O Brasil de 58 e 62 e a primeira revolução tática no país do futebol

A coluna Tática dos Campeões te levará a conhecer o sucesso tático da Seleção Brasileira bicampeã

Tática dos Campeões é uma coluna feita em parceria com a página do Instagram @ft__total. Ela tratará de analisar como jogam times icônicos do futebol. Desde seleções campeãs do mundo, até clubes campeões de Champions League e seus legados para a evolução do jogo. Portanto, se você gosta de termos técnicos e tem curiosidade sobre o estilo de jogo mais antigo, vamos desbravar. O Brasil de 58 e 62 é guardada com afeto no coração do torcedor brasileiro. Todo o cenário que rondava aquela Copa do Mundo, por tudo o que representava o time verde e amarelo. Seja por Pelé surgindo, por Garrincha destruindo, pela grande fase de Zagallo. Apesar de todas as questões extra-campo que influenciava todo o jogo, o fator mais marcante dessa seleção (e da copa em si) foi a grande contribuição do time de Vicente Feola para o futuro do jogo.

Tática dos Campeões

1958

Feola, apesar de assumir a equipe brasileira três meses antes da competição, conseguiu introduzir o 4-3-3 na equipe Canarinho – o que viria a ser a base para o famoso “futebol total” da década de 70 em diante. Vale ressaltar que Vicente Feola foi auxiliar técnico do húngaro Bélla Guttmann, no São Paulo, onde teve suas bases táticas.

A escalação base da seleção consistia em: Gilmar; Djalma Santos, Bellini, Orlando Peçanha e Nilton Santos; Zito e Didi; Garrincha, Vavá, Pelé e Zagallo.

O Brasil de 58 variava de um 4-3-3 sem a bola, para um 4-2-4 no campo ofensivo. Ao contrário do que o senso comum costuma pensar, o Brasil em 58 não era uma equipe de troca de passes paciente e nem trabalhava com os volantes participando muito do jogo ofensivo. Muito pelo contrário. O time de Vicente Feola era absolutamente ofensivo e intenso, com grande trabalho de Garrincha e uma movimentação infernal do Zagallo (isso sem contar o talento do jovem Pelé).

Eis o desenho tático daquela seleção no campo ofensivo

A linha de quatro sem posição fixa era o grande segredo dessa equipe. Vale ressaltar a liberdade de Pelé, as boas infiltrações de Didi, a “indisciplina” de Garrincha e (para compensar) a disciplina tática do também talentoso Zagallo. Muita decisão direta e movimentação. O Brasil de 1958 foi a grande inspiração de treinadores ofensivos, graças ao jogo de posição. Defensivamente, essa seleção não tinha segredos: defendia no 4-3-3 com linha baixa (não havia o conceito de linha alta na época). Contava, mais uma vez, com a disciplina de Zagallo para compensar a Garrincha. Além de ter um jovem Pelé para percorrer o campo inteiro.

Eis o desenho tático do Brasil no campo defensivo

Em suma, o Brasil de 58 era uma equipe absolutamente intensa para os padrões da época, com um jogo de posição inspirado na Hungria, de Gusztáv Sebes e Puskás. Não era uma equipe que usava tanto o meio-campo para a construção ofensiva, como mostra o desenho tático, além de se basear muitas vezes no absurdo talento de seus pontas e atacantes centrais. Defensivamente, se posicionava num 4-3-3 inovador para a época, mas sem a mesma intensidade de que quando tinha a bola. Dependia muito da boa recomposição de Pelé e Zagallo, além do posicionamento do segundo volante ser também inovador para a época. Assim, o time de Vicente Feola foi revolucionário, e, em 1962, os frutos vieram novamente.

1962: a consolidação do que já era bom

Devido problemas de saúde na época, Vicente Feola deixa o cargo da seleção e o entrega a Aymoré Moreira. Com ele – devido a jogadores importantes estarem uma idade avançada – vimos o Brasil em 1962 com uma postura diferente do Brasil de 1958. Enquanto o primeiro era direto e intenso, esse era copeiro e bailado. Resumindo, um Brasil não gostava de “rodar o jogo”, o outro, sim. A escalação base daquele time era: Gilmar; Djalma Santos, Zózimo, M. Ramos  e Nilton Santos; Didi e Zito; Zagallo, Garrincha, Amarildo e Vavá. Obs: Pelé ficou lesionado boa parte da competição.

Era rigorosamente a mesma base tática da Copa do Mundo passada, a grande mudança foi a postura enquanto posse de bola, e a ausência de Pelé. Novamente o ponto de destaque é o talento de Garrincha e a disciplina de Zagallo. Tanto ofensivamente quanto defensivamente o desenho tático era o mesmo. O Brasil atacava no 4-2-4 e defendia no 4-3-3. A mudança, como dito anteriormente, foi em relação a postura com a posse de bola. Devido questões físicas relacionadas a idade, os Canarinhos se tornaram uma equipe que valorizava mais ter a bola. O que ajudava esse estilo mais lento – porém mais seguro – era a absurda qualidade dos laterais, Djalma Santos e Nilton Santos, somado, mais uma vez, a movimentação dos homens de frente.

O grande feito do Brasil de 1962 foram os ajustes do jogo de posição iniciado na Copa do Mundo anterior. Dessa forma, o Brasil se tornou uma equipe mais segura e “confiável”. O trabalho de Feola foi consolidado e aprimorado por Aymoré Moreira. Assim, surgiram as bases filosóficas da Seleção Holandesa de Michels e Cruyff em 74, do Brasil da década de 80 e de Guardiola no século seguinte. O Brasil iniciava seus passos na hegemonia da bola.

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