O futebol brasileiro não aprende

O Guarani demitiu Vadão ontem, dia 29 de agosto. O treinador, que tem grande identificação com o clube de Campinas, não foi sequer notificado. Sentiu-se desrespeitado. Para seu lugar, a diretoria bugrina trouxe Marcelo Cabo, técnico que comandou o Atlético-GO na campanha do título da última Série B, com o objetivo da dar um choque de realidade no elenco, para manter vivo a chance de acesso. Por trás da demissão de Vadão, porém, há um problema crônico do futebol brasileiro: os clubes da pátria pentacampeã não sabem encarar a realidade que os circundam.

O Bugre liderou a Série B por treze rodadas. Hoje, porém, na oitava colocação, o time está a seis pontos do G-4, tendo somado três pontos nos últimos quinze disputados. Como de praxe, a diretoria do Guarani justificou a troca no comando técnico por conta dos resultados recentes. A grande questão, neste contexto, como já foi apontado, é que os clubes não admitem quais são seus respectivos lugares em competições.

Em terras londrinas, o Huddersfield Town, recém-promovido à Premier League, é o segundo colocado da liga mais competitiva do planeta. Em três rodadas, duas vitórias e um empate. Nenhum gol sofrido. Orçamento irrisório. Conto de fadas. Mas, se amanhã o Huddersfield despencar, o técnico David Wagner dificilmente será demitido.

David Wagner é o responsável pela surpreendente campanha do Huddersfield Town | Foto: UOL Esporte

No hemisfério sul, a realidade do Guarani pede cautela com a euforia. Trata-se de um clube tradicional, é verdade, mas o acesso deveria ser tratado como utopia. Os motivos são vários. Há menos de um ano, o Guarani estava na Série C. No elenco atual, Richarlyson e Fumagalli, ambos em trajetória decadente no futebol, são as maiores estrelas.

Assim, questiona-se: de que adiantaria participar da elite do campeonato nacional em 2018, colecionar resultados decepcionantes, cair e estar na segunda divisão em 2019? O campeão brasileiro de 1978 deveria se preocupar em consolidar um projeto antes de ambicionar coisas maiores.

Demitir Vadão foi um erro de gestão. Medida impopular, inclusive. Em enquete promovida pela equipe da Globo Esporte, 69,47% dos torcedores desaprovaram a demissão. O coro era unânime: Vadão tirava leite de pedra.

Em determinados momentos, as diretorias jogam para a torcida ao demitirem técnicos. No caso do Guarani, ao que tudo indica, nem isso funcionou desta vez. Marcelo Cabo pode queimar minha língua, superar as adversidades e subir o Bugre. Mas, até que se prove o contrário, enquanto os clubes brasileiros priorizarem ações imediatistas, o marasmo continuará reinando.

André Siqueira Cardoso

Sobre André Siqueira Cardoso

André Siqueira Cardoso já escreveu 313 posts nesse site..

Sou André Siqueira Cardoso, tenho 21 anos. Aluno de jornalismo da Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP), atualmente trabalho em VEJA, com a cobertura do noticiário político. Apaixonado por esportes, jogador de futebol até hoje, tenho o sonho de cobrir uma Copa do Mundo.

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