Opinião: se o 2018 do Vasco for ruim, Eurico Miranda é o culpado

Não é o poder que corrompe o homem; o homem é quem corrompe o poder. Esta frase, eternizada por Ulysses Guimarães, um renomado político brasileiro, diz muito sobre a realidade vivida por um dos clubes mais tradicionais do Brasil, o Vasco da Gama, nos últimos anos, mas sobretudo nos últimos dias. O poderoso chefão, Eurico Miranda, deixou o clube de cabeça para baixo e, caso o Gigante da Colina encare um retumbante fracasso em 2018, ele será o culpado.

O poder de Eurico Miranda é inegável. São várias as histórias que ilustram como o manda-chuva instituiu uma forma de governo mascaradamente ditatorial. Em São Januário, muitos são os mistérios: a arbitragem é tendenciosa, o Vasco demora para voltar dos vestiários quando precisa saber os resultados dos adversários, as torcidas organizadas usufruem de benefícios um tanto quanto escusos e a força política nos bastidores é gigantesca.

Cosme Rimoli, jornalista da Record, publicou recentemente em seu blog a história por trás da presença de Edmundo nas finais do Brasileirão de 1997. Na ocasião, ‘O Animal’ estava pendurado, com dois cartões amarelos. Ficaria de fora do jogo decisivo se fosse advertido outra vez. O atacante, para variar, caiu na provocação e levou o amarelo após confusão com Roque Júnior. Então, Eurico agiu e acionou o então treinador, Antônio Lopes. Edmundo forçou a expulsão: entrada acintosa no zagueiro alviverde. Cartão vermelho. Xeque-mate do presidente. Com três amarelos, a suspensão seria automática. Com o vermelho, Eurico entrou com um efeito suspensivo, que foi concedido pela justiça desportiva por 6 a 1. Edmundo entrou em campo e o Vasco foi campeão. “Eu não falei que o Edmundo jogaria? Avisei até a imprensa paulista. Duvidaram. Tá aí”, debochava Eurico Miranda.

Sem mais digressões, voltemos, pois, à sede por poder de Eurico Miranda.

As eleições presidenciais em São Januário estavam marcadas para o dia 07 de novembro. Eurico tentaria a reeleição, para continuar com seus planos maquiavélicos e retrógrados. Júlio Brant despontava como candidato mais forte para destroná-lo. E seria esse o desfecho se não houvesse a urna 7, na qual Eurico foi eleito por 92% dos votos.

De lá pra cá, a briga segue na Justiça. E o Vasco segue estagnado. A novidade da vez é a gestão compartilhada à qual o clube estará submetido até a próxima sexta-feira, 19. Eurico Miranda, Júlio Brant e Fernando Horta comandarão em conjunto até que o imbróglio chegue ao fim.

Antes disso, porém, o cadavérico presidente leiloou jogadores do profissional. Anderson Martins foi para o São Paulo; Gilberto trocou o Cruz Maltino pelo rival Fluminense; Mateus Vital veio para o Corinthians, em uma conexão Rio-São Paulo. Ademais, renovou contrato de jogadores da base sob condições duvidáveis.

O estopim, porém, veio na tarde de hoje. Cadavérico, sempre com seu olhar que se assemelha àquelas posturas típicas dos mafiosos de produções hollywoodianas, colocou em xeque a estreia do Vasco no estadual e soltou uma bomba sobre a participação do clube na Libertadores. ”Tenho uma viagem para o Chile, e as passagens precisam ser pagas. Hoje era o último dia. Eles que paguem. Não vou me reunir com ninguém. Pode ser até sobre a compra de um saco de gelo que eu não tomo medida. Pode não ter passagem”, disparou.

Uma importante temporada para o Vasco começará em breve. Se o clube fracassar, ou encontrar dificuldades por conta de uma birra de Eurico, ele será o grande culpado.

 

André Siqueira Cardoso

Sobre André Siqueira Cardoso

André Siqueira Cardoso já escreveu 313 posts nesse site..

Sou André Siqueira Cardoso, tenho 21 anos. Aluno de jornalismo da Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP), atualmente trabalho em VEJA, com a cobertura do noticiário político. Apaixonado por esportes, jogador de futebol até hoje, tenho o sonho de cobrir uma Copa do Mundo.

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Sou André Siqueira Cardoso, tenho 21 anos. Aluno de jornalismo da Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP), atualmente trabalho em VEJA, com a cobertura do noticiário político. Apaixonado por esportes, jogador de futebol até hoje, tenho o sonho de cobrir uma Copa do Mundo.

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