Opinião: Falta de pragmatismo custa caro a Fernando Diniz

Demitido do Fluminense, treinador mantém sina de não conseguir aliar futebol vistoso a desempenho

Fernando Diniz não é mais o técnico do Fluminense. A demissão ocorre horas depois da derrota do time das Laranjeiras para o CSA, em pleno Maracanã. Quando o revés foi sacramentado, a torcida não perdoou: protestou de forma incisiva contra Diniz e os jogadores, chamados de “sem vergonha” por quem estava no estádio. Embora o tricolor carioca esteja nas quartas de final da Sul-Americana, o desequilíbrio entre futebol vistoso e desempenho tornava iminente a saída do treinador.

Dentre os treinadores da dita nova geração, Diniz é um dos que apresentou as melhores ideias. Quando surgiu no Audax, o técnico representava tudo de mais admirado no futebol: posse de bola, troca de passes, mudança de posição e jogo veloz. A campanha do time naquele campeonato paulista o credenciou para um voo maior, a ida para o Athlético-PR.

No Furacão, Diniz deixou o time na zona do rebaixamento do Brasileirão, com um aproveitamento de 25% no campeonato nacional. O filme se repetiu no Rio de Janeiro, de onde o treinador sai com um aproveitamento de 49%. Neste sentido, penso que falta pragmatismo ao jovem e bom treinador.

Jogar para frente é uma virtude e, provavelmente, você já se encantou com alguma partida jogada pelos comandados de Diniz. Mas o treinador precisa saber ponderar seus conceitos. Trocando em miúdos: de nada adianta implementar uma nova versão do carrossel holandês, se sua equipe não for capaz de derrotar o fraco CSA jogando em seus domínios – vale dizer que esta foi a primeira vitória do time alagoano fora de casa.

Dividir a culpa

O Fluminense passa por um processo de desmonte desde a saída da Unimed. A situação financeira do clube é calamitosa. Mas, mesmo assim, não é um exagero dizer que o tricolor tem time para não estar onde está. Diniz tem culpa, sim, mas não é normal finalizar 33 vezes a gol e não marcar um gol sequer. Os donos da casa tiveram, no mínimo, cinco chances claras de gol.

Torço para o sucesso de Diniz. Suas ideias fazem bem ao futebol, mas o treinador precisa de um período sabático, para repensar como estruturar suas equipes. Desde que deixou o Audax, o jovem técnico passou por dois clubes grandes: Athlético e Fluminense. Em nenhum deles teve sucesso. Se não souber se reinventar, correrá o risco de se tornar apenas mais um, cada vez com menos prestígio. O que será ruim para sua carreira, mas sobretudo para o futebol.

André Siqueira Cardoso

Sobre André Siqueira Cardoso

André Siqueira Cardoso já escreveu 313 posts nesse site..

Sou André Siqueira Cardoso, tenho 21 anos. Aluno de jornalismo da Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP), atualmente trabalho em VEJA, com a cobertura do noticiário político. Apaixonado por esportes, jogador de futebol até hoje, tenho o sonho de cobrir uma Copa do Mundo.

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