Opinião: quartas de final da Champions e a aula sobre futebol

Ajax, Tottenham, Manchester City e o que há do outro lado do continente

Após os jogos desta quarta-feira, 17, os quatro semifinalistas da Liga dos Campeões foram definidos: Barcelona, Liverpool, Tottenham e Ajax. Para além das particularidades, como a ausência de Cristiano Ronaldo neste estágio da competição pela primeira vez desde a temporada 2006/07, o maior campeonato de clubes do futebol presenteou os amantes do esporte com verdadeiras aulas de bola.

No Camp Nou, o Barcelona despachou o Manchester United em mais uma atuação extraterrestre de Lionel Messi, autor de dois gols. Como bem ilustrou Leonardo Miranda, no blog Painel Tático, no portal Globo Esporte, o time culé segue com suas engrenagens fluindo em perfeito sintonia para que o argentino faça sua mágica com a maior naturalidade.

No Juventus Stadium, em Turim, um confronto épico. O holandês Ajax, campeão em 1995, vice em 1996 e semifinalista em 1997, deu uma aula de futebol moderno, ousadia e todos os demais predicados que possam enaltecer o que foi feito na Itália. Contra um time mais badalado, mais caro e favorito, a equipe comandada por Erik Ten Hag não jogou como time pequeno. Muito pelo contrário: esfriou o jogo no campo defensivo da Velha Senhora, acelerou quando foi necessário, recorreu à bola longa em algumas ocasiões e, além disso, deixava o talento de Neres e Ziyech falar mais alto em outros momentos. O resultado? Virada, fora de casa, para voltar à semifinal depois de 22 anos.

O sobrenatural Cristiano, com o apito final, provou que é tão natural e de carne e osso como todos nós, ao sentar-se no gramado e acusar o golpe mesmo tendo se acostumado massivamente com as glórias.

Agora, a escola do Ajax, que já projetou Cruyff, Seedorf, Davids, entre outros, vai em busca de uma façanha ainda maior.

Em Portugal, o Porto tinha a ingrata missão de reverter um 2×0, conquistado pelos comandados por Klopp, um dos três melhores técnicos do mundo, em Liverpool. Mesmo em casa, nova derrota: 4 a 1 para os Reds. O time português, no entanto, não deixou de lutar. Perdeu porque o time adversário era infinitamente superior.

Por último, mas não menos importante…

A cereja do bolo, no entanto, ficou para a partida em Manchester, onde os Citizens precisavam reverter um placar simples, de 1 a 0, diante do seu torcedor.

Bola rolando. Em 20 minutos, 5 gols. Ritmo alucinante. Dois times jogando ofensivamente, sem medo de perder. Algo muito melhor do que o resultadismo tosco e barato abundante no Brasil.

O Tottenham, do excelente Pochettino, em nenhum momento jogou com o regulamente embaixo do braço, como diz o jargão. O City, em desvantagem, não abusou dos chuveirinhos, como também é muito comum de se ver no país pentacampeão.

Quem viu o jogo pôde se deleitar com a verdadeira definição de futebol arte. O bravo Manchester City, que chegou a marcar o quinto gol, anulado pelo árbitro de vídeo nos instantes finais, caiu de pé. Os londrinos do Tottenham, por outro lado, mesmo derrotados, mostraram um repertório gigante. E o gigante Kane sequer jogou, olha só. Espetáculo. Nada mais!

E daí?

O futebol europeu dispõe de mais recursos, da infraestrutura às finanças, como se sabe. Mas a bola jogada na terra descoberta por Colombo está como está pela pobreza de ideia daqueles que comandam times. Um a zero não é goleada. Futebol reativo é uma forma elegante de se referir a retrancas. Por aqui, de nada adianta ocupar o último terço, se não há desequilibrantes com capacidade de performar nem técnicos que exijam uma performance mais convincente.

André Siqueira Cardoso

Sobre André Siqueira Cardoso

André Siqueira Cardoso já escreveu 306 posts nesse site..

Sou André Siqueira Cardoso, tenho 21 anos. Aluno de jornalismo da Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP), atualmente trabalho em VEJA, com a cobertura do noticiário político. Apaixonado por esportes, jogador de futebol até hoje, tenho o sonho de cobrir uma Copa do Mundo.

1X Bet
André Siqueira Cardoso
André Siqueira Cardoso
Sou André Siqueira Cardoso, tenho 21 anos. Aluno de jornalismo da Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP), atualmente trabalho em VEJA, com a cobertura do noticiário político. Apaixonado por esportes, jogador de futebol até hoje, tenho o sonho de cobrir uma Copa do Mundo.

Artigos Relacionados

Topo