Oriundi: a história de jogadores (quase) italianos

- Confira um pouco do grande histórico de jogadores estrangeiros, mas com descendência italiana que aturaram pela Azzurra
Oriundi

Hoje, você pode ver muitas seleções utilizando vários jogadores naturalizados. Exemplos como o da China com os brasileiros Elkeson e Ricardo Goulart. Também pode ser citado o caso da seleção francesa campeã mundial em 2018, onde a maioria dos atletas tinham descendência de outros países. Dessa forma, na Itália não é diferente, pois vários jogadores que já atuaram pela Squadra Azzurra, não são nascidos na Bota, mas possuem o Oriundi. Na Calciostoria dessa semana, contaremos um pouco mais sobre estes jogadores que atuaram pela seleção italiana, mas possuem suas raízes em outro lugar.

O QUE SIGNIFICA ORIUNDI E A HISTÓRIA DA IMIGRAÇÃO ITALIANA

O termo Oriundi é dado aos descendentes de italianos que se encontram em outras partes do mundo. Vale lembrar que a emigração italiana é sem dúvidas uma das que teve o maior número de pessoas envolvidas em toda história. Estima-se que cerca de hoje, mais de 70 milhões de pessoas possuem algum vínculo familiar com a Itália, e muito disso vem pela saída em massa de cidadãos da Terra da Bota, que buscaram algum outro lugar para morar, principalmente no final do século XIX e início do século XX.

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Muito dessa emigração surgiu devido ao período conturbado em que a Itália passou, desde sua unificação no final do século XIX, até a ascensão do fascismo no começo do século XX, com Benito Mussolini. Com isso, várias pessoas contra o governo procuraram sair do país para não serem presas ou assassinadas. Os países com mais cidadãos com descendência italiana são: Brasil, Argentina, Suíça, Estados Unidos, França, Uruguai e Austrália.

O Brasil é o país com o maior número de descendentes fora da Itália. Ao todo, em solo tupiniquim, 25 milhões de habitantes possuem descendência italiana. O estado de São Paulo é o maior distante da Bota no quesito, com quase 13 milhões, ou seja 32,5 % da população paulista tem vínculos com o país europeu. Enfim, na Argentina, quase 40% das pessoas possuem dupla-nacionalidade com a Itália.

RELAÇÃO ATUAL ENTRE TORCEDORES ITALIANOS E OS ORIUNDI

O futebol italiano está agora sem dignidade ou orgulho porque tem muitos jogadores estrangeiros ou negros jogando nas categorias de base” – Arrigo Sacchi, ex-treinador do Milan, em 2017, em entrevista a Gazzetta dello Sport

Arrigo Sacchi, foi técnico do lendário Milan do final dos anos 80 e início dos anos 90, campeão italiano e europeu, que tinha nomes como Marco Van Basten, Carlo Ancelotti, Franco Baresi e companhia. Além disso, o ex-treinador comandou a Itália no vice-campeonato da Copa do Mundo de 1994. Entretanto, não usou as melhores palavras e de certa forma, com um pensamento retrógrado, em questão ao aumento de jogadores não nascidos na Itália nos últimos anos.

A fala de Arrigo só retrata o histórico de um país que teve dificuldades em aceitar jogadores estrangeiros, desde Eugenio Mosso, argentino que foi o primeiro jogador não italiano a vestir a camisa Azzurra, em 1914, num amistoso contra a Suíça, até recentemente, em dois casos foram emblemáticos sobre o tema. Primeiramente, Mauro Camoranesi fez história com a camisa da Itália nos anos 2000. Entretanto, o argentino nunca foi aceito de forma unânime pelo povo sobre suas convocações a Squadra. Enfim, Mario Balotelli, filho de ganeses, ultimamente vem sofrendo ofensas racistas durante os jogos da Serie A com a camisa do Brescia.

Torcida da Itália protestando sobre a convocação de Camoranesi em 2003 para a seleção Foto: Reprodução/Getty Images

HISTÓRICO DE JOGADORES DESCENDENTES DE ITALIANOS QUE JOGARAM NA AZZURRA

O histórico de jogadores não nascidos na Itália, mas que são descendentes de italianos é muito grande. Isso começou desde os anos 10 do século passado, e se estende até hoje, inclusive com uma onda de brasileiros que atuam, ou já atuaram pela Azzurra. Mas já vamos chegar no assunto Brasil. Agora, confira os Oriundi que jogaram e jogam pela Squadra.

Eugenio Mosso, o Oriundi debutante na Azzurra

Eugenio Mosso nasceu na Argentina, em Mendoza, em 1895. Com a descendência italiana, foi morar na Itália. O atacante se tornou o primeiro atleta não italiano a atuar com a camisa da Squadra Azzurra, em 1914, num amistoso contra a Suíça. Entretanto, foi chamado apenas para determinada ocasião, de forma discreta. Mosso veio a falecer em 1961.

Azzurra 1934: a seleção campeã do mundo pela 1ª vez com Itália

Em 1934, a Itália conquistou seu primeiro título mundial. Além disso, a conquista veio como anfitriã do torneio. O momento da competição coincidia com a ascensão fascista no país e de Benito Mussolini ao poder, com suas ideias nacionalistas. Entretanto, como o governo queria mostrar a grandeza nacional em todos os aspectos, e nisso, o esporte não fugia da pauta, o ditador italiano queria muito a conquista da Copa do Mundo. Sendo assim, Mussolini permitiu a convocação de atletas Orundi para aquele elenco.

No elenco campeão do mundo, cinco jogadores não eram nascidos na Itália. São eles: Luis Monti, Raimundo Orsi, Enrique Guaita, Attilio Demária e Anfilogino Guarisi. Este último é o conhecido Filó, nascido no Brasil, mas que atuou pela Azzurra. Inclusive, ele foi o primeiro brasileiro a atuar pela seleção italiana, numa grande lista de jogadores. Já os outros quatro atletas Oriundi nasceram na Argentina.

Alcide Ghiggia: o uruguaio carrasco brasileiro que também defendeu a Itália

O algoz brasileiro no Maracanazo em 1950 também foi outro grande e importante jogador que vestiu a camisa da seleção italiana. O atacante foi um dos tantos uruguaios que também são Oriundi, porém, nenhum deles é tão famoso quanto Ghiggia. O atleta deixou o Peñarol em 1952, quando foi contratado pela Roma, e jogou até 1964 na Terra da Bota, quando deixou o Milan de volta ao Uruguai. Dessa forma, foi convocado pela Itália para a disputa da Copa do Mundo de 1958, mas jogou apenas uma partida, a derrota contra a Tchecoslováquia por 6 x 1.

Mauro Camoranesi e Pablo Osvaldo: os últimos dois argentinos de destaque na Itália

Estes dois certamente são os últimos dois casos de Orundi pela seleção italiana nascidos na Argentina. Mauro Camoranesi fez história na Juventus, com 288 jogos, 32 gols, e vários títulos entre 2002 e 2010. Com isso, foi convocado pela primeira vez em 2003 para a Itália, mas sempre recebia protestos da torcida Azzurra em questão de não ser um italiano de nascença. Repetindo o feito dos descendentes de 1934, o volante foi campeão do Mundo com Itália em 2006, no elenco que tirou o país da fila de 24 anos sem conquistas do mundial.

Pablo Osvaldo ainda está em atividade, e hoje, joga no seu país natal pelo Banfield. Desde cedo, havia escolhido a seleção italiana, e já jogava na base pela Squadra. Entre 2011 e 2014, fez 14 partidas e quatro gols pela Azzurra. O atacante atuou Fiorentina, Roma, Juventus, Lecce, Atalanta, entre outros clubes do Calcio.

JOGADORES BRASILEIROS QUE JÁ ATUARAM PELA AZZURRA

Filó, o debutante

Anfilogino Guarisi, mais conhecido como FIló, foi o primeiro brasileiro a atuar pela Itália, como já abordamos nesta mesma coluna acima. Além disso, também foi debutante em conquistas de Copa do Mundo pelos jogadores do nosso país, visto que nossa seleção só ganharia um mundial em 1958. O atacante foi ídolo do Corinthians e também atuou pelo Paulistano, antes de se transferir para a Lazio e fazer história no clube da capital. Foram 137 jogos pelos Biancocelestis, e 42 gols. Em 1942, encerrou a carreira no Palmeiras e veio a falecer em 1974, com 68 anos.

Mazzola, o campeão mundial em 1958, mas com história na Bota

Começou sua carreira no XV de Piracicaba, mas teve destaque mesmo no Palmeiras, ao final dos anos 50. Sendo assim, Mazzola chamou atenção do futebol italiano, e seguiu rumo ao Milan, onde também teve grande passagem. José João Altafini conquistou a primeira Copa do Mundo da seleção brasileira em 1958, mas devido a problemas políticos, não atuou em 1962. Sendo assim, no mundial disputado no Chile, vestiu a camisa da seleção italiana. O atleta ainda jogou por Napoli e Juventus, e teve fim na sua carreira em 1980. Hoje, Mazzola tem 81 anos.

“É muito simples. Naquele tempo, o Brasil não chamava quem jogava no exterior. Ninguém. Eu estava no exterior e não seria chamado. Eu, com 23, 24 anos, ficaria muito chateado se perdesse um Mundial. Não fui eu que deixei o Brasil. Foi o Brasil que me deixou” – Mazola

Angelo Sormani, o “Pelé branco”

Angelo Sormani fez história no Santos, antes de embarcar para a Itália. O atleta, apelidado de Pelé Branco, recebeu a própria indicação do Rei para jogar no Peixe. No início dos anos 60, se transferiu para o Mantova, que na época, havia sido recém-promovido para a Serie A. Mas na Bota mesmo, fez história por Milan e Roma, onde conquistou seus principais títulos, e foi convocado pelas primeiras vezes para a Squadra Azzurra. Enfim, o vínculo de Sormani foi tão forte com os Giallorossi, que ele foi técnico do clube, entre 1985 e 1991, fazendo parceria com Sven-Göran Eriksson.

Thiago Motta, o primeiro da onda ítalo-brasileira no século XX

Thiago Motta nasceu em São Bernardo do Campo, em 1982. Seu primeiro clube, ainda na base, foi o Juventus-SP, conhecido por suas raízes com a imigração italiana. Sendo assim, seu vínculo com o país já estava escrito. Profissionalmente, o volante nunca jogou no Brasil e na Itália, foi ídolo no Genoa, passou pela Internazionale e embarcou rumo ao PSG, onde encerrou sua carreira. Pela seleção italiana, foi convocado pela primeira vez em 2011, e disputou a Eurocopa 2012, onde a Azzurra foi vice-campeã, e também a Copa do Mundo de 2014. Teve uma experiência como técnico nos Rossoblù no final de 2019, mas não teve sucesso.

Éder, o catarinense com toque azul

Revelado pelo Criciúma, Éder fez toda sua carreira basicamente na Itália, passando por Frosinone, Empoli, Sampdoria, onde se destacou e na Internazionale. Pela seleção, começou a atuar em 2015. Hoje, Éder está atuando no futebol chinês, e joga pelo Jiangsu Suning.

Jorginho, o regente da Itália atual

Jorginho talvez seja um dos principais meias da seleção italiana atualmente. Volante titular no esquema de Roberto Mancini, Jorge Frella nunca atuou no Brasil. Foi revelado pelo Verona, em 2010, clube no qual a cidade passou a infância, e foi contratado pelo Napoli em 2014. Suas atuações pela Partenopei Azzurri chamaram a atenção e hoje, ele é o ponto de equilíbrio no meio-campo do Chelsea, dirigido por Frank Lampard.

Gabriel Martinelli, o futuro da geração Oriundi?

Revelado pelo Ituano em 2019 em fevereiro e faz um grande Campeonato Paulista. Contratado pelo Arsenal em junho do ano passado, e em seis meses, são 22 jogos e 10 gols pelos Gunners. Gabriel Martinelli vem chamando não só a atenção na Inglaterra, como em todo o planeta. Porém, o que muitos não sabem, é que o jovem de 18 anos é um Oriundi. Sendo assim, ele tem a opção de atuar pela seleção canarinho, ou pela Squadra Azzurra. Recentemente, Jorginho, outro brasileiro que joga pela seleção italiana, tentou convencê-lo a aceitar a proposta da Itália para se naturalizar.

“Nos vemos de novo em março, estamos te esperando”, disse Jorginho a Martinelli, durante empate entre Chelsea e Arsenal por 2 x 2 pela Premier League.

Foto destaque: Reprodução/Store di Calcio

Caíque Ribeiro

Sobre Caíque Ribeiro

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Olá, eu sou Caíque Ribeiro, tenho 19 anos e a paixão por esportes corre em minhas veias, sobretudo, o futebol. Um amante do futebol tanto brasileiro, quanto europeu e ainda sim, do alternativo. Tendo como maior jogador que vi jogar, Ronaldinho Gaúcho e grandes memórias futebolísticas. Estou cursando jornalismo pela Universidade Anhembi Morumbi. Quando criança,sonhava em ser jogador de futebol,mas a vida me planejou outros rumos. Desde então, decidi juntar duas paixões: a paixão por escrever e a paixão pela pelota, e seguir nessa jornada,sempre disposto a trazer a informação de forma correta e apurada ao público. Além de futebol, escrevo e sou comentarista sobre basquete na Rádio Poliesportiva. Instagram: @caiqueribero, Twitter: @CRSousa5

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