Opinião: VAR não pode ser usina de polêmicas

Rever um lance interpretativo, em câmera lenta, é inadmissível. Na volta do Brasileirão, recurso anulou gol legítimo do Vasco

Criado para mitigar os erros de arbitragem, o árbitro de vídeo, o VAR, tem caminhado na contramão, criando polêmicas desnecessárias e interferindo diretamente no desenrolar dos jogos.

Entra jogo, sai jogo, e o sistema implantado segue incentivando debates sobre como ele deveria funcionar e como, de fato, está funcionando. Não bastasse a demora inexplicável na revisão, o VAR tem servido para que árbitros, cada vez mais inseguros, revisem lances em contextos equivocados.

A mais recente polêmica ocorreu neste sábado, na Arena Grêmio. No início do segundo tempo, Rossi, do Cruz Maltino, disputou uma bola com o jovem Matheus Henrique. Na briga por espaço, em um lance absolutamente normal, o atacante do Vasco abriu o braço, que atingiu o rosto do gremista. A jogada seguiu, Valdívia encontrou Pikachu, que invadiu a área e marcou o gol – naquele momento, o Vasco abriria 2 a 0, fora de casa. Acionado pela equipe de vídeo, o árbitro Rodolfo Toski Marques reviu o lance e anulou, de forma equivocada, o gol do time carioca. 

Toski Marques acompanhava a jogada de uma distância privilegiada e, no momento da disputa, não entendeu haver irregularidade. Chamado à cabine revisora, viu o replay em uma velocidade anormal, na qual quase todos os encontrões comuns parecem ter ocorrido com uso desproporcional da força.

As trapalhadas do VAR têm sido tantas, que até mesmo ex-árbitros e comentaristas têm se revoltado. Desta vez, quem se manifestou de forma acintosa foi Arnaldo Cezar Coelho. “Uma vergonha esse negócio de VAR”, disse, em sua conta oficial no Twitter.

Os problemas do VAR

Na visão deste colunista, há dois grandes problemas no uso do VAR. O primeiro deles diz respeito ao seu uso em lances interpretativos. Nestes casos, trata-se de uma loteria, com uma infinidade de possibilidades. É exatamente por isso que existem comparações entre a arbitragem europeia e a sul-americana. Nos dois continentes se pratica o mesmo esporte, o futebol, mas as decisões divergem. A interpretação, como se sabe, é subjetiva, e isto deveria servir como argumento derradeiro nesta discussão.

Quando o árbitro vai à cabine do VAR, a pressão da torcida e dos jogadores, por exemplo, é um fator que pode colocar em xeque uma decisão tomada com convicção em um primeiro momento.

O segundo problema envolvendo o VAR é ainda mais grave: o desconhecimento da regra. “A International Board, organismo que regula as leis do futebol, mudou as regras recentemente, é verdade, mas é dever do árbitro se atualizar. Na final da Copa América, por exemplo, Roberto Tobar errou ao marcar pênalti para o Peru.

A bola bate no braço de Thiago Silva, que se projetou para cortar o cruzamento, mas, o item C da Circular 15 da International Board, para ser bem preciso, diz que “um jogador não será normalmente penalizado quando a bola tocar na sua mão/braço se: um jogador cair e sua mão/braço está entre seu corpo e o chão para apoio”. Foi exatamente o que ocorreu no lance.

Tobar foi revisar o lance e chancelou seu desconhecimento. Os assistentes, da tão citada sala do VAR, também provaram não conhecer a regra.

Diante deste cenário, a FIFA, como entidade máxima do futebol, deveria vir à público esclarecer de que maneira o recurso pode ser usado. É inadmissível que se demore tanto para apurar uma irregularidade, ou, como tem ocorrido, que o replay funcione como fábrica de erros.

André Siqueira Cardoso

Sobre André Siqueira Cardoso

André Siqueira Cardoso já escreveu 313 posts nesse site..

Sou André Siqueira Cardoso, tenho 21 anos. Aluno de jornalismo da Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP), atualmente trabalho em VEJA, com a cobertura do noticiário político. Apaixonado por esportes, jogador de futebol até hoje, tenho o sonho de cobrir uma Copa do Mundo.

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Sou André Siqueira Cardoso, tenho 21 anos. Aluno de jornalismo da Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP), atualmente trabalho em VEJA, com a cobertura do noticiário político. Apaixonado por esportes, jogador de futebol até hoje, tenho o sonho de cobrir uma Copa do Mundo.

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