Opinião: caso Balbuena evidencia como empresários podem ser prejudiciais

Zagueiro paraguaio pode deixar o Corinthians por baixo valor, deixando seu atual clube sem reposição e grana na conta
Balbuena

O zagueiro Balbuena pode fazer, na noite desta quarta-feira, sua última partida vestindo a camisa do Corinthians. Segundo informações do portal Globo Esporte, os representantes do paraguaio têm costurado um acordo com o Celta de Vigo, da Espanha, para a compra do jogador. O desfecho, aliás, parece estar próximo, e aponta para a ida do xerife do Timão ao Velho Continente. Se confirmada segundo os moldes divulgados, esta será mais uma das transferências que mais lesam do que beneficiam os clubes brasileiros.

Para contratar o atual camisa 4 do Corinthians, o Celta terá de dnaesembolsar, por 100% dos direitos, a irrisória quantia de 4 milhões de euros – aproximadamente R$ 17 milhões. O valor é extremamente questionável, uma vez que trata-se de um jogador jovem, de 26 anos, com grande potencial e notável regularidade. Não é nenhum absurdo apontador o conterrâneo de Gamarra como um dos melhores beques do país.

Diante destes predicados, o mais curioso corintiano deve se perguntar: por que, então, a multa rescisória é tão baixa? A resposta é simples: durante o imbróglio da renovação de contrato, os empresários de Balbuena exigiram que este fosse o valor fixado. A extensão do contrato, que agora vai até 2021, foi firmada em abril passado.

Fica claro, então, que o Corinthians cedeu às exigências dos agentes do jogador. Neste momento, é justo que haja o pensamento de que, caso a renovação não fosse acertada, Balbuena sairia ao término do contrato sem render um centavo aos cofres do clube, enquanto, na atual circunstância, renderá cerca de R$ 17 milhões.

Há, porém, a possibilidade de enxergar a situação sob outro prisma. Diante das delicadas situações financeiras do clube, o possível valor a ser recebido não deve ser utilizado para uma reposição à altura. Ou seja, o atual campeão brasileiro terá um prejuízo técnico, já que perderá um bom jogador, e não terá retorno financeiro.

Por fim, o Globo Esporte cita o clube espanhol como ”porta de entrada” para grandes clubes europeus. O roteiro, neste contexto, é conhecido: o jogador, vendido a preço de banana pelos brasileiros, faz uma boa temporada, se destaca, e é revendido a um terceiro clube por um valor hiperinflacionado. Então, o europeu, bom vendedor, lucra muito mais que o brasileiro, péssimo negociador.

A influência dos empresários é um fenômeno relativamente recente, mas, em boa parte dos casos, extremamente nociva aos clubes. Por vezes, colocam os dirigentes brasileiros, cada vez mais inábeis como gestores, contra a parede, costuram acordos que beneficiam interesses privados, entre outras artimanhas. O caso de Balbuena não é o primeiro, tampouco será o último. Exatamente por isso, já passou da hora dos cartolas deixarem a inépcia e a inércia de lado, para que, no final, sejam os clubes beneficiados com transações como essa.

André Siqueira Cardoso

Sobre André Siqueira Cardoso

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Sou André Siqueira Cardoso, tenho 21 anos. Aluno de jornalismo da Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP), atualmente trabalho em VEJA, com a cobertura do noticiário político. Apaixonado por esportes, jogador de futebol até hoje, tenho o sonho de cobrir uma Copa do Mundo.


 

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Sou André Siqueira Cardoso, tenho 21 anos. Aluno de jornalismo da Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP), atualmente trabalho em VEJA, com a cobertura do noticiário político. Apaixonado por esportes, jogador de futebol até hoje, tenho o sonho de cobrir uma Copa do Mundo.

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