Opinião: eliminação precoce dá choque de realidade necessário ao Santos

Em jogo de portões fechados, Peixe só empata contra River-URU e está fora da Sul-Americana na primeira fase

A eliminação santista da Sul-Americana surpreendeu. Em um primeiro momento, porque o time brasileiro era melhor tecnicamente que o uruguaio. Em um segundo plano porque, até o momento, Sampaoli e companhia vinham sendo elogiados pelo futebol bem jogado no campeonato estadual.

Neste momento, é imprescindível evitar uma análise polarizada do fato e do que vem por aí. Acima de tudo, a eliminação serve como choque de realidade necessário para os santistas. A campanha no Paulistão é um alento, sobretudo porque a equipe começou o ano desacreditada – neste sentido, é bom lembrar que havia o boato de que Sampaoli deixaria o Peixe antes mesmo da estreia oficial na temporada. Porém, mesmo considerando a existência de times do interior que têm jogado de forma convincente, como o Red Bull Brasil, apenas Corinthians, Palmeiras e São Paulo são adversários à altura das ambições santistas.

Por outro lado, não é justo que se diga que tudo é um fiasco. Neste sentido, soa bem a declaração de Sampaoli, que afirmou que não irá alterar sua filosofia de jogo em decorrência da eliminação. Exatamente por isso, não é um exagero dizer que, com mais tempo de treinamento e reforços pontuais, o Peixe possa sonhar com títulos na temporada.

Jogadores do River Plate-URU comemoram façanha no Pacaembu vazio (Reprodução/Marcos Riboli)

Os motivos da eliminação

Atuações ruins

O Santos não teve uma atuação convincente em nenhum dos dois jogos contra o River Plate uruguaio. No jogo de ida, o alvinegro da Vila até levou perigo ao gol de Gastón Oliveira, mas o ímpeto ofensivo deixou de existir após a expulsão de Orinho. No jogo desta terça-feira, em um Pacaembu sem torcida, a atuação expôs as principais carências do elenco comandado pelo treinador argentino: a lateral-esquerda e fazedor de gols.

Copete não foi o culpado pelo gol de Mauro da Luz, mas sua atuação foi abaixo da crítica, mais uma vez. O colombiano é esforçado, mas limita-se a isso. Erra passes fáceis, se complica com a bola e não funciona como válvula de escape, a exemplo de Victor Ferraz. No ataque, Derlis não repetiu as boas atuações e Soteldo foi quem mais tentou – o baixinho venezuelano teve participação no gol marcado. Porém, falta a referência dentro da área. O Santos de Sampaoli sabe manter a posse de bola, mas nesta terça-feira não houve infiltração. Diante da eficiente retranca uruguaia, o Peixe foi inoperante.

Substituições equivocadas

Além disso, Sampaoli mexeu mal. Na segunda etapa, precisando virar o jogo, o argentino tirou Pituca e colocou Felippe Cardoso. O volante santista, um dos mais regulares desde o ano passado, é melhor criando jogadas do que seu companheiro Alison, que, nesta terça, não foi bem. Seis minutos depois, Sampaoli tirou Alison e colocou Yuri, também volante, mas não exatamente um cabeça de área.

Elenco curto

O terceiro motivo é simples: falta elenco ao Santos. Sem Cueva, Rodrygo e Jean Lucas à disposição, não havia no banco um jogador capaz de mudar o jogo. Em alguns casos, a substituição poderia, inclusive, diminuir a qualidade técnica da equipe.

Daqui para frente

Se na Sul-Americana o Santos não tem mais chances, nos demais campeonatos o time comandado por Sampaoli pode dar trabalho. Para isso, o presidente José Carlos Peres precisa urgentemente acertar as contratações de Felipe Jonathan e Jorge, para a ala esquerda, e de um camisa nove respeitável. Na noite de ontem, as opções no banco eram Felippe Cardoso, Eduardo Sasha e Kaio Jorge – com exceção do último, ainda jovem e que não foi testado, os dois primeiros não têm condições de vestirem a camisa do Santos.

No mais, diretoria e torcida precisam continuar respaldando o inquestionável trabalho de Sampaoli. No ano passado, com Jair Ventura e Cuca, o Peixe jogava um futebol claudicante, sonolento e pífio. Em pouco tempo, a mudança foi drástica.

No próximo sábado, o Peixe recebe o Oeste, no Pacaembu, pelo Paulistão. Na quinta-feira, 7, enfrenta o América-RN, novamente no estádio municipal, pela Copa do Brasil. No domingo, 10, clássico contra o Corinthians, pelo estadual, na Arena Corinthians. O time da Vila enfrentará o Grêmio na estreia do Brasileirão, fora de casa.

André Siqueira Cardoso

Sobre André Siqueira Cardoso

André Siqueira Cardoso já escreveu 306 posts nesse site..

Sou André Siqueira Cardoso, tenho 21 anos. Aluno de jornalismo da Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP), atualmente trabalho em VEJA, com a cobertura do noticiário político. Apaixonado por esportes, jogador de futebol até hoje, tenho o sonho de cobrir uma Copa do Mundo.

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