Opinião: por um 2019 melhor, Santos precisa de reformulação do elenco

Se quiser almejar conquistas no próximo ano, diretoria deve mudar o perfil dos jogadores que vestem a camisa santista

O Santos ainda tem cinco jogos até o final do ano. Todos pelo Brasileirão. Três fora de casa, contra Flamengo, América-MG e Sport, e dois como mandante, contra Botafogo e Atlético-MG. A única ambição do time da Vila é chegar à Libertadores. Muito pouco para um time que não vence o campeonato nacional há 14 anos, mas um alento para um time que conviveu com o fantasma do rebaixamento durante a passagem de Jair Ventura pelo alvinegro paulista.

Se quiser brigar por títulos em 2019, o Peixe precisa reformular drasticamente seu elenco. A campanha no Brasileirão deste ano deixou isto muito claro. Sem um bom plantel, o time paulista limitou-se a ter 11 bons jogadores, mas quem vem do banco deixa muito a desejar. A partida contra a Chapecoense evidenciou isto. O técnico Cuca não pôde contar com seis jogadores com status de titular: Victor Ferraz, Luiz Felipe, Lucas Veríssimo, Diego Pituca, Rodrygo e Gabriel. Em seus respectivos lugares, foram escalados Daniel Guedes, Yuri, Gustavo Henrique, Bryan Ruiz, Eduardo Sasha e Copete. Destes, apenas o zagueiro Gustavo Henrique e o meia costarriquenho têm condições de jogar.

Este é um dos problemas do elenco santista: muitos dos suplentes são medíocres. São jogadores limitados, com pouca capacidade técnica e que nada agregam a um time que, há duas rodadas, depende de si para entrar no G-6 do campeonato brasileiro. As atuações de Yuri, Sasha e Copete, contra a Chapecoense, representam tudo o que há de mais horripilante no futebol. Quando entrou, Arthur Gomes foi outro que errou quase tudo o que tentou. Ainda há outros atletas nesta lista seleta, como Jean Mota e Yuri Alberto, por exemplo. Jogadores deste quilate não podem vestir a camisa do Santos, com todo o respeito aos profissionais que são. 

O time de um único goleador

Outro problema do Santos: só Gabriel, emprestado, é capaz de fazer gol. O camisa 10 também é limitado, e sua passagem pela Europa comprova isso, mas nada de braçada no futebol brasileiro por um simples motivo: finaliza sempre que pode – e o faz de forma boa, uma virtude do jovem canhoto. No Pacaembu, na noite desta segunda-feira, o goleiro Jandrei não foi exigido pelos santistas, porque o Peixe repetiu os erros da época de Jair Ventura, quando, sem criatividade nenhuma, recorria única e exclusivamente a cruzamentos.

A diretoria, hoje comandada pelo inigualável José Carlos Peres, cometeu erros de planejamento no meio da temporada. Não teve êxito na renovação de contrato do promissor Robson Bambu, além de ter emprestado David Braz para o futebol turco. Com as lesões de Luiz Felipe e Lucas Veríssimo, o Peixe ficou sem zagueiro. Na lateral esquerda, Dodô não tem substituto. Quando começa a engrenar, Bryan Ruiz, contratado para resolver a carência na armação, é substituído por Arthur Gomes, enquanto Yuri permanece em campo. No ataque, sem Gabriel, apenas Derlis González, é o único que se salva.

Quem pode ficar?

Dos jogadores à disposição de Cuca e sua comissão, apenas Vanderlei, Victor Ferraz, Luiz Felipe, Lucas Veríssimo, Dodô, Pituca, Sánchez, Bryan Ruiz, Derlis e Gabriel têm condições de ficar. O lateral ainda não foi comprado em definitivo; o paraguaio está emprestado por dois anos, e Gabriel vive clima de despedida.

E 2019?

Para 2019, o Santos precisa de dois zagueiros, um lateral-esquerdo, um volante, um meia e pelo menos dois bons atacantes. A esta altura, as sondagens já deveriam estar sendo feitas, mas Peres e sua direção permanecem em inércia. Somente os nomes de Diego e Robinho voltaram à pauta, como de praxe. Embora caminhem para o ocaso de suas carreiras, na atual circunstância, seriam dois bons reforços. O próprio Vagner Love, que quase foi contratado na janela do meio do ano, é muito bem-vindo.

O Peixe pode até recorrer à bolada arrecadada com a venda de Rodrygo para o Real Madrid para reforçar seu elenco, mas a primeira parcela já foi paga pelo clube espanhol e o time da Vila encontra dificuldades para encerrar o ano com as contas no azul. Por isso, contratações galáticas são praticamente impossíveis.

O último grande título conquistado pelo Santos ocorreu em 2011, quando Neymar e Ganso conduziram o Peixe à taça da Libertadores. De lá para cá, um gostinho de quase na Copa do Brasil, em 2015, e títulos estaduais. Se quiser sonhar mais alto, é imperativo mudar drasticamente o perfil do plantel.

André Siqueira Cardoso

Sobre André Siqueira Cardoso

André Siqueira Cardoso já escreveu 313 posts nesse site..

Sou André Siqueira Cardoso, tenho 21 anos. Aluno de jornalismo da Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP), atualmente trabalho em VEJA, com a cobertura do noticiário político. Apaixonado por esportes, jogador de futebol até hoje, tenho o sonho de cobrir uma Copa do Mundo.


 

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Sou André Siqueira Cardoso, tenho 21 anos. Aluno de jornalismo da Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP), atualmente trabalho em VEJA, com a cobertura do noticiário político. Apaixonado por esportes, jogador de futebol até hoje, tenho o sonho de cobrir uma Copa do Mundo.

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