O recorrente problema do racismo no futebol italiano

- A cada temporada que passa, mais relatos preconceituosos se fazem presentes e tomam as atenções das partidas

A temporada 19/20 da Serie A TIM apenas começou, mas há um triste fator dividindo as atenções com o futebol. O racismo anda pairando nos estádios da Itália, porém, infelizmente, isso não é de hoje. Só nas primeiras rodadas, Lukaku, Késsie e Dalbert sofreram insultos de cunho racial em partidas em que suas equipes atuaram fora de casa. Alguns cidadãos não encaram as ofensas como ”racismo de verdade”, os clubes e torcidas não são punidos e os jogadores acabam desprotegidos contra algo que os fere como seres humanos.

Lukaku e as ”certas maneiras de ajudar o time”

Cara nova na Serie A, o belga Romelu Lukaku convive com gols e insultos. Na 2ª rodada do campeonato, a Inter de Milão visitou o Cagliari e venceu o duelo com gol do atacante. Porém, antes da cobrança de pênalti que originou seu tento, a torcida imitou sons de macaco, claramente direcionados ao jogador. Ainda mais, os próprios ultras (torcedores mais ”radicias” do futebol italiano) do time de Milão defenderam a atitude dos rivais. Segundo eles, Lukaku não tinha motivos para se chatear, já que ”o racismo não é um problema real na Itália”.

Em outro episódio envolvendo o mesmo, o jornalista Luciano Passirani tentou elogiar o atacante, mas acabou utilizando uma frase infeliz e de de cunho racista: “Se você for no um contra um, ele vai te matar. Para pará-lo, você tem que jogar 10 bananas para ele comer“. No mesmo dia, o comentarista foi afastado e assim segue por tempo indeterminado. Entretanto, Lukaku não foi a única vítima de preconceito.

Kessié, Dalbert e a necessidade de lutar

Na 3ª rodada do Calcio, o meio-campista do Milan, Franck Kessié foi alvo da torcida do Hellas Verona. Testemunhas e jornalistas afirmam que, todas as vezes em que o marfinense pegava na bola, os aficionados vaiavam e imitavam macacos. Em sua conta oficial do Twitter, o Verona disse que as vaias são normais e que sua torcida não se encaixa no esteriótipo racista. Isso é algo comum no meio da bola. Torcedores e alguns dirigentes, por exemplo, dizem que as manifestações ditas preconceituosas são apenas para ”apoiar o time” e ”desestabilizar o adversário”.

Outro caso foi em Bérgamo, na partida entre Atalanta e Fiorentina. Na ocasião, os ultras insultaram o brasileiro Dalbert. Inclusive, o árbitro paralisou o jogo durante alguns minutos por conta da atitude dos ditos torcedores. Posteriormente, os casos chegaram a repercutir entre alguns políticos da Itália e entidades da FIFA, que dizem que “O futebol é divertimento, mas também um momento de crescimento e ensinamento de vida. E é isso que deve voltar a ser”, e não é apenas um momento de combater o preconceito, mas sim que “Temos de lutar contra ele, temos de expurgar o racismo de uma vez por todas, na Itália e no resto do mundo”.

Outros exemplos e mais que racismo

Alguns outros problemas recentes são do ex-jogador da Juventus, Moise Kean, que também sofreu insultos em Cagliari na temporada passada, Blaise Matuidi, Kalidou Koulibaly, Samuel Eto'o e Sulley Muntari, que são alguns dos jogadores que também foram insultados. Por outro lado, ainda abordando esta temporada, podemos citar o bósnio Miralem Pjanić, que sofreu ofensas xenófobas vindas da torcida do Brescia.

Há muito o que se discutir em relação ao comportamento preconceituoso que está presente em diversos cantos do mundo do esporte. O futebol italiano vem criando manchas na sua história pelo fato de haver tais ações em meio ao que deveria ser o foco da coisa toda: o espetáculo. Quem sabe algum dia os jogadores de diferentes etnias se sintam a vontade atuando na Itália, desde que possam ser prestigiados por torcedores que realmente querer apoiar na base da motivação e não na base do ódio e da intolerância.

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Leonardo Abrahão, 20 anos, paulista e estudante de jornalismo na Universidade Nove de Julho. Futebol no sangue desde pequeno e para sempre.

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