Messi, enfim, desencantou para a Argentina nas eliminatórias, marcando um e dando a assistência para Mercado na vitória por 2 x 0. Uma vitória importante, que deixava a seleção perto do Uruguai – no topo da tabela – com 11 pontos. A arrancada com três vitória consecutivas foi providencial para motivar a equipe para a disputa da Copa América comemorativa do Centenário, disputada nos Estados Unidos.

Os Hermanos caíram no grupo D, com Chile, Panamá e Bolívia, e não tiveram nenhuma dificuldade para passar em primeiro. Logo na estréia, contra o Chile, vitória por 2 x 1, com Di Maria e Banega anotando os tentos argentinos. Já com os adversários mais fracos do grupo, duas goleadas: 5 x 0 contra o Panamá, com direito a hat-trick de Messi, e 3 x 0 sobre a Bolívia.

100% na fase de grupos, e a Venezuela em seu caminho nas quartas. A seleção não tomou conhecimento de seu adversário e aplicou mais uma goleada na competição: 4 x 1 – destaque para Higuaín com dois gols. Na semifinal, enfrentou os Estados Unidos, donos da casa, e também passeou em campo: 4 x 0, com direito a um golaço de falta, anotado por Lionel Messi. Chegada a grande final, a Argentina tinha novamente o Chile em seu caminho, e não queria levar mais um vice pra casa. Em um jogo truncado, assim como na Copa América de 2015, ninguém conseguiu tirar o zero do placar. Mais uma vez a decisão ia para as penalidades, e mais uma vez o Chile saía campeão, vencendo por 4 x 2.

Logo após a final, Messi anunciou sua “aposentadoria” da seleção (Reprodução/Internet)

Após o terceiro vice-campeonato em três anos consecutivos, Messi chocou o mundo ao declarar que estava se aposentando da seleção argentina. Para piorar, logo em seguida, Tata Martino anunciou sua demissão do cargo técnico, e a Argentina parecia sem rumo após a Copa América Centenário.

Para o lugar de Martino, Edgardo Bauza foi o escolhido. As eliminatória só voltariam em setembro. Enquanto isso, a seleção ia juntando os cacos para tentar a boa campanha na competição. Um mês antes, no entanto, veio a bomba: Messi anunciava seu retorno para a seleção, e o país comemorava a volta de seu ídolo. Logo na sua “estréia”, e primeiro jogo de Bauza no comando, uma vitória importantíssima contra o Uruguai, em casa, por 1 x 0. E o gol, você já deve imaginar de quem foi: Lionel Messi.

De volta a seleção, Messi foi decisivo (Reprodução/Marcos Brindicci/Reuters)

A vitória colocava os argentinos na liderança das eliminatórias, e a seleção, ao lado de sua torcida, ia aos poucos recuperando a confiança. Na rodada seguinte, no entanto, empate por 2 x 2 contra a Venezuela, fora, e liderança perdida. Sem Messi (lesionad), a Argentina se mostrou uma equipe sem brilho, e exibiu todos seus problemas para o mundo. Logo em seguida, mais um empate por 2 x 2, dessa vez contra o Peru, também fora.

Bauza foi uma escolha errada da AFA (Reprodução/Getty Images)

O estopim foi a derrota para o Paraguai, em casa, por 1 x 0. A equipe de Bauza se mostrava muito previsível em campo, e era uma presa fácil para qualquer adversário. Além disso, o treinador vinha fazendo declarações polêmicas fora das quatro linhas, o que irritava o torcedor argentino. Na rodada seguinte, no entanto, uma vitória para lavar a alma. A seleção recebeu a Colômbia, e venceu com facilidade, por 3 x 0. Messi, di Maria e Pratto marcaram, mas o resultado era mentiroso. A Argentina não vinha jogando bem, e seu futuro estava longe de ser promissor.

2017 – ELIMINATÓRIAS

Primeira rodada de 2017, a 13ª das eliminatórias, Argentina x Chile. 1 x 0 para os donos da casa, com gol de Messi. A seleção foi tudo: raçuda, esforçada, jogando com garra, mas nem de longe foi futebol. E isso foi escancarado no jogo seguinte, com a derrota para a Bolívia por 2 x 0, fora de casa. Uma semana após a partida, Edgardo Bauza foi demitido do cargo, para a felicidade da torcida argentina. Para seu lugar, Jorge Sampaoli, um sonho antigo da AFA, foi anunciado.

Na sua estréia pelas eliminatórias, um empate sem gols contra o Uruguai, em Montevidéu. Logo em seguida, outro empate. Dessa vez contra a Venezuela, em casa, por 1 x 1. Tanto torcida, quanto jornalistas tentavam reconhecer que era início de trabalho apenas, mas a situação dos Hermanos ia ficando cada vez mais complicada, e o risco de ficar fora da Copa era real. O resultado colocava a Albiceleste, com 24 pontos, em quinto lugar, atrás do Peru. Vivendo um drama, os argentinos começavam a fazer as contas faltando duas rodadas para o término das eliminatórias. Isso, porque Chile e Paraguai vinham logo atrás, com 23 e 21 pontos, respectivamente.

O adversário seguinte era justamente o Peru. Jogando em casa, a Argentina fez uma partida ruim, e empatou em 0 x 0. Para piorar, tanto Chile quanto Paraguai venceram seus jogos, e encostaram de vez na briga. Os chilenos, inclusive passaram a Albiceleste na classificação. A Argentina, assim, chegava para a última rodada, fora da zona de classificação e repescagem para a Copa do Mundo, e precisando desesperadamente de uma vitória.

Seu oponente era o Equador, fora de casa. Os equatorianos não brigavam por mais nada. Mesmo assim, o drama só aumentou quando Ibarra colocou os donos da casa na frente. Para a felicidade dos hermanos, no entanto, eles tem Messi. O craque argentino colocou a seleção nas costas, marcou três gols, e deu a vitória por 3 x 1, sacramentando a vaga para a Copa da Rússia.

Decisivo como sempre, Messi garantiu a Argentina na Copa (Reprodução/Pablo Cozzaglio/AFP)

A Argentina terminou as eliminatória em terceiro, com 28 pontos. Seu mau futebol, no entanto, preocupa. A seleção poderia ter facilmente ficado fora da Copa do Mundo. Sampaoli ainda não encontrou um estilo de jogo que funcione na Albiceleste, e vem se mostrando extremamente dependente de Messi.

Nos amistosos realizados em 2018, alguns resultados se destacam e preocupam o torcedor. Em amistoso na Rússia, contra a Nigéria, e sem Messi, Sampaoli teve sua primeira derrota no comando da equipe. Após sair na frente, marcando dois gols, a Argentina sofreu a virada, e perdeu por 4 x 2. Já contra a Itália, também sem Messi, vitória por 2 x o na Inglaterra, o que deu um respiro, tanto para a comissão e jogadores, como também para a torcida.

A Argentina sofreu derrota vergonhosa para a Espanha (Reprodução/Paul White/AP)

O resultado contra a Espanha, no entanto, é de preocupar, e muito. A seleção foi atropelada e sofreu uma goleada histórica por 6 x 1. Messi, mais uma vez não estava em campo, mas assistiu das tribunas sua equipe levando uma verdadeira aula de futebol.

Sampaoli ainda não conseguiu fazer a seleção argentina apresentar um bom futebol (Reprodução/Francisco Seco/AP)

Resta saber agora como Sampaoli irá organizar essa equipe para a disputa do Mundial. Recentemente a AFA anunciou um amistoso contra o Haiti, na Bombonera. Esse será o último da seleção antes de viajar para a Rússia. A partida será disputada no dia 29 de maio. Nesta data, o técnico Sampaoli já terá anunciado os 23 jogadores que irão para a Copa.

Faltam 34 dias para a Copa do Mundo 2018. A Argentina está no grupo D, ao lado de Islândia, Croácia e Nigéria.

Enrico Carnevalli

Sobre Enrico Carnevalli

Enrico Carnevalli já escreveu 15 posts nesse site..

Meu nome é Enrico Mendes Carnevalli, tenho 20 anos. Desde pequeno sempre fui muito comunicativo, e na escola era sempre o representante da minha classe em diversas coisas. Sempre gostei muito de jornalismo esportivo, uma das razões pelas quais eu escolhi esta profissão. Chegando na faculdade, fiz algumas amizades e decidimos por criar um blog de jornalismo esportivo. Com ajuda de nosso professor, Celso Unzelte, conseguimos aperfeiçoar muito nossa escrita.

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