O paradoxo santista com Pelé

O Santos Futebol Clube rescindiu, na última sexta-feira, seu contrato de uso de imagem de Edson Arantes do Nascimento, o Rei Pelé. Após pagamento de R$ 3,45 milhões à Sport 10, empresa que administra a imagem do melhor jogador de todos os tempos, sacramentou-se a segunda separação de Pelé com o Santos – considera-se o dia em que Pelé transferiu-se para o New York Cosmos como a primeira.
O acordo entre o Santos e a Sport 10 foi firmado em 2013 e posteriormente definiu-se que o uso da imagem de Pelé seria vitalício. Mas nesse período o clube acumulou uma dívida com a empresa, fato que ocasionou a penhora da Vila Belmiro e o bloqueio de R$ 2,8 milhões referentes à venda de Gabriel à Inter de Milão.
Uma fonte próxima a Pelé garante, entretanto, que já existem novas negociações para um novo acordo entre o ex-atleta e sua ex-equipe. Dessa vez, porém, não haveria intermediários. O contrato seria firmado entre Pelé e Santos.
O que mais chama a atenção nesta história toda, entretanto, não é o litígio entre as duas partes, mas sim a incompetência do Santos em explorar a imagem do maior jogador de todos os tempos. A pergunta que fica é a seguinte: nesses três anos de contrato, de que forma o Alvinegro Praiano utilizou a figura do Rei? Quais os benefícios obtidos? E por que a relação extracampo entre Santos e Pelé só passou a existir em 2013?
Desde a saída de Neymar, também em 2013, o Santos não possui um patrocínio master. Por que não utilizar a imagem de Pelé como forma de atribuir credibilidade à marca santista?
Mais do que isso, por que nunca houve ações publicitárias envolvendo o ex-atleta? Seja por incompetência do setor de marketing santista ou por meras burocracias contratuais, é inquestionável o amadorismo do Santos Futebol Clube neste aspecto.
A geração de Robinho e Diego angariou fãs; Neymar, Ganso e companhia trouxeram uma multidão de novos torcedores, mas também foram responsáveis por inúmeras ações publicitárias. Todos estes são excelentes jogadores, mas que jamais chegarão aos pés de Pelé. Mesmo assim, entretanto, o Santos não foi capaz de reverter a genialidade e a fama do Rei do futebol em reconhecimento.
Nas décadas de 1960 e 1970 a exposição da marca santista era infinitamente maior do que é hoje. As participações do Alvinegro fora do Brasil eram recorrentes. Em 1969, liderado justamente por Pelé, o Santos fez uma excursão na Nigéria e parou a guerra civil de Biafra. O jogo da ”guerra suspensa”, como ficou conhecida a ocasião, foi responsável por trazer um momento de paz para um país dilacerado por conflitos há dois anos.
guerra_nigeria_pele
Hoje, entretanto, pode-se dizer que as relações internacionais do Santos, por assim dizer, são incipientes e respiram por aparelhos. Depois de muitos anos a equipe recebeu o convite para passar a pré-temporada no exterior. O Peixe tem um convite do New York Cosmos, o mesmo clube que foi defendido por Pelé, para disputar um torneio nos Estados Unidos e divulgar a marca santista. Mesmo assim, há relutância por parte da comissão técnica, que alega que isto afetará o planejamento para o restante da temporada.
Unindo o útil ao agradável, nada mais justo que utilizar o New York Cosmos e Pelé para elevar o Santos a um patamar digno de sua história.
A receita, na teoria, é fácil. Mas na prática, o amadorismo, a burocracia e a falta de interesse apequenam um dos maiores clubes do futebol mundial.
André Siqueira Cardoso

Sobre André Siqueira Cardoso

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Sou André Siqueira Cardoso, tenho 21 anos. Aluno de jornalismo da Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP), atualmente trabalho em VEJA, com a cobertura do noticiário político. Apaixonado por esportes, jogador de futebol até hoje, tenho o sonho de cobrir uma Copa do Mundo.

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Sou André Siqueira Cardoso, tenho 21 anos. Aluno de jornalismo da Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP), atualmente trabalho em VEJA, com a cobertura do noticiário político. Apaixonado por esportes, jogador de futebol até hoje, tenho o sonho de cobrir uma Copa do Mundo.

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