O lado mais importante do caso Robinho

Entra ano, sai ano, e o fim de ano na Vila Belmiro segue uma tendência: o Santos procurará Robinho, para tentar repatriá-lo. Esse ano, porém, a já conhecida novela ganhou contornos diferentes, graças a dois fatores: o jogador não deve renovar com o Atlético-MG, o que torna menos complexa a negociação; mas foi condenado, na Itália, a nove anos de prisão, por estupro, fato que mancha sua reputação e pode impedir o acerto com qualquer clube.

Robinho é ídolo do clube, fato irrefutável. A ira da torcida, causada pela ida do Rei das Pedaladas ao Galo, desapareceu quando da notícia de que o camisa sete não renovaria com a equipe mineira. A pecha de mercenário foi substituída pelo alvoroço nas redes sociais. Os santistas passaram a pedir a volta do jogador. Esta seria a quarta passagem do atacante pelo clube.

Mas há outro lado nesta história. Um lado que parece ser ocultado propositalmente, infelizmente.

Após a condenação por estupro, torcedoras atleticanas, do coletivo feminista do clube, manifestaram-se de forma espetacular. ”Um condenado por estupro jogando no Galo é uma violência contra todas as mulheres”, dizia uma faixa estendida na frente da sede do Atlético-MG.

Protesto feminista contra o Atlético Mineiro

Robinho não foi preso, porque pode recorrer da decisão, mas a condenação mancha seu currículo. Embora seja ídolo do meu clube de coração, é difícil – para não dizer impossível – torcer para um jogador condenado por estupro.

O senso comum diz que a instituição está acima de qualquer jogador. Diante disso, eis a questão: se Robinho marca o gol que dá um título ao Santos, é errado comemorar?

Esse debate foi colocado em segundo plano. Atleticanos e santistas, dirigentes ou torcedores, focaram a discussão no aspecto técnico, sobre a importância de se ter um jogador de seu calibre no elenco.

Pouco se falou sobre a gravidade do caso. Talvez porque o esporte insiste em camuflar episódios como esse. E esta ferida precisa ser exposta, como fez brilhantemente Ana Carolina Silva, repórter de UOL Esporte. A lista dos dez atletas que foram acusados de agressão, mas poupados de represálias, pode ser conferida aqui.

Nas últimas horas, contudo, o novo presidente do Santos, José Carlos Peres, eleito no último sábado, roubou a cena. Disse que não existe negociação. Foi além: declarou que a contratação do jogador poderia afetar a imagem do clube.

”Talvez não esteja no perfil que queremos no novo Santos. É um perfil de boa imagem, no Brasil e exterior, sem aventuras. Não podemos trocar o valor do nosso clube por uma decisão”, comentou.

Após a declaração, o setorista do Santos Lucas Musetti, de Globo Esporte, escreveu em sua conta pessoal no Twitter que ”a declaração do novo presidente Peres sobre Robinho, dizendo que a contratação poderia prejudicar a imagem do clube, pegou mal com os representantes do atacante. Retorno ao Santos é improvável”.

E o toma lá, dá cá seguiu. A representante do jogador, Marisa Alija, rebateu Peres. ”A nova diretoria do Santos tem bastante coisa para se preocupar – para manter o clube em um patamar alto –, portanto não precisa se preocupar com as questões pessoais do Robinho”, declarou.

No atual elenco santista, Robinho seria muito titular. Sem muito esforço, deixaria Copete e Arthur Gomes no banco. Até mesmo como meia, é melhor que Jean Mota, Serginho e companhia. Com a camisa alvinegra, seu desempenho é sempre melhor.

Vindo sem contrato, seria a oportunidade de se aposentar vestindo o manto do tricampeão da Libertadores. Mas a torcida precisa entender: Peres está certo.

Se Robinho for inocentado, que seja bem-vindo, caso queira voltar.

Caso contrário, que pague por aquilo que fez.

O Santos deve ser lembrado como grande. E grandes pregam justiça.

Ser um novo Boa Esporte seria um tiro no pé. Algo inaceitável.

André Siqueira Cardoso

Sobre André Siqueira Cardoso

André Siqueira Cardoso já escreveu 313 posts nesse site..

Sou André Siqueira Cardoso, tenho 21 anos. Aluno de jornalismo da Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP), atualmente trabalho em VEJA, com a cobertura do noticiário político. Apaixonado por esportes, jogador de futebol até hoje, tenho o sonho de cobrir uma Copa do Mundo.


 

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Sou André Siqueira Cardoso, tenho 21 anos. Aluno de jornalismo da Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP), atualmente trabalho em VEJA, com a cobertura do noticiário político. Apaixonado por esportes, jogador de futebol até hoje, tenho o sonho de cobrir uma Copa do Mundo.
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